Formação

Diálogo em Família



 

Tudo se resolve com uma boa e esclarecedora conversa!

Seria ótimo se conseguíssemos que essa frase fosse colocada em uso em nossos dias, uma vez que, atualmente, o que mais se evita é justamente manter algum tipo de diálogo que não utilize meios eletrônicos.

Essa falta de diálogo tem afetado inclusive e principalmente as famílias, e tem se tornado um dos grandes problemas dos relacionamentos familiares. Temos uma ligação virtual nas famílias por meio de mídias sociais, porém, ao se sentarem para uma refeição que seja, existe dificuldade na comunicação. Às vezes, por não saber ouvir, pela falta de mansidão no falar, ou até mesmo pela impossibilidade de criar assuntos que sejam comuns entre seus membros.

Estudos psicológicos feitos recentemente apontam que, para uma comunicação saudável, é necessário que os pais estimulem seus filhos com questionamentos e se atentem às respostas dadas, que busquem interagir com a rotina dos filhos, fazendo deste momento algo que não seja mecânico, mas uma rotina gostosa de autoconhecimento de cada membro da família, criando, assim, oportunidades de estreitamento de laços familiares. Em muitos casos, o excesso de trabalho dos membros da família ou, até mesmo, a falta de dinheiro podem ser utilizados como desculpas para não haver o diálogo e temperança, pois o familiar que se encontra nessa situação prefere se fechar que partilhar sua situação, por medo de não ser compreendido ou em virtude daqueles que são sua família, que deveriam estar prontos a recebê-lo, estarem focados em si próprios, esquecendo-se de doar-se ao outro.

Como podemos mudar esta realidade, que vem se tornando comum entre as famílias, de falta de comunicação e de conhecimento entre os membros do núcleo familiar, utilizando-se todo tipo de desculpa para que não haja essa interação e tornando algo que deveria ser prazeroso motivo de angustia?

Podemos, diante desse questionamento, voltar nosso olhar para o santo casal São Luis e Santa Zélia Martin, que constituíram uma família comum, com pais atarefados em seus trabalhos e suas cinco filhas. Luís Martin trabalhou como relojoeiro e joalheiro, passando grande parte do tempo viajando, e Zélia Guérin como pequena empresária de uma oficina de bordado. Poderiam eles listar vários afazeres que os impediriam de desenvolver uma boa comunicação em família, porém, se analisarmos os escritos de Santa Terezinha e as cartas que o casal escrevia um para o outro, percebemos que, dar a devida atenção à família, era prioridade para eles.

Primeiro ponto a ser observado nesse modelo de casal: estes santos viveram plenamente a vocação do matrimônio, consagrando-se a Deus em primeiro lugar e buscando sempre dialogar e partilhar como casal, com um olhar atento ao outro. Portanto, seguindo o exemplo desse santo casal, percebendo-se como um dom que vem de Deus e aprendendo a olhar o outro como rosto do amor do Pai, é possível construir a própria casa com um fundamento estável.

Notamos, assim, que, em primeiro lugar, é de extrema importância a união e o dialogo entre o casal como base da família e, consequentemente, isto irá refletir nos filhos, sabendo dar a atenção devida a cada um dos seus questionamentos, ouvindo-os e dando valor à opinião deles. A estima e o respeito que brotam da espontaneidade de se reconhecer a família como aliados e da satisfação de ser uma ajuda de um para o outro, trazem a paciência, a humildade, a tenacidade, a ternura, a confiança e a curiosidade necessárias para a busca de si mesmo no outro.

É importante estimular, também, atividades conjuntas, como, por exemplo, jogos em família ou atividades pastorais, para facilitar a existência de assuntos comuns a todos.

Temos um dos maiores tesouros que o Senhor poderia nos confiar: nossas famílias, cada qual a seu modo, com suas dificuldades, mas também com muito amor. Não seríamos bons cristãos desvalorizando esse tesouro nem bons filhos ou pais, caso permitíssemos que nosso maior bem se perdesse pela acomodação e imposição da rotina apresentada pelo mundo.

Para fazer a diferença, é preciso nadar contra a correnteza e ir além. Só conseguiremos isso levando conosco aqueles que amamos e só evangelizaremos se colocarmos dentro das nossas casas a oração e o diálogo, deixando que a mídia social seja apenas um “recurso” e não o centro das atenções. Por isso, dialogue com sua família, saiba o que se passa nos corações daqueles que são amados por você. Com a conversa tudo se resolve, tudo se entende!

 

Karina Lima, Felipe Pinheiro e Viviane Sena

Membros de Aliança - Comunidade Olhar Misericordioso - Araguari

A IMPORTÂNCIA DOS AVÓS PARA AS FAMILIAS



 

Em alguns países, os avós são festejados no dia 26 de julho, em homenagem a São Joaquim e Sant'Ana, pais da Virgem Maria e avós de Jesus Cristo. Esses Santos não são mencionados em nenhum dos quatro evangelhos, nem mesmo naqueles que narram a infância de Jesus - São Mateus e São Lucas -, ainda que o de São Mateus apresente toda a genealogia "paterna" de Jesus Cristo, desde Abraão até São José, passando por Davi. No entanto, escritos apócrifos, como o Protoevangelho de Tiago - texto não canônico de meados do século II - os apresentam, permitindo que os primeiros cristãos passassem a conhecê-los. Assim sendo, a tradição e os Santos Padres testemunham que Joaquim e sua piedosa esposa, que eram estéreis, viviam uma vida de muita fé, tendo, após muito rezarem, recebido a graça e sido abençoados, já em idade avançada, com o nascimento da Virgem Maria. Ademais, sabe-se que, após o nascimento de sua filha, cumprindo o voto e a promessa feita em suas preces de consagrá-la a Deus, levaram Maria, aos três anos, para o templo, a fim de que fosse educada no serviço ao Senhor[1].

A Sagrada Família serve de inspiração e modelo de perfeição para todos os católicos. Destaca-se, entretanto, a importância de São Joaquim e Sant'Ana na constituição da Família de Nazaré, uma vez que o nascimento da Virgem Maria se deveu à fé e à perseverança de seus pais. Além disso, a obediência desses Santos, cumprindo a promessa de consagrá-la a Deus, permitiu que Maria fosse escolhida para levar em seu ventre o Deus feito homem e, mais tarde, coroada como Rainha dos Céus e da Terra.

À semelhança do que ocorreu com Maria Santíssima, as atitudes, virtudes, valores e convicções dos antepassados e, consequentemente, dos avós influem diretamente na história, na formação e no destino das gerações futuras. Por isso, ao pensarmos em família e na sua importância como a base da sociedade e da comunidade cristã, não podemos esquecer de ressaltar a importância daqueles que nos originaram e daqueles que lhes precederam: as gerações anteriores - pais, avós, bisavós, ... -, que, direta ou indiretamente, têm influência naquilo que somos ou seremos. Portanto, a abrangência do quarto mandamento não pode nem deve se restringir à primeira geração, sendo mandatório estender a honra aos avós, bisavós e antepassados.

Nesse sentido, o Papa Francisco, em sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia - Sobre o Amor na Família -, ressalta que "o vínculo virtuoso entre as gerações é garantia de futuro e de uma história verdadeiramente humana" (189) e acrescenta que "muitas vezes são os avós que garantem a transmissão dos grandes valores aos seus netos, e "muitas pessoas podem constatar que devem precisamente aos avós a sua iniciação à vida cristã"" (192). Dentre outros comentários pertinentes, o Santo Padre agrega que "as histórias dos idosos fazem muito bem às crianças e aos jovens, porque os ligam à história vivida tanto pela família como pela vizinhança e o país" (193).

Da mesma forma, o Catecismo da Igreja Católica nos lembra do quarto mandamento e de que o seu alcance vai além da relação com o pai e a mãe, dizendo respeito também aos membros do grupo familiar, como os avós e antepassados (CIC 2199), mesmo porque o dom da fé, a graça do Batismo e a vida na Igreja, muitas vezes têm a sua origem nos avós e o cristão deve uma gratidão especial àqueles que lhe transmitiram esses valores e lhes introduziram na Igreja (CIC 2220).

Além disso, os avós também são fundamentais para o exercício da gratidão e da caridade, uma vez a família deve interagir com a sociedade e seus membros devem cuidar e responsabilizar-se pelos jovens, velhos, doentes e pobres (CIC 2208 e Estatuto da COM, Capítulo 3, XII). Esse exercício pode e deve começar pelo cuidado e responsabilização no interior da própria família, onde, normalmente, os avós idosos já foram responsáveis pela educação de nossos pais e pela transmissão de valores morais, éticos e religiosos e recebem de seus netos os cuidados que necessitam em função da idade avançada.

Com relação a esse cuidado com os avós, o Papa Francisco, na mesma Exortação, afirma que "uma família que não respeita nem cuida de seus avós, que são a sua memória viva, é uma família desintegrada" (193) e agrega

... "em uma civilização em que não há espaço para os idosos ou onde eles são descartados porque criam problemas, tal sociedade traz em si o vírus da morte", porque "se separa das próprias raízes". O fenômeno contemporâneo de sentir-se órfão, em termos de descontinuidade, desenraizamento e perda das certezas que dão forma à vida, desafia-nos a fazer das nossas famílias um lugar onde as crianças possam lançar raízes nos terrenos de uma história coletiva. (193)

É notório, então, que, à semelhança de São Joaquim e Sant'Ana, os avós exercem um papel fundamental nas famílias, transmitindo valores que são passados para as gerações subsequentes, devendo, então, ser honrados, cultuados e cuidados por seus descendentes - filhos e netos -, com o risco de se perder história, identidade e virtudes, caso essa prática deixe de ser incentivada e, por conseguinte, desapareça.

Roguemos a proteção de São Joaquim e Sant'Ana para que as famílias honrem seus avós e saibam amá-los, respeitá-los, cultuá-los, cuidá-los e aprender com seus exemplos e costumes.

Marcos Sertã

COM RJ Zona Sul

 

[1] Memória de São Joaquim e Sant'Ana, pais de Nossa Senhora - Padre Paulo Ricardo. Disponível em: < https://padrepauloricardo.org/episodios/memoria-de-sao-joaquim-e-sant-ana-mmxvii >. Acesso em: 17 de junho de 2018.

São Joaquim e Sant'Ana. Disponível em: < http://revistacatolica.com.br/ensinamentos/historia-dos-santos/sao-joaquim-e-santanna/>. Acesso em: 17 de junho de 2017.

São Joaquim e Sant'Ana, pais de Nossa Senhora. Disponível em: < https://santo.cancaonova.com/santo/sao-joaquim-e-santana-pais-de-nossa-senhora/>. Acesso em: 18 de junho de 2018.

Santos Joaquim e Ana, pais de Nossa Senhora. Disponível em: < https://www.paulus.com.br/portal/santo/santos-joaquim-e-ana-pais-de-nossa-senhora-2#.Wy2Sd1VKh0w>. Acesso em: 18 de junho de 2018.

A BELEZA DO PERDÃO



 

Para alguns, o tema do perdão pode parecer muito distante pela dureza de um coração que insiste e resiste em não encontrar razões para perdoar. Há, também, aqueles que, sem um inimigo declarado, consideram que não precisam receber ou conceder o perdão. Não nos permitamos enganar: a capacidade de perdoar está intimamente ligada à capacidade de amar. Quanto mais amor tem uma alma em si, tanto mais ela está tomada pelo desejo de perdoar o outro ou de buscar o perdão em seus próprios erros e história de vida.

São João Paulo II nos leva a refletir a respeito da importância do perdão quando nos fala de amor: “o amor explicou tudo”, disse o santo. Não é possível perdoar sem amar, pois o perdão acontece quando o coração está pleno de amor.

Quantas vezes seguimos intransigentes ao perdão por não sermos capazes de reconhecer primeiro os nossos erros? Quantas vezes, sem compreender a realidade que toca o irmão, julgamos e condenamos atitudes que, em situações similares, podemos reagir de forma bastante semelhante ao julgamento que lhe damos?

Ao perdoar, deixamos de impor condições para amar e assumimos a Verdade, Jesus, como única fonte de redenção e de salvação. A verdade de Cristo é plena. As suas atitudes, seus discursos, ensinamentos e exortações não se contradizem e, tal como todas as verdades de Cristo, o perdão deve ocupar um grande espaço do nosso coração. 

Expressão da presença de Deus em uma alma, ainda que o perdão seja uma graça que devamos pedir ao Senhor, ele deve ser uma decisão pessoal que, iluminada pela sabedoria divina, sabe compreender que o importante não é ter ou não ter razão, mas ter ou não amor.

Fechar-se ao perdão é fechar-se à alegria e à liberdade de pertencer a Cristo, é prender-se a sentimentos que escravizam e que afastam da Luz. Como seres criados a imagem e semelhança de Deus, deixemo-nos imitar e motivar por Cristo que, nas dores da cruz, confirma a importância de viver o maior de todos os mandamentos, o amor, na expressão do perdão: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

“Quantas vezes devo perdoar?” Jesus nos diz, “setenta vezes sete!” (Mt 18,21-22).

Que ao longo de nossa existência possamos sempre dar a chance de nos reconciliarmos conosco mesmos, com nossos irmãos e com Deus. Que o amor justifique conceder e pedir perdão!

 

Tudo por Jesus, nada sem Maria!

Por Maria Beatriz Bianco (COM Curitiba)

 

 

SÃO JOÃO E AS FESTAS JUNINAS



 

No dia 24 de junho, a Igreja comemora a Festa de São João Batista, celebrando seu nascimento. O Papa Bento XVI diz que: “Com exceção da Virgem Maria, João Batista é o único santo a quem a liturgia celebra o nascimento, e assim faz porque ele está intimamente ligado ao mistério da Encarnação do Filho de Deus”¹.

São João Batista foi o último dos profetas do Antigo Testamento. O Evangelho diz expressamente que João já desde o ventre de sua mãe será cheio do Espírito Santo (Lc 1, 15). Sua concepção foi anunciada pelo anjo a Zacarias e à Maria como sinal de que nada é impossível a Deus, visto que sua mãe era estéril e de idade avançada¹. Chamado para preparar o caminho do Senhor, João pregava por todo o deserto da Judéia convidando ao arrependimento, confissão e ao batismo (Mt 3, 1-6), conhecimentos estes revelados a ele por Deus em sua permanência no próprio deserto.

Antes mesmo de conhecer a Jesus, João age sempre com muita segurança e humildade em sua missão.  “Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo.” (Mt 3, 11)  Segundo o Papa Francisco: “Este testemunho provisório, mas seguro, forte (...), [demonstra] aquela chama que não se deixou apagar pelo vento da vaidade, aquela voz que não se deixou diminuir pela força do orgulho, se torna cada vez mais aquele que indica o outro e abre a porta a outro testemunho, ao do Pai”². Sendo assim, João nos desafia à atitude fundamental do cristianismo – total dependência de Pai em Cristo³.

Celebrar a festa de São João é recordar o que Deus quer de nós: “a redenção que vem pelo Espírito Santo infundido em nossos corações como foi a João Batista no ventre de sua mãe”. 4 “Sem a Luz que acolhe, nada o homem pode, nenhum bem há nele.” (sequência de Pentecostes)

As Festas Joaninas ou Juninas recordam tanto o nascimento de João Batista quanto as festas de Santos do mês de Junho (Santo Antônio e São Pedro). Alguns historiadores relacionam o surgimento das Festas Juninas com tradições pagãs e outros com tradições católicas. Antes mesmo de os Portugueses chegarem ao Brasil, já havia celebrações juninas realizadas pelos índios5. A partir da inserção do Catolicismo na Terra de Santa Cruz, houve uma grande fusão de culturas e tradições na comemoração dessas festas, chegando ao que celebramos hoje no Brasil.

Na cultura popular brasileira, as festas juninas são protagonistas valorizando as tradições locais de todo país, além de revelar elementos históricos e religiosos importantes. De fato, muitos elementos do catolicismo estão envolvidos nesta festa. Segundo a tradição, por exemplo, a presença da fogueira tem seu fundamento na história do nascimento de João Batista, como uma lembrança de Isabel à Maria, indicando o nascimento de seu filho.6

Vivenciar uma festa tão importante no Brasil nos incita à convivência fraternal com os irmãos em um momento de vasta alegria, além de nos convocar à transmissão da história de grandes Santos celebrados neste mês. Que na celebração das Festas Juninas possamos sempre pedir a Intercessão especial de São João Batista, imitando-o e pedindo pela infusão do Espírito Santo em nossos corações.

“São João! São João! Acende a fogueira no meu coração.”

 

Por Rafaela Costa, Membro de Aliança

COM-Barra - RJ

 

Referências:

¹ Disponível em: <https://www.acidigital.com/noticias/bento-xvi-exemplo-de-sao-joao-batista-nos-chama-a-conversao-90848>. Acesso em: 03 de junho de 2018.

² Disponível em: <https://www.acidigital.com/noticias/papa-francisco-como-sao-joao-batista-sejamos-lampadas-que-anunciam-a-chegada-de-jesus-54861>. Acesso em: 03 de junho de 2018.

³ Disponível em: <https://www.franciscanmedia.org/solemnity-of-the-nativity-of-saint-john-the-baptist/> Acesso em: 03 de junho de 2018.

4 Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=7EgVFlJIpUw>. Acesso em: 03 de junho de 2018.

5 Disponível em: <https://www.estudopratico.com.br/festa-junina-no-brasil-historia-e-tradicoes/> Acesso em: 03 de junho de 2018.

6 Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/detalhes-festa-junina/origem-festa-sao-joao.htm>. Acesso em: 03 de junho de 2018. 

A PRESENÇA REAL DO CORPO E SANGUE DE CRISTO NA EUCARISTIA



 

Recentemente foi celebrado o dia de Corpus Christi no qual Jesus Eucarístico é levado em procissão pelas ruas, para abençoar as pessoas e as casas. É o único dia no ano que isso acontece. A data foi definida pelo Papa João XXIII como a primeira quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade.[1]

Na origem da celebração está uma extraordinária história que remonta ao século XIII. Na diocese de Liège, na Bélgica, Jesus aparecia para a freira Juliana de Mont Cornillon e pedia que a igreja instituísse uma festa anual em honra da Santa Eucaristia. Na época, um sacerdote chamado Pedro de Praga celebrou uma missa na cripta de Santa Cristina, em Bolsena, Itália e a hóstia começou a sangrar após a consagração, derramando gotas de sangue no corporal. Ao saber do milagre, o Papa Urbano IV desejou ver os sinais do Senhor e solicitou ao Bispo que levasse em procissão as relíquias até a cidade onde residia, chamada Orvieto, próxima de Bolsena. Assim que o Papa viu a procissão e a relíquia eucarística exclamou: “Corpus Christi”.[2]

A festa de Corpus Christi serve para reacender nas mentes e corações dos católicos a compreensão sobrenatural de que a Santa Eucaristia é, de fato, o corpo de Cristo. Mesmo os mais pragmáticos admitem que “na santíssima Eucaristia está contido todo o tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo” (CIC 1324).

A dificuldade é que, no mundo atual, cético e materialista, as pessoas são levadas a desacreditar do extraordinário, dos milagres, do poder de Deus e de Sua ação. Há uma tendência a crer somente naquilo que se vê e uma hóstia consagrada apresenta o mesmo aspecto de uma hóstia comum. Tais fatos dificultam a compreensão da verdade: que aquele pequeno pedaço de pão contém o corpo e sangue de Cristo.

Mesmo que nem todos percebam, o milagre Eucarístico ocorre em todas as vezes que um sacerdote proclama a consagração. O Catecismo da Igreja Católica enfatiza que

 

o modo da presença de Cristo sob as espécies eucarísticas é único. Ele eleva a Eucaristia acima de todos os sacramentos e faz dela «como que a perfeição da vida espiritual e o fim para que tendem todos os sacramentos». No santíssimo sacramento da Eucaristia estão «contidos, verdadeira, real e substancialmente, o corpo e o sangue, conjuntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, Cristo completo». «Esta presença chama-se "real", não a título exclusivo como se as outras presenças não fossem "reais", mas por excelência, porque é substancial, e porque por ela se torna presente Cristo completo, Deus e homem». (CIC1374)

Quem opera a ação milagrosa da transubstanciação (CIC 1376) é o Espírito Santo, a partir da proclamação do sacerdote. São João Crisóstomo afirma que

não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tomem corpo e sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia estas palavras, mas a sua eficácia e a graça são de Deus. Isto é o Meu corpo, diz ele. Esta palavra transforma as coisas oferecidas. (CIC 1375)

Ainda sobre a transformação do pão em corpo de Cristo, Santo Ambrósio afirma que Deus pode, sim, alterar a substância da hóstia na consagração.

estejamos bem convencidos de que «isto não é o que a natureza formou, mas o que a bênção consagrou, e de que a força da bênção ultrapassa a da natureza, porque pela bênção a própria natureza é mudada». «A Palavra de Cristo, que pôde fazer do nada o que não existia, não havia de poder mudar coisas existentes no que elas ainda não eram? Porque não é menos dar às coisas a sua natureza original do que mudá-la». (CIC 1375)

Na caminhada de conversão acontece um momento extraordinário quando a mente e a alma são tocadas pelo Espírito Santo e a pessoa compreende a presença real de Nosso Senhor na Eucaristia. Tal revelação não acontece obrigatoriamente no início do processo, pode se dar depois de algum tempo de busca espiritual. O efeito é transformador: a fé é intensificada, a visão espiritual ampliada, os dons do Espírito Santo passam a fluir mais livremente e a celebração eucarística adquire uma outra dimensão.

Como afirma São Tomás “presença do verdadeiro corpo e do verdadeiro sangue de Cristo neste sacramento, não a apreendemos pelos sentidos, mas só pela fé, que se apoia na autoridade de Deus" (CIC1381).

TPJNSM

Cristina Munarski Jobim Hollerbach

COM Santa Maria

  

 


[1] http://cleofas.com.br/qual-a-origem-da-festa-de-corpus-christi/

[2] http://cleofas.com.br/qual-a-origem-da-festa-de-corpus-christi/

 

PENTECOSTES - MARIA SEMPRE PRESENTE



 

Depois da morte e ressurreição de Jesus, Maria permaneceu com os apóstolos para firmá-los na fé. No cenáculo, em oração com eles, Maria vive a expectativa do mesmo dom, para que, no coração de cada crente, “se forme Cristo” (cf. Gl. 4,19). A presença de Maria tem um significado de grande valor, pois Ela compartilha com eles a memória viva de Jesus, na oração. Compartilha a missão de seu Filho, de conservar a Sua presença viva.

A Virgem Maria foi aquela que esteve presente nos eventos mais significativos da historia da Salvação: “Encarnação do Verbo, Ministério Pascal e no Pentecostes, sempre em oração, unida de corpo e alma ao seu Deus”. Maria nos comunicou a vida dando o seu “sim”, Ela é nossa mãe e quer ser o elo entre nós e Jesus, é medianeira de todas as graças que recebemos, quer ser nossa advogada, pois é rica em misericórdia, provou da misericórdia de seu Filho aos pés da cruz, quando Ele disse: “Perdoai- lhes Senhor, eles não sabem o que fazem”.

Quem louva e glorifica se fortalece. Maria sabia louvar e glorificar ao Senhor, Ela reconhecia as maravilhas que o Senhor fez em sua vida. Quem ora fortifica o coração, quem ora não tem medo, e Maria nos ensina a necessidade da oração e nos mostra que só com um vinculo constante, intimo e cheio de amor com seu Filho é que podemos sair de nós mesmos, com coragem, para estarmos presente na nossa vida e na do nosso irmão.

Muitas vezes, as nossas orações acontecem em momentos de sofrimento, para receber luz, consolação e ajuda. Maria convida-nos a dirigirmo-nos a Deus não só na necessidade, não só para nós mesmo, mas num só coração e numa só alma, unânime, perseverante e fiel. Passamos em nossa vida, às vezes, por momentos difíceis e exigentes, que requerem escolhas imediatas, inadiáveis, renuncias e sacrifícios. A Mãe de Jesus foi posta pelo Senhor em momentos decisivos da história da Salvação e soube responder sempre, com plena disponibilidade, fruto de um vínculo profundo com Deus amadurecido na oração assídua e intensa.

Assim, a presença da Virgem Maria na Igreja foi, e continua sendo, presença orante e silenciosa. Essa vocação ao silencio, ao escondimento e à oração foi revelada a Santa Faustina: “Vossa vida deve ser semelhante a minha: silenciosa e oculta continuamente unida a Deus, em súplica pela humanidade e a preparar o mundo para a segunda vinda de Deus”. Essa é a vocação de Maria, a vocação da Igreja, é o caminho para seguirmos Maria: oração e silencio. Esta é a grande missão e vocação na vida de cada um de seus filhos, estar sempre presente. Ela é nossa mãe espiritual, nos ensina, educa, forma e ama, é nossa intercessora junto a Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

 

Maria Gema Gonçalves

COM Unaí - MG

Fontes:

 

"A Virgem Maria e o derramamento do Espírito Santo em Pentecostes". Disponível em: < https://blog.cancaonova.com/tododemaria/a-virgem-maria-e-o-derramamento-do-espirito/>. Acesso em: 07 de maio de 2018.

 

"Maria Mãe de todos Nós". Disponível em: . Acesso em: 07 de maio de 2018.

 

"O Silêncio de Maria depois de Pentecostes". Disponível em: . Acesso em: 07 de maio de 2018.

 

"O Silêncio de Maria depois do Pentecostes". Disponível em: . Acesso em: 07 de maio de 2018.

 

"Sem a presença de Nossa Senhora não existe Igreja". Disponível em: . Acesso em 07 de maio de 2018.

SÃO JOSÉ, SUA IMPORTÂNCIA NA SAGRADA FAMÍLIA



 

 

São José era descendente da casa real de Davi, cuja ascendência, desde Abraão, é citada no evangelho de Mateus (capítulos 1 e 2). O nome José - em hebraico Josef, que significa “Deus acrescenta” - é venerado pela igreja Católica Romana, Ortodoxa e Anglicana.

A história de José está intimamente ligada à vida de Jesus e Maria, e se inicia com a decisão de não repudiar Maria após descobrir sua gravidez, mas somente deixá-la, a fim de não expô-la ao apedrejamento previsto nas leis judaicas. A partir do momento em que recebeu o anúncio do anjo do Senhor para assumir a sua esposa (Maria) e tornar-se pai Daquele que tinha sido gerado por obra do Espírito Santo, dedicou-se, sem reserva e durante o restante de sua vida, com profundo amor por Jesus, à Sagrada Família, desde a fuga para o Egito, no intuito de protegê-la da ira de Herodes, e após o retorno à Nazaré.

Como pai, teve papel fundamental na formação da personalidade humana de Jesus, apesar de Filho de Deus, ensinando o caminho da justiça, da verdade, do amor e do conhecimento da Palavra de Deus. Por estes predicados, é chamado de “Justo”.

São José consagrou o menino Jesus no Templo, logo após o seu nascimento, e sustentou, com dignidade, a Sagrada Família, através do seu trabalho como carpinteiro. Temente a Deus, levava sua família frequentemente às peregrinações de seu povo à Jerusalém, como na época da Páscoa. Em uma dessas peregrinações, na volta a Nazaré, o menino Jesus ficou em Jerusalém deixando seus pais aflitos e obrigando que retornassem ao Templo, onde o encontraram com os doutores da Lei. Esse episódio, mencionado por São Lucas, retrata a “angústia” de São José e o profundo amor que dedicava a Jesus. Nessa ocasião, ao ser questionado por sua mãe sobre o seu desaparecimento, Jesus exclamou: “tenho que cuidar das coisas do meu Pai”.

O Papa Pio IX, no Concílio Vaticano I, no ano de 1870, proclamou São José Patrono da Igreja Católica em todo o Universo, através do Decreto Quemadmodum Deus, em 08 de dezembro. Em seguida, instaurou a festa litúrgica e o ofício a São José, através da Carta Apostólica Inclytum Patriarcham, de 07 de julho de 1871. Lendo-se o documento percebe-se a clara motivação do Papa Pio IX em reconhecer São José como padroeiro da Igreja por ter sido protetor de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Por sua vez, o Papa Leão XIII, sucessor de Pio IX, destacou a vida de São José operário, ao tratar do mundo do trabalho na encíclica Rerum Novarum, editada em 1891, e, no ano seguinte,  estabeleceu a festa da Sagrada Família.

Em documento da Santa Sé, o Papa Francisco exalta a importância da missão de São José como pai de Jesus: “São José de Nazaré, colocado à frente da Família do Senhor, contribuiu generosamente na missão recebida na graça e, aderindo plenamente ao início dos mistérios da salvação humana, tornou-se modelo exemplar de generosa humildade, que os cristãos têm em grande estima, testemunhando aquela virtude comum, humana e simples, sempre necessária para que os homens sejam bons e fieis seguidores de Cristo.”

 Luiz Antonio e Fátima Lima

COM NITERÓI-RJ

Referências:

www.cleofas.com.br/estudo-sobre-sao-jose-parte-i

www.padrepauloricardo.org/episodios/o-glorioso-sao-jose  

POR QUE DEVO SER GRATO? A QUEM DEVO GRATIDÃO?



 

Por que devemos ser gratos? Na Palavra de Deus há diversas passagens que falam da importância da gratidão!  Os profetas no antigo testamento ensinam que devemos ser gratos, assim como os Evangelistas e o próprio Jesus.

“Pegando o cálice, deu graças”. Assim narram os Evangelistas a atitude de  Nosso Senhor, que na instituição do Santíssimo Sacramento, na Quinta-feira Santa, deu graças ao Pai Celestial em nome de toda a humanidade. Nosso Senhor Jesus exigiu também a gratidão dos leprosos curados, quando, dentre os dez, apenas um lembrou-se disso: “não ficaram curados todos os dez? Onde estão os outros nove?”(Lc 17,17). Da mesma forma, conclama à gratidão São Paulo: “Tudo quanto  fizerdes, por palavras ou obras, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai” (CI 3,17); e “Em todas as circunstâncias dai graças, porque esta é a Vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo” (1Ts 5,18).

São Bernardo dizia que nada causa mais repugnância a Deus como a ingratidão dos cristãos, visto que impossibilita à Misericórdia derramar as suas graças sobre os homens. A esse respeito, diz ele: “A ingratidão é uma nuvem que se estende entre o Sol da Misericórdia divina e a Terra”. Além disso, ofende a Deus privando-O do tributo que lhe devemos prestar conscientemente em nome de todas as criaturas.

Como praticar esta virtude?

Se pensarmos e refletirmos sobre o amor de Deus por nós tornar-nos-emos mais gratos. Podemos fazer como Davi, que, durante sua vida, meditou e bendisse as coisas que Deus fazia - “Bendigo o Senhor porque me deu conselho, porque mesmo de noite o coração me exorta” (Salm 15,7); e “Viva o Senhor e bendito seja o meu rochedo! Exaltado seja Deus, que me salva!”(Salm 17,47).

Ademais, a visita ao Santíssimo Sacramento é uma prova de gratidão, um sinal de amor e um dever de adoração para com Cristo, nosso Senhor. Em relação à "Adoração", o Catecismo da Igreja Católica estabelece: "Adorar a Deus é, no respeito e na submissão absoluta, reconhecer "o nada da criatura", que não existe a não ser por Deus. Adorar a Deus é, como Maria no Magnificat, louvá-lo, exaltá-lo e humilhar-se a si mesmo, confessando com gratidão que Ele fez grandes coisas e que seu nome é santo. A adoração do Deus único liberta o homem de se fechar em si mesmo, da escravidão do pecado e da idolatria do mundo" (CIC 2097).

Da mesma forma, a gratidão do homem para com o próximo é também de suma importância, pois, quando amamos o próximo, amamos o próprio Deus.

O respeito pelos pais, por exemplo, é produto do reconhecimento para com aqueles que, pelo dom da vida, por seu amor e por seu trabalho puseram seus filhos no mundo e permitiram que crescessem em estatura, em sabedoria e graça. "Honra teu pai de todo o coração e não esqueças as dores de tua mãe. Lembra-te que foste gerado por eles. O que lhes darás pelo que te deram?" (Eclo 7,27-28).

O quarto mandamento dirige-se expressamente aos filhos em suas relações com seu pai e sua mãe, porque essa relação é a mais universal. Diz respeito, também, às relações de parentesco com os membros de um  grupo familiar. Manda prestar honra, afeição e reconhecimento aos avós e aos antepassados. Estende-se, enfim, aos deveres dos alunos para com seu professor, dos empregados para com seus patrões, dos subordinados para com seus chefes, dos cidadãos para com sua pátria e para com os que a administram ou a governam.

Devemos, ainda, gratidão àqueles de quem recebemos o dom da fé, a graça do Batismo e a vida na Igreja. Pode tratar-se dos pais, de outros membros da família, dos avós, dos catequistas, de outros professores ou amigos. Conforme cita o Cônego José Geraldo Vidigal de Carvalho, em seu texto "A beleza da gratidão", "Quem é grato a Deus o será também com os demais benfeitores que são canais dos bens celestes. Esta virtude enobrece o cristão... “Só os espíritos bem formados são capazes de cultivar a gratidão”" (CARVALHO, José Geraldo Vidigal. A Beleza da Gratidão. Disponível em: <http://www.rccvicosa.com/a-beleza-da-gratidao/>).

Peçamos ao Senhor a virtude da gratidão, tanto para com Ele quanto para com os nossos irmãos.

Por Patrícia Furtado, membro de Aliança COM – Brasília - DF

Mistério de Amor



Quando pensamos em "Mistério", devemos ir além da ideia de que representa algo oculto, secreto e intangível para o conhecimento humano. O mistério é algo vivo e, muitas vezes, concreto, que age e faz acontecer, mas, ainda que não seja possível ou cabível a sua consecução, existe. Nesse sentido, quando falamos do misterioso amor de Deus, por mais que tentemos expressá-lo em palavras, elas serão insuficientes, pois esse amor é divino, completo, singelo, exuberante, puro e, ao mesmo tempo, complexo e inexplicável aos olhos humanos.

O plano de Deus de fazer pessoas que não caminham junto Dele participar de sua vida, do seu amor, da sua felicidade e de sua glória é um mistério. Esse plano foi revelado e realizado no Filho Encarnado, Jesus Cristo, e age em todos aqueles que aderem a esse objetivo em Cristo Jesus. A revelação e a realização desse plano em Cristo Jesus pode ser chamada mistério de Cristo. Esse mistério realiza-se na comunhão de vida e de amor entre Deus e os seres humanos, tornando-se real a partir do momento em que há o encontro entre Deus e o ser humano, que passa a basear sua vida no amor, consolidando a comunhão inexplicável do divino-humana.

Não existe amor maior que dar a sua vida por pecadores, julgados, aos olhos do mundo, não merecedores. O amor de Deus pela humanidade foi incondicional, ao ponto de entregar Jesus Cristo seu único filho. Isso significa que,  independente do que fazemos, Deus nos ama, porque Ele nos criou e seu amor e misericórdia são infinitos, não existindo nada que possamos fazer para aumentar esse amor por nós. O verdadeiro amor de Deus, puro e que não espera nada em troca é retratado  em 1Cor 13,4-7, “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

Por fim, o maior de todos é o amor de Deus por nós na hóstia consagrada. Nela, Jesus se faz substancialmente presente, sendo um alimento vivo e real, também de maneira misteriosa. Somente aos olhos da fé, vemos e sentimos o amor incondicional Dele por nós, dando o Seu corpo e Seu sangue para nos alimentar e saciar eternamente.

Dessa forma, queridos irmãos e irmãs, devemos crer nesse Jesus vivo e presente, que nos ama muito, ao ponto de dar sua vida por nós e também se fazer alimento para nos saciar. Devemos, ainda, amá-Lo, respeitá-Lo e segui-Lo, pois prova de amor maior não há, do que a que Ele nos deu e só entendemos esse mistério com o dom da fé.

Por Priscilla Pinheiro, COMpartilha, Teresópolis - RJ

A nove meses do Natal - com Maria



 

Maria nos diz:

“Envolvidos pela minha Luz imaculada, que se difunde por toda a parte como aurora para anunciar a vinda de Cristo; disponde-vos todos a receber com alegria o Senhor que vem.

Preparai-vos comigo, para viver a recordação litúrgica do seu nascimento na paz, no silêncio, na ansiosa espera.

Neste tempo de preparação, aumente a fé, ilumine-se a esperança, fortifique-se a caridade, torne-se mais intensa a vossa oração. Preparai-vos comigo, para a vinda de Jesus, que se realiza cada dia, no mistério da sua presença real Eucarística e sob as formas humanas de cada pessoa que encontrais.

Este encontro cotidiano com Jesus deve tornar-se para vós um alegre e perene Natal.”  (Aos Sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora – 26ª edição)

Fica a nós o convite da Mãe: preparar-nos para receber o Senhor. Ela nos convida a ofertar a Ele o nosso coração - morada confortável, aconchegante, limpa e serena.

Maria nos chama a assumir, junto a ela, as emoções e a gestação, período de provações e desafios, mas também de glórias e alegrias, durante o qual temos a oportunidade de aprender as virtudes que o Senhor quer nos conceder e de constatar que a graça do tempo não é um teste de paciência, mas uma dádiva que faz com que tudo aconteça conforme a vontade Dele.

A mãe espera ansiosa a vinda do filho, vive a expectativa da cor dos olhos, de como serão o sorriso, as mãos e os pés, aguarda para recebê-lo em seus braços e dali não mais sair.  Durante essa espera, ela já ama, mesmo nas incertezas, já sente o dever e a obrigação de ser o melhor que puder, para aquele que cresce em seu ventre, e já vive a preparação para assumir sua linda missão.

Vivamos essa gestação abrindo totalmente os nossos corações ao Cristo que vem, ao Jesus que se dá todos os dias na Eucaristia, que se apresenta nos pobres e oprimidos, nos doentes e necessitados, que cuida com tanto zelo dos pequeninos e que não dispensa sequer um misero gesto, nosso, de amor e misericórdia para com o próximo.

Esse mesmo Jesus que não desiste de nos amar e perdoar sempre que voltamos ao Seu coração, que muito se entristece quando deixamos de caminhar por onde Ele direcionou, mas que, pacientemente, nos segura pela mão e nos ajuda a voltar.

É tempo de nos abrirmos à graça que vem, e, para a recebermos, Ele não nos pede muito, apenas que sejamos verdadeiros em nossa entrega.

Jesus vem ao nosso encontro para lembrar-nos que somos filhos amados de Deus e de Nossa Senhora, para provar-nos que não estamos sós e que, seja nas dificuldades ou nas alegrias, Ele estará sempre conosco, basta que queiramos Sua presença.

Precisamos aprender, com Maria, como cuidar desse precioso presente e como permitir que Ele cuide de nós.

Devemos acolher Jesus como a Mãe o faz em seu ventre, de forma segura, estando sempre preparados para o cuidado, a proteção e a segurança que o filho necessita, além de permitirmos que Ele nos modifique e realize obras em nós, e de dar-Lhe o espaço para agir e a garantia de que lutaremos firmemente pela santidade.

Seguir Jesus é um propósito individual. Cabe a cada um fazer suas escolhas, mas quando permitimos que Deus permaneça conosco, tudo vale a pena.

Como vamos nos preparar nesses nove meses que antecedem a vinda de Jesus? O que Ele vai encontrar quando bater à porta do nosso coração? Quanto tempo faremos com que Ele espere para entrar em nossa vida e não mais sair?

Façamos da canção a nossa oração: “quero dizer meu Sim, como Tu, Maria, como Tu, um dia, como Tu, Maria!”

Que descubramos todos os dias o mistério de esperar e receber Jesus.

Tudo por Jesus, nada sem Maria!

 

Por Karina de Freitas Lima, membro de Aliança da COM – Araguari, MG

EM TUDO GLORIFICAR A DEUS



 

“Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus (1ª Coríntios 10,31)

A Igreja dá glória a Deus

"A Ressurreição de Jesus glorifica o nome do Deus Salvador, pois a partir de agora é o nome de Jesus que manifesta em plenitude o poder supremo do "nome acima de todo nome". Os espíritos maus temem seu nome, e é em nome dele que os discípulos de Jesus operam milagres, pois tudo o que pedem ao Pai em seu nome, o Pai lhes concede". (CIC 434)

"A Igreja, unida a Cristo, é santificada por Ele; por Ele e nele torna-se também santificante. Todas as obras da Igreja tendem, como seu fim, "à santificação dos homens em Cristo e à glorificação de Deus". É na Igreja que está depositada "a plenitude dos meios de salvação". É nela que "adquirimos a santidade pela graça de Deus"". (CIC 824)

O mundo criado para glória de Deus

"Eis uma verdade fundamental que a Escritura e a Tradição não cessam de ensinar e de celebrar: "O mundo foi criado para a glória de Deus". Deus criou todas as coisas, explica São Boaventura, "non propter gloriam augendam, sed propter gloriam manifestandam et propter gloriam suam communicandam  -  não para aumentar a sua glória, mas para manifestar a glória e para comunicar a sua glória". Pois Deus não tem outra razão para criar a não ser seu amor e sua bondade: "Aperta manu clave amoris creaturae prodierunt  -  Aberta a mão pela chave do amor, as criaturas surgiram". E o Concílio Vaticano I explica:

Este único e verdadeiro Deus, por sua bondade e por sua "virtude onipotente", não para aumentar sua felicidade, nem para adquirir sua perfeição, mas para manifestar essa perfeição por meio dos bens que prodigaliza às criaturas, com vontade plenamente livre, criou simultaneamente no início do tempo ambas as criaturas do nada: a espiritual e a corporal". (CIC 293)

“Glória a Deus no mais alto dos céus”!

Essa é uma frase que devemos pronunciar no mais íntimo do nosso coração, em todos os momentos de nossas vidas: na alegria, na tristeza, na saúde e na doença. Deus está acima de todas as coisas e está em todos os lugares. Ele conhece o mais íntimo do nosso coração, mais do que nós mesmos. É preciso que nós reconheçamos Deus como soberano, o Todo Poderoso,  Onipresente,  Onisciente, criador de tudo e de todos, uma vez que tudo foi feito por Ele, a natureza, os animais, a chuva, o sol, o homem e a mulher. Tudo deve ser feito para Ele, para render-Lhe glórias, pois não há outro Deus. Ele é o único que é digno de receber toda honra e toda majestade. Que nunca deixemos de louvá-Lo  por tudo que Ele faz e pelos diversos dons e graças que nos concede! Sigamos nossas vidas deixando-nos ser conduzidos por Ele, rendendo-Lhe glórias e louvores por tudo e em todas as circunstâncias, conforme consta em 1 Tessalonicenses 5, 18: “Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo.”

Bibliografias:

Bíblia Sagrada

Catecismo da Igreja Católica

Edna e Wenderson – membros de Aliança – COM São José dos Campos - SP

O que é a Quaresma?


O tempo da Quaresma começa na quarta-feira das cinzas e dura os quarenta dias anteriores à festa da Páscoa até a quinta-feira santa, excluindo a Missa da Ceia do Senhor.

 

Por quarenta anos Israel esperou no deserto para entrar na Terra Prometida. Por quarenta dias Moisés esperou a manifestação de Deus no Monte Sinai. Por quarenta dias Jesus jejuou no deserto aguardando a força do Espírito para cumprir sua difícil missão.

 

A Quaresma é um momento propício para que os cristãos renovem o espírito de adesão a Jesus Cristo, morto e ressuscitado, tempo que os guia no caminho de uma reflexão profunda e progressiva. Assim, juntos, devem todos se preparar para a grande celebração da Páscoa do Senhor, a liturgia central do ano litúrgico.

 

Como viver a Quaresma?

 

Espera-se que todo cristão se interesse por participar ativamente na sua comunidade para assim viver esse tempo com especial intensidade. Mas, infelizmente para muitos, especialmente para os mais jovens, a quaresma é apenas um período da Igreja com conceitos de penitência, jejum, oracao e esmola, que não dizem nada para eles.

 

O desafio para os pastores da Igreja, equipes litúrgicas e catequistas é grande, já que devem se esforçar para que os fiéis conheçam o motivo e a razão da Quaresma e assim possam aproveitar esse tempo de salvação para viverem com alegria transbordante a celebração da Páscoa.

 

Nesse sentido, é conveniente lembrar aos cristãos que se esforcem para viver com muita fé a Quaresma, que é especialmente importante no ciclo litúrgico uma vez que a Festa da Páscoa requer uma séria preparação para se unir à Ressurreição de Cristo.

 

 

Sinais da Quaresma

 

Tradicionalmente associa-se o tempo da Quaresma às cinzas, ao deserto, aos quarenta dias e ao jejum. Através destes sinais prepara-se o caminho que leva à Páscoa.

 

As Cinzas

 

Esse símbolo é usado nas primeiras páginas da Bíblia: quando nos dizem que: "Deus formou o homem com pó do chão" (Gn 2,7), significado do nome “Adão”. E o texto sagrado recorda que este é também o fim do homem:  "...até voltar para a terra de que foste tirado" (Gn 3,19).

 

As cinzas representam a consciência do nada, da nulidade da criatura em relação ao Criador conforme as palavras de Abraão: "Embora eu seja poeira e cinzas, ouso falar com meu Senhor" (Gn 18,27).

 

Na última reforma litúrgica, o rito da imposição da cinza foi reorganizado de forma mais expressiva e pedagógica. Não é mais realizado no início da celebração ou de forma independente dela, mas feita depois das leituras bíblicas e da homilia. Assim, a Palavra de Deus, que convida naquele dia à conversão, é a que dá conteúdo e significado ao gesto.

 

O Deserto

 

Geograficamente falando deserto é um lugar despovoado, árido, solitário e desabitado, caracterizado pela escassez de vegetação e falta de água. É o lugar onde o jejum acontece, considerado como desapego e solidão externos e internos para levar àquele que nele entra à união com Deus. Para a Bíblia, o deserto representa um momento de oração intensa. Llocal do sofrimento e reflexão purificadores, muito embora para alguns, possa ser graça rejeitada. 

 

O deserto é a geografia concreta, mas espaço e tempo de união com Deus. É por isso que Oséias o propõe como o lugar propício para  escutar o Senhor, tal como a Igreja faz com seus filhos na Quaresma: Pois, agora, eu é que vou seduzi-la, levando-a para o deserto e falando-lhe ao coração. (Os 2,16-17)

 

Muitas vezes em nossa vida diária rejeitamos esses espaços de silêncio e solidão porque temos medo de nos encontrarmos conosco e com Deus e descobrir quão longe estamos do seu projeto para nós. Por isso, viver o "deserto" requer a coragem dos humildes, daqueles que não têm medo de começar de novo.


Os Quarenta dias

 

A Quaresma é um tempo simbólico que tem suas raízes no Antigo e no Novo Testamento. Os quarenta dias de Moisés e Elias e os quarenta anos do povo escolhido no deserto não são referências secundárias.

 

No livro de Deuteronômio interpreta-se os quarenta anos como o tempo da prova que Deus coloca ao povo (Dt 2,7; 8,2-4). Estes são os dias do crescimento da fé, de acordo com o Salmo 94,10.

Esses quarenta dias poderiam então ser considerados como "o hoje" dos quais a Carta aos Hebreus fala ao se referir ao Salmo 94, como aquele "tempo auspicioso" para ouvir a voz de Deus e não endurecer o coração.

 

Na verdade nosso relacionamento com Deus não precisa apenas de um "espaço" adequado (o deserto como lugar de silêncio), mas também de um "tempo" oportuno e concreto suficiente para ouvir, através da nossa consciência, a voz do Pai que corrige e consola ao mesmo tempo.

 

O Jejum

 

Junto com o deserto e a oração, o jejum parece ser uma das practicas privilegiadas de todo o tempo penitencial, serve para revisar a nossa vida e emprender uma busca sincera de Deus. É por isso que, o jejum e deserto geralmente estão unidos. Todos aqueles que se afastam para o deserto para se encontrar com Deus, fazem jejum.

 

Os profetas Joel e Isaías nos dizem o verdadeiro significado desta antiga prática penitencial: “Voltai para mim de todo o coração, fazendo jejuns, chorando e batendo no peito! Rasgai vossos coraçoes, não as roupas, voltai para o Senhor, vosso Deus”. (Jl 2, 12-18).

 

Seria mais simples limitar nosso jejum apenas a evitar alimentos propostos pela Igreja. Mas é preciso descobrir outros sacrifícios que nos levem a mudar o que é mais difícil em nós. Talvez nos seja pedido falar menos, ter menos gastos supérfulos, não perder tanto tempo diante da TV ofertando tais sacrifícios a alguém que precise da nossa assistência. O  jejum deve unir-se à oferta, gesto de caridade concreto que também é uma ação penitencial e preferencial da Quaresma de acordo com a tradição cristã.

 

Se o jejum for feito apenas para expressar sofrimento ou demonstrar quão fortes somos, estamos distorcendo seu verdadeiro propósito.

  

Briant e Anna Pop

Membros da Comunidade Olhar Misericordioso, Los Angeles-EUA

 

 

A Santa Missa



A Santa Missa, também chamada Santa Eucaristia, é o mais sagrado, o mais supremo e o mais
belo ato de louvor, de adoração e de reparação que podemos oferecer a Deus. Ela foi instituída
por Jesus conforme narrado no evangelho de Mateus: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão,
benzeu-o, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei, isto é meu corpo. Tomou
depois o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos, porque isto é meu sangue,
o sangue da Nova Aliança, derramado por muitos homens em remissão dos pecados.”(Mt
26,26-27).
Os primeiros cristãos, compreendendo as palavras de Cristo, desde o início da Igreja
costumavam se reunir no primeiro dia da semana em casas particulares para reviver a última
ceia de Jesus. A este dia deram o nome de “Dia do Senhor” (domingo) por ser o dia que
recordavam a sua ressurreição. Eles já celebravam o que, até os dias atuais, ininterruptamente
chamamos de missa: “todas as vezes que comeis desse pão e bebeis desse cálice lembrais a
morte do Senhor, até que venha” (1Cor 11,26).
Didaqué, palavra grega que significa instrução ou doutrina, é conhecida como a Instrução dos
Doze Apóstolos, escrita catequética do Século I que faz registro da celebração da Eucaristia e
apresenta a liturgia cristã. Ela muito lembra o que está relatado no livro dos Atos dos Apóstolos
no capítulo 2, versículo de 42 a 47 sobre e o ensinamento dos apóstolos para a primeira
comunidade cristã.
O ritual da missa passou por algumas alterações até estruturar-se da maneira como hoje a
conhecemos. No início da Igreja os primeiros cristãos sofriam perseguições violentas por serem
contrários aos rituais pagãos. Eram acusados de ateus por não terem templo, altar, nem
sacrifícios nem sacerdotes. O templo para a comunidade cristã era o próprio Cristo e nele a
comunidade cristã formava um só corpo.
Durante os primeiros séculos a celebração da missa era bastante simples e evitava-se tudo o
que pudesse desviar a atenção do seu mistério central. No ano 150, o filósofo Justino,
convertido ao cristianismo, escreveu uma apologia em favor dos cristãos defendendo como era
celebrada a missa na comunidade cristã em meados do século II. Em seu relato ele apresenta
as seguintes partes da missa: reunião no dia do sol (domingo), escuta da Palavra, homilia,
oração dos fiéis, preparação das oferendas, oração eucarística, comunhão e socorro aos
necessitados.
No ano de 313, Constantino, o Imperador Romano, promulgou o Edito de Milão que reconhecia
a religião cristã como lícita e dotada de plena liberdade. Era o fim das perseguições ao
cristianismo e a liturgia saía das catacumbas. Em todo o império o número de cristãos se
multiplicava e as celebrações passaram a assumir um caráter imponente e suntuoso. A
celebração da eucaristia passou a ser presidida pelo bispo e os cristãos passaram a se reunir
em basílicas, locais amplos construídos pelo imperador. Mais adiante surgiram algumas
importantes mudanças na forma de celebrar a santa eucaristia e introduziram-se os sacrários,
que ganharam tanta ou mais importância do que a mesa do sacrifício, o altar. O pão e o vinho
tornaram-se os elementos centrais de toda celebração.
Anos mais tarde a Igreja viu a necessidade de unificar o ritual da missa, que passou a ser
celebrada em latim com o sacerdote virado de costas para a assembleia, pois o altar
encontrava-se encostado à parede. Era o ritual da Missa Tridentina. Já no século XX, no
Concilio do Vaticano II, foi aprovado o novo rito Romano, mais conhecido como o Rito do Paulo
VI, o qual o sacerdote passou a celebrar Versus Populum, de frente para o povo, com o altar
na posição central.
A missa é o santo sacrifício, o mesmo sacrifício experimentado por Cristo na cruz.
Substancialmente o sacrifício do Calvário e o sacrifício eucarístico são o mesmo,
diferenciando-se apenas pelo modo como cada um se apresenta.  No Calvário Jesus se

entregou de modo cruento, isto é, derramando o Seu sangue. Já na Última Ceia e nos Altares
de nossas igrejas este sacrifício é oferecido sem derramamento de sangue, chamado sacrifício
incruento, mas que se revive a cada santa celebração eucarística. Durante a celebração da
Santa Missa Jesus não está, por assim dizer, sofrendo de novo o Calvário, experimentando
novamente a agonia da coroa de espinhos ou carregando novamente todo o peso da cruz, mas
a entrega feita no sacrifício eucarístico é a mesma, pois o oferente é o próprio Jesus e é Ele
mesmo quem, invisivelmente na figura do sacerdote, preside toda a Celebração  Eucarística. É
Ele mesmo a vítima, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Pela transubstanciação
o pão e o vinho ofertados no Altar, se transformam em Corpo e Sangue de Cristo. Neles estão
contidos, verdadeira, real e substancialmente, o Nosso Senhor Jesus Cristo em Corpo,
Sangue, Alma e Divindade. Por força do sacramento, após o ato da consagração realizado pelo
ministro ordenado, no pão e no vinho Jesus está todo presente.
As finalidades da missa segundo Pio XII, são quatro: a primeira é a glorificar e adorar a Deus.
A típica atitude de adoração consiste em pôr-se de joelhos, rebaixando-se e reconhecendo-se
um nada diante do Senhor. A segunda finalidade da Missa é eucarística, ou seja, dar a Deus
ação de graças. A Eucaristia é um sacrifício de ação de graças ao Pai, uma bênção pela qual a
Igreja exprime seu reconhecimento a Deus por todos os seus benefícios, por tudo o que ele
realizou por meio da criação, da redenção e da santificação. O homem, que tudo recebe de
Deus, tem-lhe uma dívida de ação de graças que não poderia jamais pagar. O terceiro fim é
oferecer uma expiação pelos pecados. Na Santa Missa, pela primeira vez e todos os dias, a
humanidade pode oferecer a Deus um dom digno dEle: o dom do seu próprio Filho, um dom de
valor infinito, digno de Deus infinito. Só desta forma os crimes cometidos pelo homem contra
Deus podem ser plenamente satisfeitos. E por fim, a quarta finalidade da Missa é impetratória:
Jesus, nos dias de sua vida mortal, dirigiu preces e súplicas entre clamores e lágrimas Àquele
que o podia salvar da morte e foi atendido pela sua piedade. Nos altares de nossas igrejas
Jesus continua colocando-se entre a humanidade e o Pai, pedindo a Ele as graças necessárias
para a salvação do homem.
Que os fiéis participem do santo sacrifício eucarístico não com assistência passiva, negligente
e distraída, mas com tal empenho e fervor que os ponha em contato íntimo com o Sumo
Sacerdote, oferecendo com Ele e por Ele, santificando-se com Ele. O protagonista da Sagrada
Liturgia é Jesus, que oferece ao Pai o dom precioso de Si mesmo.
Não é a comunidade que está no centro da Missa, mas sua ação principal se realiza, não pelo
sacerdote nem pela assembleia, por Jesus. Para participar ativamente da Santa Missa, os fiéis
devem ser motivados a perscrutar o que se passa no altar sem inventar jograis, danças ou
outras ações que desviem o foco da liturgia, pois a esta reunião local da santa Igreja aplica-se,
de modo eminente, a promessa de Cristo: &quot;Onde dois ou três estão reunidos no meu nome, eu
estou no meio deles&quot; (Mt 18, 20).
Na celebração da Missa, em que se perpetua o sacrifício da cruz, Cristo está realmente
presente tanto na assembleia reunida em seu nome, como na pessoa do ministro, na sua
palavra e também, de modo substancial e permanente, sob as espécies eucarísticas do Pão e
do Vinho. A cada celebração Eucarística se revive o sacrifício de Jesus até que Ele venha uma
segunda vez (cfe.ICor11, 23-26).

Elaborado por: Eduardo e Márcia D`Ávila
Colaboração: Andrea Juliana Parra
Membros de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso
COM Zona Sul - Rio de Janeiro RJ
Referências bibliográficas:
Carta Encíclica Mediator Dei, sobre a Sagrada Liturgia, n. 61
Catecismo da Igreja Católica , 1348 – 1404 e 1374 - 1377
A Missa Parte por Parte – Pe Luiz Cechinato
Missal Romano
Bíblia Jerusalém
https://padrepauloricardo.org/episodios/a-santa- missa-em- nossas-vidas
www.fielcatolico.com.br
www.abcdacatequese.com.br
www.liturgiacatolicaoficial.blogspot.com.br

www.orionitas.com.br/liturgia_historia_da_liturgia.php

De Deus não se tira férias



Férias de Deus?

Deus é perfeito em todas as suas criações, obras e ações; nada se compara a sua sabedoria, que
não se cansa de nos presentear. Dentre os inúmeros presentes que recebemos do Senhor, vamos
tocar aqui algo que muito apreciamos e que se faz tão necessário em nosso peregrinar nessa Terra:
o descanso.
O Senhor mesmo nos deixou esse conceito de trabalho/descanso: “Tendo Deus terminado no sétimo
dia a obra que tinha feito, descansou do seu trabalho.” (Gn 2,2)
Dormir além do habitual, viajar, pegar sol, esquiar, ter tempo livre para ler aquele livro comprado há
meses, passar uns dias na casa dos avós, brincar mais tempo com os amiguinhos no “play”, visitar
os pais que moram longe ou simplesmente “fazer nada”, o descanso deve recarregar as forças que,
com grande intensidade, direcionamos nas atividades do nosso dia-a- dia.
Crianças e adolescentes anseiam pelas férias escolares, jovens pela pausa nos estudos e projetos
da faculdade, adultos celebram quando chegam as férias do trabalho e donas-de- casa sonham com
“uns dias” fora da rotina de suas tarefas domésticas. E assim vão todos, cada um segundo a vocação
e a missão que os chama, aguardando o seu merecido descanso chegar. Você se encaixa entre um
destes?
Muitos acorrem a Deus em suas necessidades, dores e tribulações, mas “correm” Dele nos
momentos de lazer, na diversão, no descanso e nas férias. A estes falta a perseverança.
Vai sair de férias ou decidiu fugir da rotina? Não deixe de colocar Deus dentro de sua mala de
viagem e nela, todos os ensinamentos que do Senhor você recebeu ao longo do ano e durante toda
a sua vida. Aproveite este tempo que, por Sua graça, lhe foi concedido para o seu descanso e esteja
atento: de Deus não se tira férias! Sim, relaxe, mas nunca a ponto de dar férias para Deus, pois Ele
jamais “descansa” e não tira férias de você. Saia da sua rotina, mas não saia da presença do
Senhor. Lembre-se que o seu objetivo, o descanso, somente foi atingido graças Àquele que o
concedeu.
Pode-se imaginar Deus tirando férias de seus filhos e de sua criação? Como seria se isso
acontecesse? Não há essa possibilidade. Temos um Pai que nos cuida o tempo todo, que nos envia
exércitos de anjos para nos auxiliar, um Pai que não se esquece de nos dar o dia e a noite – o sol se
levanta e se põe por Suas mãos, nunca se adianta, nunca se atrasa.
“Vigiai e orai”, diz o Senhor. Mas se de fato vigiarmos como Jesus nos convida a vigiar, toda atenção
é pouca também no descanso. Será que Jesus e seus discípulos passariam as férias onde você
escolheu passar? Iriam eles nos lugares que você escolheu ir para se divertir? Você os levaria, e a
todos os de sua família, para estarem com você nesses locais?
Há que cuidar com os modelos de ‘”férias felizes”, regadas de prazeres, de consumo exagerado de
bebidas alcoólicas e de compras, de festas, de sensualidade e corpos desnudados. “Não recebemos
o espírito do mundo, mas sim o Espírito que vem de Deus” (1 Cor 2,12). Descansar é justo e
merecido, mas há um limite. Férias e descanso não dá a ninguém o direito de exceder na busca e
satisfação de desejos, pois a liberdade vivida em Cristo não pode ser pretexto para prazeres carnais
(cfe. Gal 5,13). São Paulo nos exorta, tudo posso, mas nem tudo me convém (Cor 6,12). O propósito
de Deus é que o descanso conceda ao ser humano recuperação física e emocional, mas que
também o leve a momentos de crescimento espiritual e de mais intimidade com Ele.
Se o período é de férias, lembre-se de estar na presença d’Aquele que tudo criou e observe os
ambientes que você for frequentar. Onde quer que você esteja, siga com suas orações e com suas
visitas ao Santíssimo, aprecie as criações de Deus, caminhe na praia rezando o terço, participe da
santa missa. O Senhor te espera todos os dias, tal como você espera [Dele] “aquele dia lindo e
perfeito” para bem desfrutar do seu descanso. 
Já agradeceu a Deus por suas férias? O descanso foi abençoado e consagrado por Aquele que o
criou (cfe Gn 2,3), por isso, peça ao Senhor a graça de estar sempre em comunhão com Ele.

Trabalhando ou descansando, mantenha os seus olhos fixos em Deus, que incansável, jamais tira
férias de você. A Ele, “Graças e Louvores sejam dados a todo momento”!

 

Boas férias!
“Tudo por Jesus, nada sem Maria!”

 

Por Carolina Furtado Maia (COM Barra - RJ) e
Bia Klocker Bianco (COM Curitiba)

O Natal e os valores cristãos na sociedade atual



No Natal, nós cristãos celebramos não apenas o nascimento de Jesus Cristo, nosso Salvador, Deus que se encarnou homem para salvar toda a humanidade do pecado original, mas também nos preparamos para a sua volta no fim dos tempos. Ao se encarnar e assumir a nossa natureza humana, comunica-nos a sua condição divina, Unigênito do Pai, nascido do Pai antes de todos os séculos. Luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por Ele todas as coisas foram feitas. Por nós homens e para a nossa salvação desceu do céu e se encarnou, pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria e se fez homem. Assim professamos a nossa fé cristã, o Credo.

O Tempo do Advento não é simplesmente uma preparação para a celebração do Natal do Senhor. Este é um tempo profético que nos recorda que o Senhor que veio uma primeira vez na simplicidade de um menino, a fim de dar a sua vida por nós, virá uma segunda vez no fim dos tempos, revestido de glória, para estabelecer definitivamente o seu Reino.

Nas escrituras, Pedro fala aos cristãos que o Senhor não demora, como pensam alguns. Ele há de cumprir sua promessa, Ele virá. Contudo, Ele espera o tempo oportuno. Este tempo que estamos vivendo é o tempo da “paciência de Deus”, pois o seu desejo é que ninguém se perca. Devemos estar preparados e vigilantes, porque esse dia “chegará como um ladrão”. Da mesma forma que ninguém sabe quando um ladrão vai tentar entrar em nossa casa, também não sabemos quando será a nova vinda do Salvador. Enquanto aguardamos esse dia, devemos nos esforçar por viver uma vida pura, sem manchas e em paz. Assim o tempo do Advento se torna para nós um tempo oportuno de preparação, de conversão, de volta para Deus.

Essa conversão se apresenta como uma contínua mudança de vida pela penitência. A penitência são as atitudes e ações que revelam a mudança interior, a conversão do coração. O Catecismo da Igreja Católica esclarece que “a conversão interior impele à expressão exterior com gestos e sinais visíveis, gestos e sinais de penitência” (n. 1430). E o Catecismo acrescenta: ”A penitência interior é uma radical reorientação de toda a vida, um retorno, uma conversão a Deus com todo o coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal, juntamente com a reprovação das más ações que cometemos” (n.1421).

Será que estamos nos preparando de forma adequada para aguardar a sua vinda? Ou será que os valores da sociedade atual, os valores do mundo, estão ocupando todo o espaço que deveria estar ocupado com as coisas de Deus?

As alegrias do mundo vem de coisas exteriores, materiais; vem quando o homem foge do seu interior e olha para fora, buscando bens materiais que ocupem o seu vazio interior. O cristão leva a alegria dentro de si porque encontra a Deus na sua alma em Graça. Esta é a fonte da sua alegria. A alegria do mundo é pobre e passageira. A alegria do cristão é profunda e capaz de resistir aos mais intensos momentos de dor. “Eu vos darei uma alegria que ninguém vos poderá tirar” (Jo 16,22), prometeu o Senhor. Nada nem ninguém nos tirará essa paz se não nos separarmos de sua fonte.

Assim como João Batista veio antes, para anunciar e preparar a chegada do Senhor, nós também devemos fazê-lo, ao sermos verdadeiros apóstolos de Cristo, evangelizando e pregando a sua Palavra em um mundo repleto de seduções materiais e alegrias superficiais. “Não sou digno de desamarrar as suas sandálias”.

Que a celebração do Natal do Senhor, que se aproxima, encha de luz nossos corações e nos renove a esperança de que Ele virá uma segunda vez: virá para salvar-nos de forma definitiva e instalar aqui o seu Reino de paz e amor.

Tudo por Jesus, nada sem Maria!

Marcelo e Fernanda Tavares

Membros de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso da COM Barra – Rio de Janeiro

Para uma melhor reflexão sobre o Natal e o tempo do advento sugerimos as seguintes leituras:

- Catecismo da Igreja Católica

- http://arqrio.org/formacao

A Liturgia das Horas



“Abri, Senhor, os meus lábios para bendizer o vosso santo nome. Purificai o meu coração de todos os pensamentos vãos, desordenados e estranhos. Iluminai o meu entendimento e inflamai minha vontade para que possa rezar digna, atenta e devotamente este Ofício, e mereça ser atendido na presença da vossa divina Majestade. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

 

            A Liturgia das Horas (também chamada Ofício Divino) é a oração pública e comunitária oficial da Igreja Católica, considerada, com razão, uma das principais funções da Igreja. A palavra ofício vem do latim "opus" que significa "obra". É o momento de parar em meio a toda a agitação da vida e recordar que a Obra é de Deus. A essência da Liturgia das Horas é a santificação das horas do dia do cristão através das várias horas canônicas.

No princípio, os batizados “eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações” (At 2, 42). Da oração unânime da comunidade cristã nos dão repetidos testemunhos os Atos dos Apóstolos. Que também os fiéis se costumavam entregar à oração individual em determinadas horas do dia, provam-no igualmente os documentos da primitiva Igreja. Depois foi-se introduzindo muito cedo o costume de consagrar à oração comunitária alguns tempos especiais, por exemplo, a última hora do dia, ao entardecer, no momento em que se acendiam as luzes, e a primeira hora da manhã, quando, ao despontar o astro do dia, a noite chega ao seu termo.

 

Com o decorrer dos tempos, foram-se ainda santificando pela oração comunitária outras horas, que os Padres viam insinuadas na leitura dos Atos dos Apóstolos. Assim, os Atos falam-nos dos discípulos reunidos [para a oração] à terceira hora; o Príncipe dos Apóstolos “sobe ao terraço da casa para orar, por volta da sexta hora” (10, 9); “Pedro ... e João sobem ao templo, para a oração da hora nona” (3, 1); “a meio da noite, Paulo e Silas, em oração, entoavam louvores a Deus” (16, 25).

Estas orações, feitas em comunidade, foram-se progressivamente organizando, até que vieram a constituir um ciclo de horário bem definido. Esta Liturgia das Horas, ou Ofício Divino, embora enriquecida de leituras, é antes oração de louvor e de súplica: oração da Igreja, com Cristo e a Cristo.

 

O Concílio Vaticano II incentivou a que, cada vez mais, se recite a Liturgia das Horas com a comunidade dos fiéis, para que esse tesouro da Igreja não fique reservado somente aos padres, mas que seja distribuído também aos fiéis, para que possam santificar o dia por meio da oração.

A Liturgia das Horas é uma das formas de a Igreja viver a Páscoa de Jesus Cristo no ritmo diário, semanal e anual do tempo. Pela oração das horas, o cristão é lançado no mistério da morte e ressurreição do Senhor, na expressão mais nobre e definitiva de sua atividade humana, a comunhão de seu Deus. Nas comunidades reunidas em oração, a Igreja vive diariamente como que os mistérios do Tríduo Pascal, da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor. Une sua oração a Cristo nos passos do Tríduo Pascal, mesmo evocando os demais mistérios de sua vida terrestre. Este caráter de vivência pascal, de passagem da morte para a vida em Cristo manifesta-se pelos elementos de cada uma das horas.

 

A Liturgia das Horas, restaurada no ano de 1971, em conformidade com o decreto do Sacrossanto Concílio Vaticano II, é a oração da Igreja, pela qual são santificados, por cânticos de louvor, ação de graças e orações, tanto o curso completo das horas do dia, como a totalidade das atividades humanas.

Existem cinco ou sete horas canônicas:

>> Ofício das Leituras, para ser recitado de madrugada, contudo, reconhecendo as necessidades de adaptação do homem moderno, a Igreja diz que pode ser recitado ao longo do dia, desde que se mantenha o caráter de vigília.

 

>> Laudes ou Oração da Manhã, que é uma oração de louvor dado a Deus pela vida recebida. Atualmente composta de um Salmo, um hino do Antigo Testamento e um Salmo de louvor, de onde provém o nome. Existem alguns outros elementos nessa oração, mas o fundamento é este mencionado. É nesta hora canônica que se recita o Benedictus ou o Cântico de Zacarias.

 

>>Hora média, que pode se desdobrar em mais três: Tércia, próxima das 09h, Sexta, próxima do meio dia e Nona, próxima das 15h. Elas podem ser recitadas como sendo uma só, para não multiplicar excessivamente os horários canônicos.

 

>> Vésperas ou Oração da Tarde, composta por dois Salmos e um hino do Novo Testamento. Recita-se nessa hora o Magnificat, que é o Cântico de Nossa Senhora.

 

>> Completas ou Oração da Noite, composta por um Salmo e o hino de Simeão.

Esta é a essência das cinco horas canônicas da Liturgia das Horas que pode e deve ser recitada por todos os fiéis. Contudo, existem algumas pessoas que são obrigadas a rezá-las. É o caso dos sacerdotes e dos religiosos, mas nada impede que todos a recitem.

 

A introdução a todo o Ofício é normalmente formada pelo Invitatório. Este é constituído pelo versículo — Abri, Senhor, os meus lábios: E a minha boca anunciará o vosso louvor — e pelo salmo 94. Este salmo é um convite dirigido todos os dias aos fiéis para que celebrem os louvores de Deus e escutem a sua voz, e ao mesmo tempo uma exortação a esperarem “o repouso do Senhor”. Se parecer bem, o salmo 94 pode ser substituído pelos salmos 99, 66 ou 23. O salmo invitatório deve ser recitado, como se indica no lugar próprio, em forma responsorial, quer dizer, acompanhado da respectiva antífona. Esta é enunciada e repetida no princípio, e retomada após cada estrofe.

 

O Ofício de Laudes, como oração da manhã, e o de Vésperas, como oração da tarde, constituem segundo uma venerável tradição da Igreja universal, como que os dois polos do Ofício quotidiano; por isso, devem considerar-se como Horas principais, e como tais se devem celebrar.

 

Destinado a santificar o tempo da manhã, o Ofício de Laudes consagra a Deus os primeiros movimentos da nossa alma e do nosso espírito, de modo a nada empreendermos antes de nos alegrarmos com o pensamento de Deus, segundo o que está escrito: “Lembrei-me de Deus, e enchi-me de alegria” (Salmo 76,4); e ainda para que o corpo não se entregue ao trabalho antes de fazermos o que está escrito: “Eu Vos invoco, Senhor, pela manhã, e ouvis a minha voz: de manhã vou à vossa presença e espero confiado” (Salmo 5,4-5) (São Basílio Magno).

 

As Vésperas celebram-se à tarde, ao declinar do dia “a fim de agradecermos tudo quanto neste dia nos foi dado e ainda o bem que nós próprios tenhamos feito”. Com esta oração, que fazemos subir “como incenso na presença do Senhor” e em que o “erguer das nossas mãos é como o sacrifício vespertino”, recordamos também a obra da Redenção.  

 

Dar-se-á, portanto, a estas duas Horas de Laudes e Vésperas a máxima importância como oração da comunidade cristã. Promover-se-á a sua celebração pública e comunitária, principalmente entre as pessoas que vivem em comunidade. Recomenda-se mesmo a sua recitação a todos os fiéis que não possam tomar parte na celebração comunitária.

 

            Os grupos de leigos, onde quer que se encontrem reunidos, seja qual for o motivo destas reuniões — oração, apostolado ou outro motivo — são igualmente convidados a desempenhar esta função da Igreja, celebrando alguma parte da Liturgia das Horas. Importa, de fato, que aprendam acima de tudo a adorar a Deus Pai em espírito e verdade na ação litúrgica, e se lembrem que, através do culto público e da oração, eles podem atingir todos os homens e contribuir muito para a salvação do mundo inteiro.

Convém, finalmente, que a família, qual santuário doméstico da Igreja, não se contente com a oração feita em comum, mas, dentro das suas possibilidades, procure inserir-se mais intimamente na Igreja, com a recitação dalguma parte da Liturgia das Horas. Muitas pessoas testemunham que esta prática em algum momento do dia proporciona um gigantesco salto na intimidade com o Senhor e na santificação da vida em comunidade.

 

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

“Tudo por Jesus, nada sem Maria!”

 

Por Gerson da Costa

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso de Santa Maria - RS

 

REFERÊNCIAS

Para um aprofundamento do tema, consultar:

·         http://liturgiadashoras.org/IGLH_indice.html

·         http://www.liturgiadashoras.org/

·         https://pt.aleteia.org/2016/06/16/liturgia-das-horas-o-que-e-para-que-serve-como-se-reza/

·         https://padrepauloricardo.org/episodios/o-que-e-a-liturgia-das-horas-e-qual-a-sua-importancia
 

“IDE EVANGELIZAR!” (Mc 16,15) – Missão de todo Cristão




“É a partir do interior que havemos de aprender o risco da bondade; só poderemos fazer isso
se nós mesmos formos “bons” a começar de dentro, se a começar de dentro formos “próximo”
e então estivermos atentos ao modo do serviço que nos é exigido no nosso ambiente e no raio
maior da nossa vida e que a nós possivelmente, e a partir daí, nos é confiado como tarefa.”
(Joseph Ratzinger – Bento XVI)


A missão que Jesus deixou aos discípulos se estende hoje a cada um de nós. Com o início do
Ano do Laicato (26/11/2017 a 02/11/2018) com o tema – “Cristãos leigos, sujeitos na ‘Igreja em
saída’ a serviço do Reino’’, a Igreja ratifica o chamado de Jesus e a missão que Ele nos
confiou.


Mas afinal, como podemos evangelizar, se muitas vezes não podemos deixar tudo, como fez
Pedro ao largar as suas redes na praia, se não temos facilidade na oratória, acesso a centenas
de ouvintes, ou até mesmo ousadia suficiente para levar adiante a evangelização?


Na verdade, temos condições de cumprir nossa missão muitas vezes sem precisar pronunciar
uma só palavra ou sem ter que ir até a África, onde o povo jaz explorado e saqueado. Nosso
sim a esse chamado de Cristo é dado por nós quando nos colocamos a caminhar por duas
preciosas vias: a vivência verdadeira do evangelho, ou o testemunho de vida, na resignação ou
abandono aos planos de Deus.


Primeiro, trataremos do caminho da vivência do evangelho.
Pregar algo e viver outra coisa é hipocrisia, ou farisaísmo. A vivência real e concreta do que
cremos ou professamos é a nossa maior arma para alcançar o outro e para cumprir a nossa
missão de levar o evangelho. Somos observados o tempo todo por nossos filhos, pais, colegas
de trabalho, irmãos de comunidade..., e nosso agir tem poderosa influência na mensagem que
queremos levar àqueles que estão a nossa volta. Não convence aquele que evangeliza com
tristeza, desânimo, com murmurações, com apegos desordenados, com a prática da
maledicência ou com fé abalada.
O cristão que assume sua missão precisa ser outro Cristo. Precisa viver o amor e a
misericórdia, a doação desinteressada e o serviço, e cuidar das pequenas coisas do seu agir e
jeito de ser, o tempo todo. Assim, sempre deixará uma faísca de evangelização por onde
passar. Ninguém convence o outro se não vive o que fala, pois a boca fala do que o coração
está cheio (Mt 12,34). Portanto, enchamo-nos do amor de Deus para vivermos esse amor com
todos que estejam ao nosso lado. Um amor que transcende nossa capacidade tão limitada de
amar, um amor que só tem quem traz o Espírito de Deus em seu ser.
As coisas de Deus são muito simples. Só Deus nos basta. Como nos ensina nosso santo
padroeiro, São Pe. Pio de Pietrelcina: “Não peço o que não mereço, mas Sua presença Deus
quero ter...”. O que precisamos é de um querer autêntico, um coração que tenha um ardor de
amor a Deus a ponto de desejar gastar a vida com a salvação daqueles que custaram toda a
dor de Cristo na cruz, sua paixão e morte – a salvação de seus filhos amados.
Vivamos como dizia Santo Inácio de Loyola: “fazer tudo como se tudo dependesse de mim,
sabendo que tudo depende de Deus!”. Quanto mais nos esvaziarmos de nós mesmos e dos
prazeres do mundo, mais o Senhor irá fazer morada em nós.

O segundo caminho para bem cumprirmos nossa missão de evangelizar é acreditar e se
abandonar nos planos de Deus, sabendo que Ele concederá os dons e os meios necessários
para levarmos sua Palavra, ainda que seja a uma única pessoa.
Santa Teresinha do Menino Jesus, Patrona Universal das Missões Católicas, entrou para o
Carmelo com 15 anos. Conviveu com poucas pessoas em sua vida – seus pais, irmãs,
empregados, suas irmãs carmelitas. Seu odor de santidade vinha da simplicidade de viver tudo
com amor, transformando o ordinário da vida em algo extraordinário. No Carmelo a irmã que
mais lhe perseguia sempre se deparava com um sorriso e um gesto de carinho e generosidade
seu. Santa Teresa não precisou viver muito, nem de ter acesso a multidões de pessoas. O
Senhor a quis sendo sua evangelizadora com poucos e por pouco tempo. Ela aderiu a esse
plano de amor. A sua santidade de vida e a vivência do mais puro amor a Deus e ao próximo,
tiveram tanta eficácia na evangelização que após sua morte, com a publicação de seus
escritos, Santa Teresinha se tornou Doutora da Igreja e conhecida por milhares de pessoas.
Muitas vezes teremos que evangelizar aquele colega de trabalho “fechado”, o filho arredio, o
marido sem espiritualidade ou, quem sabe até, um sacerdote afastado das diretrizes da santa
Mãe Igreja. Pode ser que seja uma única pessoa, ou poderá ser milhões. Seja como for,
aceitemos os planos de Deus para nós onde, como e quando Ele nos quiser e digamos, ‘Assim
seja!’. Será sempre um plano de amor e salvação. Sempre. Assumamos nossa missão, dentro
da realidade e condição que cada um de nós tem, convictos de que o chamado e a convocação
de Cristo e da Igreja é para TODOS.
Fomos todos convocados como soldados em ordem de batalha:
Qual bandeira hastearemos? A do amor.
Contra quem combateremos? Nossos inimigos: a carne, o mundo, e o maligno.
A quem resgataremos? Nosso próximo.
Quem é nosso comandante? O próprio Cristo Senhor Nosso.
Onde descansaremos? No colo de Maria Santíssima.


“Ai de mim se eu não anunciar o evangelho.” (1Cor 9,16).
TPJNSM


Marinna Vieira Coelho Faria
Membro de Aliança COM – Unaí - MG

COMO E POR QUE A IGREJA CANONIZA OS SANTOS? QUAL A IMPORTÂNCIA DELES PARA NÓS?



Todos nós somos chamados a santidade, tendo em vista o plano original de Deus para o homem, no qual Ele nos criou à Sua imagem e semelhança. Neste sentido, aos efésios São Paulo recorda que o Pai nos escolheu em Cristo “antes da criação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis diante de seus olhos” (Ef 1,4)

 

Contudo, quando o pecado entrou na história do homem, fomos afastados de nossa natureza originalmente santa - e foi por isso que Deus enviou seu Filho Único como um homem como nós, para que por sua humanidade santa redescobríssemos a santidade para o qual fomos criados e por Seu sacrifício pudéssemos resgatá-la, como o mesmo Apóstolo nos ensina: ‘Eis que agora Ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai’ (Col 1,22).

 

E é por isso que Cristo é o caminho a verdade e a vida e ninguém vai ao Pai senão por Ele (Jo 14, 6), pois sofreu toda a sua Paixão e Morte para que recuperássemos diante do Pai a santidade e para que, observando sua vida, reaprendêssemos a ser imagem e semelhança do Criador - o caminho de perfeição a se seguir para voltarmos a viver plenamente em Deus, como no princípio.

 

A partir daí, possibilitados pela redenção de Cristo a enxergar novamente nossa santidade original, nos deparamos através da história com homens e mulheres como nós, pecadores, que Deus elegeu e elege para comprovar que de fato podemos vivê-la.

 

Para isso, ardentemente buscaram e conseguiram, por ação do Espírito Santo, seguir os passos do Redentor, doando, como Ele, suas vidas pelo próximo e pela Igreja. E porque quiseram viver como Cristo é que todos seus esforços em viver uma vida de virtudes e sacrifícios são reconhecidos através da decretação da santidade.

 

E esse reconhecimento certamente é uma forma da Igreja corroborar a vontade de Deus de, com os santos, estimular em nós, fiéis, também o desejo de buscar a santidade a que somos chamados, já que uma vez canonizado, a Igreja atesta que aquela alma, por tudo que buscou viver, teve como recompensa o Reino dos céus, aproximando-nos, assim, ainda mais da realidade salvífica.

 

            E é São João Paulo II quem nos esclarece perfeitamente na constituição Divinus Perfectionis Magister, que trata sobre a nova legislação relativa a causa dos santos, a razão pela qual a Igreja declara a santidade de alguém, a saber:

 

“Mestre e modelo divino da perfeição, celebrado juntamente com o Pai e com o Espírito Santo como o “único Santo”, Cristo Jesus amou a Igreja como uma esposa e entregou-se por ela para a santificar e tornar gloriosa aos seus olhos. Com efeito, depois de ter dado aos seus discípulos o preceito de imitar a perfeição do Pai, enviou sobre eles o Espírito Santo a fim de os mover interiormente a amar a Deus com todo o coração e a amarem-se uns aos outros como Ele os amou. Os discípulos de Cristo – como exorta o Concílio Vaticano II – chamados e justificados no Senhor Jesus não segundo as suas obras mas segundo o Seu desígnio e a Sua graça, no Baptismo e na fé foram constituídos de facto filhos de Deus e participantes da natureza divina, e, por isso, verdadeiramente santos (LG, 40).

 

Entre estes, em todos os tempos, Deus escolhe muitos para que, seguindo mais de perto o exemplo de Cristo, dêem testemunho glorioso do Reino dos céus com o derramamento de sangue ou com o exercício heróico das virtudes.

 

A Igreja, que desde os primeiros tempos do cristianismo sempre acreditou que os Apóstolos e os Mártires em Cristo estão estreitamente unidos connosco, venerou-os juntamente com a Bem-Aventurada Virgem Maria e com os Santos Anjos, e implorou devotamente o auxílio da sua intercessão. A estes, em curto espaço de tempo, juntaram-se outros que imitaram mais de perto a virgindade e a pobreza de Cristo e, finalmente, todos aqueles que pelo singular exercício das virtudes cristãs e dos carismas divinos suscitaram a devoção e a imitação dos fiéis.

 

Contemplando a vida dos que seguiram fielmente Cristo, sentimo-nos incitados com maior força a procurar a Cidade futura, ao mesmo tempo que nos é ensinada uma via segura através da qual, no meio das vicissitudes do mundo, segundo o estado e a condição de cada um, possamos chegar à perfeita união com Cristo, isto é, à santidade.

 

Assim, rodeados por uma tão grande nuvem de testemunhas através dos quais Deus se torna presente e nos fala, sentimo-nos fortemente atraídos para alcançar o seu Reino no céu, por meio do exercício das virtudes.

 

Acolhendo estes sinais e a voz do Senhor com a maior reverência e docilidade, a Sé Apostólica, desde tempos imemoriais, pela importante missão que lhe foi confiada de ensinar, santificar e governar o Povo de Deus, propõe à imitação, veneração e invocação dos fiéis homens e mulheres que sobressaem pelo fulgor da caridade e das outras virtudes evangélicas, declarando-os Santos e Santas num acto solene de canonização, depois de ter realizado as investigações oportunas”

 

Portanto a canonização dos santos é uma prática que sempre foi observada pelos primeiros cristãos e que não acontece - e nem pode acontecer - de forma simples: é um processo investigativo longo e demorado, com etapas a serem cumpridas para uma completa e assertiva confirmação da santidade a ser reconhecida, já que ao declarar alguém santo se afirma que aquela pessoa está na glória de Deus - e é por isso que a Igreja deve ser extremamente  cautelosa e prudente e não pode declarar que uma pessoa goza de santidade, se esta não restar absolutamente comprovada.

 

De maneira resumida, o processo se dá da seguinte forma: atualmente, os bispos têm autoridade para promover uma causa de canonização, o que antes era somente de competência do Sumo pontífice, e, por essa razão, qualquer diocese do mundo pode iniciá-la.

 

De acordo com o documento Divinus perfectionis Magister supracitado e a instrução Sanctorum Mater, ao bispo diocesano ou autoridade da hierarquia a ele equiparada, de iniciativa própria ou a pedido de fiéis, é a quem compete investigar sobre as virtudes ou martírio e milagres atribuídos e, se considerar necessário, a antiguidade do culto da pessoa cuja canonização é pedida.

 

E é nesse primeiro momento, quando a causa é iniciada, que temos o passo mais demorado do processo, pois é quando o postulador, uma espécie de advogado escolhido pelo bispo para a causa, deve investigar minuciosamente sua vida do candidato para conhecer a fundo sua fama de santidade. Nessa fase o candidato recebe o título de Servo de Deus.

 

Ao terminar esta primeira etapa, reconhecida a prática das virtudes em grau heróico (fé, esperança e caridade; prudência, temperança, justiça, fortaleza, entre outras) o decreto que o faz declara o Servo de Deus "Venerável”.

 

A segunda etapa rumo à canonização é o milagre da beatificação. Para se tornar beato é necessário comprovar um milagre ocorrido por sua intercessão. A Beatificação portanto, só pode ocorrer após o decreto das virtudes heróicas e da verificação de um milagre atribuído à intercessão daquele Venerável. Em se tratando da verificação de martírio, devem ser estudadas as circunstâncias que envolveram sua morte para comprovar se realmente houve e não é necessária a comprovação de milagre para decretar alguém como mártir.

Importante aqui elucidar que o milagre deve ser uma cura inexplicável à luz da ciência e da medicina, e devem, inclusive, ser consultados médicos ou cientistas de outras religiões e ateus. Deve ser uma cura perfeita, duradoura e que ocorra rapidamente.

Comprovado o milagre é expedido um decreto, a partir do qual pode ser marcada a cerimônia de beatificação, que pode ser presidida pelo Papa ou por algum bispo ou cardeal delegado por ele.

Por fim, o terceiro e último processo é o milagre para a canonização que deve ter ocorrido após a beatificação. Comprovado este milagre, o beato é canonizado - em missa solene o Santo Padre ou um Cardeal por ele delegado declarará aquela pessoa como Santa e digna de ser levada aos altares e receber a mesma veneração em todo o mundo, concluindo assim o processo de canonização.

E é fundamental aqui atentarmos à necessidade do milagre para que tanto a beatificação como a canonização aconteçam, pois é por ele que se dá a confirmação divina de que de fato o investigado goza da eternidade - nenhuma virtude ou sacrifício justifica a santidade se não é confirmada por Deus, que através do impossível, permitindo a intercessão do santo, atesta, consequentemente, que ele venceu a morte, já que só pode interceder porque está em Sua presença.

 

Aí então encontramos outro grande motivo pelo qual os santos são de grande importância para nós, Igreja: quando um santo é canonizado não somente passamos a ter um modelo de vida que nos inspira a buscar o alto, como também temos a certeza de que de fato há uma Igreja Celeste que suplica incessantemente por nós. E sobre isto, muito bem nos explana o Catecismo da Igreja Católica:

 

828. Ao canonizar certos fiéis, isto é, ao proclamar solenemente que esses fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de santidade que está nela, e ampara a esperança dos fiéis, propondo-lhes os santos como modelos e intercessores (308). «Os santos e santas foram sempre fonte e origem de renovação nos momentos mais difíceis da história da Igreja (309)». «A santidade é a fonte secreta e o padrão infalível da sua actividade apostólica e do seu dinamismo missionário» (310).

 

956. A intercessão dos santos. «Os bem-aventurados, estando mais intimamente unidos com Cristo, consolidam mais firmemente a Igreja na santidade [...]. Eles não cessam de interceder a nosso favor, diante do Pai, apresentando os méritos que na terra alcançaram, graças ao Mediador único entre Deus e os homens, Jesus Cristo [...].  (516)A nossa fraqueza é assim grandemente ajudada pela sua solicitude fraterna»

 

De fato, canonizando, a Igreja somente cresce em santidade - tanto por causa daquela que é reconhecida como por causa das que serão fruto desse reconhecimento - e a cada homem declarado santo é como se Deus nos “levasse à superfície” para tomar um grande fôlego e assim voltar, renovados e cheios de esperança, às profundezas da luta diária pela santidade.

 

E isto ocorre porque diante de uma canonização nos aproximamos ainda mais da real possibilidade de vitória sobre nossa fragilidade humana, pois com ela testemunhamos homens e mulheres que, mesmo frágeis como nós, foram reflexos vivos do Evangelho e venceram a guerra contra o pecado.

 

E aí reside a grande riqueza do santos para a Igreja: em vida colaboram em nossa caminhada com exemplos concretos de santidade e quando chegam a glória eterna nos auxiliam intercedendo por nós, pois já compreendem os mistérios da salvação, tendo em vista que gozam da santidade perfeita junto ao Pai, e podem, por isso, nos ajudar a pedir também junto a Ele aquilo que melhor nos encaminhe também para ela.

 

Contudo, é evidente salientar que tudo isso só faz sentido se de fato compreendemos a Igreja como um grande Corpo em que Cristo é a cabeça e nós somos os membros (Rm 12,5), que cada membro com sua função coopera com o funcionamento do todo e, por isso, de cada parte (1 Cor 12, 26) e que são membros ativos, ou seja, que colaboram para a santificação de todo Corpo, também aqueles que já estão com o Pai, conforme elucida o Catecismos da Igreja Católica:

 

957. A comunhão com os santos. «Não é só por causa do seu exemplo que veneramos a memória dos bem-aventurados, mas ainda mais para que a união de toda a Igreja no Espírito aumente com o exercício da caridade fraterna. Pois, assim como a comunhão cristã entre os cristãos ainda peregrinos nos aproxima mais de Cristo, assim também a comunhão com os santos nos une a Cristo, de quem procedem, como de fonte e Cabeça, toda a graça e a própria vida do povo de Deus» (519).

«A Cristo, nós O adoramos, porque Ele é o Filho de Deus; quanto aos mártires, nós os amamos como a discípulos e imitadores do Senhor: e isso é justo, por causa da sua devoção incomparável para com o seu Rei e Mestre. Assim nós possamos também ser seus companheiros e condiscípulos!» (520)

 

Sabemos, pois, que nosso caminho de salvação é sim individual, contudo Deus nos dá a graça de contar com o todo que é a Igreja, pois juntos completamos muito mais facilmente a corrida - exercitando a caridade fraterna, ou seja, saindo de nós mesmos, arranjamos um motivo ainda maior para viver a santidade e Deus em sua infinita sabedoria nos impele a isso nos fazendo corpo - e é dessa forma que os santos, com seus exemplos e intercessão, nos dão a esperança de que, como eles, podemos chegar ao céu.

 

Portanto, venerando-os, isto é, expressando nossa admiração e o desejo de imitá-los e rogando-lhes intercessão para que alcancemos este feito, consequentemente imitamos Aquele que os inspirou a serem santos e assim somos conduzidos de maneira ainda mais perfeita e eficaz a única “ponte” que nos leva até o Pai: Nosso Salvador Jesus Cristo. 

 

Mariana Olcese

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso

Niterói-RJ

Fontes para este texto:

Divinus Perfectionis Magister -

http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_constitutions/documents/hf_jp-ii_apc_25011983_divinus-perfectionis-magister.html

 

Catecismo da Igreja Católica -

http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s1c2_50-141_po.html

 

Wikipedia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Canoniza%C3%A7%C3%A3o

 

https://noticias.cancaonova.com/brasil/as-etapas-de-um-processo-de-canonizacao/

 

http://www.veritatis.com.br/onde-se-encontra-a-canonizacao-dos-santos-na-biblia/

 

 

Dogmas, luzes no caminho da nossa fé



Dogmas, luzes no caminho da nossa fé

O Magistério da Igreja faz pleno uso da autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando propõe, dum modo que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, verdades contidas na Revelação Divina ou quando propõe, de modo definitivo, verdades que tenham com elas um nexo necessário.

Existe uma ligação orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho da nossa fé, eles o iluminam e o tornam seguro. Se a nossa vida for reta, a nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé.

Os Dogmas para o povo de Deus são tal como os trilhos para um trem; são vínculos que dão ao veículo segurança e possibilidade de ir muito longe.

Todos os doze Artigos do Credo são dogmas de fé; ele é o “Símbolo dos Apóstolos” e resume as verdades básicas da fé cristã que há 2000 anos a Igreja ensina.

O Dogma é o ensinamento ou doutrina proposta com autoridade e explicitamente pela Igreja, como uma verdade revelada por Deus e, compreendido pela Igreja, é imutável. Podemos aperfeiçoar o entendimento da verdade revelada, mas nunca destruí-la ou negá-la. Um Dogma pode ser proposto pela Igreja numa proclamação solene, como por exemplo o dogma da Imaculada Conceição. Pode estar contido na Bíblia ou na Tradição apostólica que não foi escrita, mas que tem para a Igreja o mesmo valor de Revelação da Bíblia; por exemplo, o Credo como é rezado não está na Bíblia, mas veio da Tradição.

Jesus deixou a Igreja com a incumbência infalível de fazer este discernimento, a fim de nos mostrar e conduzir, sem erro, ao caminho da salvação. Pouco adiantaria Jesus deixar na terra o “depósito da fé”, ou, como chamava São Paulo, “a sã doutrina”, se não deixasse também uma guardiã infalível da mesma.

Por isso São Paulo responde que “A Igreja é a coluna da verdade” (1Tm 3,15). É por isso que a Igreja afirma sem dúvida, várias vezes, no Catecismo, a sua infalibilidade naquilo que é essencial em termos de fé e moral.

Goza desta infalibilidade o Papa quando, na qualidade de pastor supremo de todos os fiéis e encarregado de confirmar seus irmãos na fé, proclama, por um ato definitivo, um ponto de doutrina apenas sobre à fé e aos costumes. A infalibilidade prometida à Igreja reside também no corpo episcopal quando este exerce seu magistério supremo em união com o sucessor de Pedro, sobretudo em um Concílio Ecumênico.

Isso é muito bom, por dois motivos: dão uma segurança incrível à nossa fé e impedem que a Igreja Católica fique esfacelada como muitas outras religiões em que a interpretação das escrituras é plenamente livre e arbitrária.

A Igreja Católica proclama a existência de muitos dogmas, sendo 43 o número dos principais. Eles estão subdivididos em 8 categorias diferentes:

Dogmas sobre Deus

Dogmas sobre Jesus Cristo

Dogmas sobre a criação do mundo

Dogmas sobre o ser humano

Dogmas marianos

Dogmas sobre o Papa e a Igreja

Dogmas sobre os sacramentos

Dogmas sobre as últimas coisas

 

Os dogmas sobre Deus garantem que Ele existe, que é único em Três Pessoas divinas formando um só Deus (Pai e Filho e Espírito Santo), com igual poder e majestade; que Ele é eterno, onipotente, onipresente, onisciente, amor e misericórdia, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis; tudo o que existe foi criado por Deus.

Os dogmas sobre Jesus Cristo afirmam que Ele é o Filho Único de Deus; verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus (possui duas naturezas: humana e divina); cada uma das duas naturezas em Cristo possui uma vontade e uma operação própria. Cristo se ofereceu em sacrifício na Cruz para resgatar a humanidade separada de Deus pelo pecado. Ao terceiro dia depois de sua morte, ressuscitou glorioso dentre os mortos e subiu em corpo e alma aos céus e está “sentado” à direita de Deus Pai.

Sobre o mundo, os dogmas dizem que tudo do que existe foi criado por Deus a partir do nada. O mundo é temporal, um dia vai terminar. Deus o conserva pelo Seu poder e bondade.

Sobre a pessoa humana, os dogmas garantem que ela é formada de corpo material e alma espiritual e imortal criada por Deus no momento da concepção, à sua imagem e semelhança. O pecado de Adão (original) se propaga a todos os seus descendentes por geração e não por imitação. O homem caído não pode redimir-se a si mesmo; precisa de um Salvador, Jesus Cristo.

Sobre a Virgem Maria os dogmas dizem que Ela é Imaculada, isto é, foi concebida sem o pecado original e nunca teve qualquer pecado pessoal; é Mãe de Deus feito homem; foi para o Céu em sua Assunção, de corpo e de alma, após o término de sua vida na terra. É Virgem perpétua: antes do parto, durante o parto de depois do parto de Jesus Cristo.

Sobre o Papa e a Igreja os dogmas ensinam que a Igreja foi fundada por Jesus Cristo, que constituiu São Pedro como o primeiro Papa e cabeça visível da Igreja, conferindo-lhe pessoalmente o primado de jurisdição. O Papa possui o pleno e supremo poder sobre a Igreja, não somente nas coisas da fé e da moral, mas também na disciplina e no governo da Igreja. Ele é infalível sempre que define uma verdade de fé ou de moral. A Igreja é infalível quando define com o Papa alguma matéria de fé e de costumes.

Os dogmas sobre os Sacramentos, afirmam que Cristo instituiu sete Sacramentos: Batismo, Crisma, Confissão, Eucaristia, Ordem, Matrimônio e Unção dos Enfermos. A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo pelo Sacramento da Confissão. Cristo está presente na Eucaristia pela transubstanciação de toda a substância do pão e do vinho.

Os dogmas sobre os últimos acontecimentos afirmam que existe a vida eterna, o Céu, o Inferno e o Purgatório, o fim deste mundo e a segunda vinda de Cristo, a ressurreição dos mortos no último dia e o juízo universal.

Creia no que a Igreja ensina e tente saber a opinião correta que ela dá sobre este ou aquele assunto.

 

Por Mariana Souza Furtado

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso

Brasília - DF

 

Fontes para este texto:

Prof. Felipe Aquino - https://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2013/10/23/dogmas-luzes-no-caminho-da-fe/

Catecismo da Igreja Católica - http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p1s1c2_50-141_po.html

Caminho de vida - Preparação para a Crisma Livro 2, Padre Alfieri Eduardo Bompani. Editora Santuário. 

Wikipédia.

 

Maria assunta ao Céu



 

Maria assunta ao Céu

 

A Igreja Católica possui uma série de verdades de Fé, conhecidas como dogmas, nas quais nós, católicos, devemos crer. Os dogmas são subdivididos em 8 categorias: sobre Deus; sobre Jesus Cristo; sobre a criação do mundo; sobre o ser humano; sobre Maria; sobre o Papa e a Igreja; sobre os sacramentos; e sobre as últimas coisas. Os dogmas na Igreja são verdades salvíficas, ou seja, verdades reveladas por Deus, nas quais cremos e que a Igreja sente necessidade de esclarecer. São verdades que trazem salvação e mensagem de esperança.

O último e mais recente dos quatro dogmas marianos compreende a Assunção de Maria em corpo e alma ao céu. Celebrado pela Igreja no dia 15 de agosto, a solenidade da Assunção de Nossa Senhora foi instituída pelo Papa Pio XII em 1º de novembro de 1950 na Constituição apostólica Munificentissimus Deus.

 

 

 
   

"A Virgem Maria foi assumpta ao céu imediatamente depois que acabou sua

vida terrena; seu corpo não sofreu nenhuma corrupção como sucederá com

todos os homens que ressuscitarão até o final dos tempos, passando pela decomposição."

 
 

 

 

 

 

Diferentemente do que ocorreu com Jesus Cristo, que ascendeu aos céus, isto é, Ele, por si só, Homem e Deus, subiu aos céus, Sua mãe, Maria Santíssima, foi assunta aos céus, o próprio Cristo veio buscá-la. No Evangelho de São Lucas 1, 46-55, encontramos o Magnificat, o cântico de Maria, um canto de esperança na ressurreição, da vitória do Amor:

 

 

 
 

 

 

“A minha alma engrandece o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,

porque olhou para a humildade de sua serva. Doravante todas as gerações me chamarão

bem-aventurada, porque o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. O seu nome

é santo e sua misericórdia se estende, de geração em geração, a todos os que o respeitam.

Ele mostrou a força de seu braço: dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os

poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos

vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia, conforme prometera

aos nossos pais, em favor de Abraão e de sua descendência, para sempre”.

 
 

 

 

 

 

A Assunção de Nossa Senhora indica que a Virgem Maria, ao final de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória dos céus, sendo hoje exaltada como rainha. Inclusive, nos mistérios gloriosos do terço mariano contemplamos a Assunção da Santíssima Virgem ao céu e a coroação de Nossa Senhora como rainha do céu e da terra (quarta e quinta dezenas).

 

 

 
 

 

 

“A Virgem Imaculada, preservada imune de toda a mancha de culpa original,

terminado o curso da vida terrena, foi elevada ao céu em corpo e alma e

exaltada por Deus como rainha, para assim se conformar mais plenamente

com seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte.”

 
 

 

 

 

 

O sentido dessa verdade de Fé encontra-se na maternidade divina de Maria. Isso porque, uma vez que Maria é uma criatura de Deus Criador, ela teve um início e um final de vida na terra. O início de sua vida terrena dá-se com sua Conceição Imaculada, em previsão à maternidade divina, em cujo seio se encarnou o Deus Criador (Jo 1,14). Ao final, sua Assunção gloriosa é o coroamento de uma vida humana vivida sem pecado[iii], cheia de graça (Lc 1,28), íntegra no corpo e na alma, inteiramente consagrada à missão para a qual Deus a escolhera. Assim, também, ao glorificarmos Maria Santíssima nos céus glorificamos ao próprio Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, cuja carne não conheceu a corrupção.

 

 

 
 

 

 

"A Assunção da Virgem Maria é uma participação singular na Ressurreição de

seu Filho e uma antecipação da ressurreição dos demais cristãos."

 
 

 

 

 

 

A glorificação de Maria confirma a total redenção da humanidade. Ela que foi serva e, por isso, é rainha.

Tendo conhecido um pouco mais sobre a Assunção de Maria e meditado sobre esse dogma da Fé católica, podemos refletir: após transcorrida sua vida terrena, o que aconteceria com a nossa mãe? Ela que deu à luz, alimentou e protegeu o Menino Jesus... Ela que recebeu em seus braços virginais o Corpo dilacerado de seu Filho e Redentor... Tendo ela participado de toda a vida terrena de Jesus até Suas dores na Paixão, não quis deixar de passar pela morte, para, assim, em tudo imitar seu Deus e Senhor.

Ao reconhecermos a Assunção de Nossa Senhora como verdade de Fé reconhecemos também a onipotência de Deus nosso Pai. A Virgem Maria, cheia de graça, imaculada na sua concepção, virgem por toda a sua vida, mãe do Deus Criador, companheira do Redentor que venceu a morte e o pecado, foi preservada da corrupção do sepulcro, à semelhança de seu divino Filho, recebida pela Trindade Santa e por toda milícia celeste como rainha do céu e da terra, soberana dos anjos e dos homens, revestida de sol, com a lua debaixo de seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas (Ap 12,1).

 

 

 
 

 

 

“Maria foi quem melhor soube amar. Ela deu o seu sim a Deus não porque se

sentiu obrigada, mas porque se sentia amada. O amor de Deus por Nossa Senhora

não foi percebido por ela só no momento da Anunciação, mas desvelado lentamente

ao longo da sua vida.”

 
 

 

 

 

 

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Nossa Senhora da Assunção, rogai por nós!

 

 

TPJNSM!

Por Carolina Semprine e Thais Elmor (COM zona sul - RJ - Brasil), e Oscar Ivan Rojas Parra (COM Colômbia) 

Membros de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso.

 

Fontes:

  1. Constituição Apostólica do Papa Pio XII, Munificentissimus Deus - Definição do Dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao céu.

  2. Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium.

  3. Exortação Apostólica Marialis cultus.

  4. Carta Encíclica Redemptoris mater.

  5. Catecismo da Igreja Católica, 966.

  6. Santa Missa na Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria - Homilia do Santo Padre Francisco, Praça da Liberdade, Castel Gandolfo, em 15.08.2013.

  7. , em 03.10.2017.

  8. , em 06.10.2017.

     

 

(i) em 06.10.2017.

(ii) Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, 59.

(iii) Constituição dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium, 56; Exortação Apostólica Marialis cultus; Carta Encíclica Redemptoris mater. Papa Bento XVI, Audiência Geral na Sala Paulo VI, 7 de Julho de 2010.

(iv) Catecismo da Igreja Católica, 966.

(v) Padre Alexandre Paciolli, O Caminho da Luz.

A ORAÇÃO DO TERÇO - ROSÁRIO



 

 

  1. ORIGEM

 

Desde o início do Cristianismo os seguidores de Jesus desenvolveram muitas maneiras de rezar. Uma delas é a oração vocal. A pessoa repete a mesma frase no decorrer  do dia, como louvor, pedido ou consagração a Deus. Na oração vocal, como a Ave-Maria, enquanto os lábios pronunciam as mesmas palavras, a mente se aquieta e o coração, em silêncio, sintoniza com Deus. Não é uma oração de pensar, de refletir, mas sim de contemplar.

 

Não se sabe quando os cristãos começaram a rezar a Ave-Maria como oração vocal. Na idade Média uns monges analfabetos, que não podiam ler os salmos, recitavam de memória algumas frases. Assim como para os cento e cinquenta salmos, eles rezavam no decorrer do dia o mesmo número de Ave-Marias, mas somente a primeira parte, composta pela saudação do Anjo ( Lc 1,28) e as palavras de Isabel ( Lc 1,42).  No início usava-se uma bolsa de couro com 150 pedrinhas para contar as vezes que repetiam a oração. Mais tarde começou a ser usado um cordão com 50 pedacinhos de madeira. É a origem do instrumento que chamamos de Terço (5 dezenas) porque é a terça parte  do rosário (15 dezenas) . O nome Rosário quer dizer uma corrente de cento e cinquenta Ave-Marias,  como uma coroa de rosas.

 

Embora haja uma lenda de que São Domingos tenha recebido diretamente de Maria o Rosário, sabe-se que o dominicano Frei Henrique Kalkar, por volta do ano 1300, fez a divisão das Ave-Marias em quinze dezenas, com o Pai Nosso iniciando cada uma. Um século depois o dominicano Alano da Rocha dividiu o Rosário em Mistérios Gozosos, Dolorosos e Gloriosos. Com eles se contemplavam a Encarnação do Filho de Deus, sua Paixão e Morte, Ressurreição e Glorificação de Jesus e de Maria. A segunda parte da Ave-Maria foi incorporada ao Rosário provavelmente a partir do ano de 1480. Assim o Rosário se espalhou por toda parte e como é uma oração fácil, o povo aprendeu logo.

 

Ao estudar a história percebe-se que a devoção ao rosário não nasceu repentinamente nem veio como um bloco único, já prontinho e imutável. Passou por inúmeras mudanças no decorrer de seis séculos. Várias pessoas e grupos participaram na criação, sistematização e acréscimos, até chegar a forma atual. Da mesma forma como ele foi se modificando com o tempo, pode mudar hoje também.

 

Ao celebrar 24 anos de pontificado, no dia 16/10/2002, o Papa João Paulo II assinou a carta apostólica Rosarium Virginis Mariae em que acrescenta ao Rosário o Mistério da Luz inspirado na vida pública de Jesus. Assim o rosário passou de cento e cinquenta para duzentas Ave-Marias divididas agora em quatro blocos de mistérios.

 

  1. COMO REZAR O TERÇO? 

Algumas atitudes podem nos ajudar a rezar o terço. Entre elas gostaria de mencionar:

 

 atitude meditativa: O terço  deve ser recitado de coração aberto, de maneira meditativa e não mecânica.  Pode ser intercalado, sobretudo quando se reza em comunidade, com trechos da Palavra de Deus, hinos ou pequenos refrões.

 

atitude de simplicidade e solidariedade:  A origem do terço partiu da necessidade dos analfabetos, dos que não sabiam ler, dos simples...  Ao rezar o terço hoje podemos nos colocar também na  atitude “de simplicidade”, de pobreza, de despojamento, de desejo de aprender com Maria a ser discípulo e discípula de seu Filho Jesus. Ao rezar o terço ter presente os pobres e os “analfabetos de hoje”, pois foi com eles que surgiu a devoção do terço.

 

atitude de discípulo:   A oração do terço nos  ajuda a entrar  na Escola de Maria. Com ela vamos conhecer Jesus e nos deixar conduzir por Ele, internalizando seus valores, seus sentimentos e suas atitudes. No rosário se concentra a profundidade de toda a mensagem do Evangelho. Nele ressoa a oração de Maria, o seu Magnificat pela obra da Encarnação iniciada no seu ventre materno.

 

atitude de adoração a Deus e de veneração à Maria : O rosário nos ajuda a adorar a Deus, a venenar a mãe de Jesus e a contemplar os mistérios da vida do Senhor. Ele nos ajuda a contemplar o itinerário percorrido por Jesus de Nazaré dentro do projeto do Pai e com a ação do Espírito.

 

Atitude  de deixar que a vontade de Deus se faça em nós: A contemplação dos mistérios gozosos, dolorosos, gloriosos e  luminosos nos ajuda  a viver como Maria o seu “Eis-me aqui a serva do Senhor! Faça-me em mim segundo a Tua Palavra”.

 

Numa atitude de liberdade: A devoção do terço é livre. Reza-se sozinho ou em grupo, em comunidade, a qualquer hora do dia ou da noite, de muitas formas. Embora tenha cinquenta Ave-Marias divididas em cinco dezenas a pessoa reza como lhe guia o coração. Se no tempo do Natal ela está passando uma situação sofrida, pode rezar os mistérios dolorosos e contemplar a Paixão e Morte do Senhor. Se sente desejo, pode rezar mais Ave-Marias. Se lhe falta ocasião, encurta a oração.

 

III . RECOMENDAÇOES DA IGREJA

 

A devoção do rosário contou sempre com o apoio de papas ao longo de toda a nossa história.  Gostaria de citar aqui somente algumas recomendações e testemunhas:

 

Papa Paulo VI: O rosário é uma oração excelente, em relação à qual, contudo, os fieis se devem sentir serenamente livres , e solicitados a recitá-la com compostura e tranquilidade, atraídos pela sua beleza intrínseca “ ( Marialis Cultus n. 55)

 

Papa São João Paulo II :

“O rosário da Virgem Maria que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo milênio é a oração amada por numerosos santos e santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade, permanece, mesmo no terceiro milênio, uma oração de grande significado e destonada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espiritual de um Cristianismo que, passando dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original, e sente-se impulsionado pelo Espírito de Deus a “fazer-se ao largo” para reafirmar, melhor, “gritar ao mundo como Senhor e Salvador, caminho, verdade e vida.”( Jo 14,6), como o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização.  O Rosário, de fato, ainda que, caracterizado pela sua fisionomia mariana, no seu âmago, é oração Cristológica  (O Rosário da Virgem  Maria , n. 1)

 

Papa Francisco:

“O Terço é a oração que sempre acompanha a minha vida; é também a oração dos simples e dos santos “… é a oração do meu coração”. Ele escreveu essas palavras à mão como o prefácio do pequeno livro “Il Rosario. Preghiera del cuore”, edições Shalom do sacerdote de rito copto católico Yoannis Lahzi Gaid, que trabalha na secretaria particular do Papa. (ROMA, 11 de Setembro de 2014 -Zenit.org)”.

 

Bibliografia:

  • Murad Afonso, Maria toda de Deus e tão humana – Paulinas.
  • Dom José de Almeida Batista Pereira – Catequese Bíblica do Rosário da Virgem.

 

Por Irmã Teresinha de Barros

Congregação das Irmãs da Providência de Gap

A pedido de sua sobrinha Alessandra Barros Junqueira – COM Teresópolis RJ

Educar os filhos na Fé



 

Sendo a Família dom de Deus, presente concedido por Ele, ela possui em sua essência uma das mais lindas formas de viver a missão confiada a todos nós, a de amarmos nossos irmãos e de cuidarmos daqueles que nosso Pai Celeste nos confia.

 

Mas será que o sentido da vivência familiar e seus princípios tem sido concretizados? As famílias conseguem aplicar efetivamente os valores cristãos?

 

Infelizmente vemos um bombardeio de informações e atitudes na sociedade que distorcem completamente a importância da família e de se educar os filhos conforme esses valores. Vemos distanciando, cada vez mais, a comunhão entre pais e filhos e este espaço sendo preenchido pelo uso de aparelhos eletrônicos, das redes sociais e por vícios. Embora existam alertas por todos os lados quanto a esse mal, muitos os ignoram.

 

Além dos ataques que as famílias sofrem diariamente através da mídia, das redes sociais e até mesmo nas escolas, muitos não buscam uma formação cristã por não possuírem um direcionamento que os motive a isso. Vemos muitas crianças crescendo sem aprender a importância da fé e da oração, ocupando-se completamente de jogos e outros afazeres sem que sejam orientadas a aprender a vivência básica de um cristão, de experimentar a partilha em casa ou a aplicação do amor. Não há tempo de ir a igreja ou para o simples diálogo com Deus.

 

Até bem pouco tempo atrás as famílias eram numerosas, compostas por 10, 12 filhos. Ouvimos muitos relatos de que a criação era “dura”, não existiam as tecnologias que vemos hoje e o acesso a brinquedos industriais era bem mais restrito e privilégio de poucos. Mas por outro lado, a aplicação do respeito, a responsabilidade e, principalmente, os valores eram diferentes. Temos acompanhado esse número [de filhos] diminuir significativamente, ao ponto de casais não mais os desejarem. Optando por menos filhos os casais modernos buscam “conforto”, conforto próprio e dos filhos, dando a eles uma estrutura que antes não era tão exigida pela sociedade. Com isso se esquecem, ou pior, ignoram, o primordial sentido da família, que é o amor que se experimenta num convívio intenso onde há diálogo, correção, reconhecimento e partilha numa sã aplicação da autoridade dos pais e mansidão na obediência dos filhos.

 

Família é a vivência do amor, a concretização da vocação, a mais linda prova da misericórdia e da compaixão, espelho e porta de evangelização. Através da família é despertado no coração dos filhos o chamado à vida sacerdotal, religiosa, e também a continuidade de gerações no sacramento do matrimônio.

 

Os filhos são reflexo do que aprendem e experimentam em casa e eles tem os pais como fonte de aprendizado. Repetem suas palavras, seus gestos e vícios. Os pais são como que ponto de referência para a definição da personalidade e dos hábitos que permanecerão nos filhos quando estes se tornarem adultos.

 

Por isso a importância do emprego efetivo dos hábitos cristãos dentro de casa, a fidelidade à Santa Missa, a oração diária, a confiança em Deus e o respeito por Ele, a educação e o uso de palavras que condizem com um cristão, o olhar de misericórdia para com o outro, a caridade com aquele que necessita, o sentido do perdoar e de pedir perdão. Embora pareça difícil, são regras simples que  devem fazer parte do cotidiano de todas as famílias.

 

Somos responsáveis por continuar a missão de Jesus de evangelizar e de leva-lo à quem não O conhece. Mas para conseguirmos concretizar essa missão inicialmente ela deve ser empregada dentro dos lares.

 

Sejamos defensores dos valores cristãos, levemos a nossos filhos a profissão de fé e da confiança em Deus, que é misericordioso, que nos ama e que tem pela família um olhar de Pai especial.

 

Busquemos sempre em José, Maria e Jesus o modelo de família e de criação que queremos dentro das nossas casas onde reina o amor, fraterno amor.

 

Sagrada Família de Nazaré, abençoai nossos lares, protegei nossas famílias e dai-nos a paz!

 

Por Karina Freitas Lima

Membro de Aliança da COM – Araguari – MG

Família, dom precioso de Deus



 

 

A Família é um presente, um dom precioso que nos é dado por Deus. Nela deve transbordar o amor divino através de atos e de pequenos gestos de carinho e cuidados entre todos os membros que a compõe. Família precisa ser cultivada com amor, compreensão, respeito, gratuidade, espontaneidade, confiança e, sobretudo, no acolhimento do outro como imagem e semelhança de Deus.

“Em nossos dias, num mundo que se tornou estranho e até hostil à fé, as famílias cristãs são de importância primordial, como lares de fé viva e irradiante. Por isso, o Concílio Vaticano II chama a família, usando uma antiga expressão, de “Ecclesia domestica”. É no seio da família que os pais são ‘para os filhos, pela palavra e pelo exemplo... os primeiros mestres da fé. E favoreçam a vocação própria a cada qual, especialmente a vocação sagrada’.” (CIC 1656).

Na Família os filhos devem ser reflexo dos pais e os pais, tomados pelo amor e pela autoridade que lhes foi concedida no Sacramento do Matrimônio, devem ensinar aos filhos os valores cristãos e a vivência da fé e da oração apresentando-lhes Deus que é tão maravilhoso e que tudo pode transformar e renovar.

“(...) A fé é dom de Deus, recebido no batismo, e não o resultado de uma ação humana; mas os pais são instrumentos de Deus para o seu amadurecimento e desenvolvimento. Por isso, é bonito quando as mães ensinam os seus filhos pequenos a enviar um beijo a Jesus ou a Nossa Senhora. Quanta ternura há nisto! Naquele momento, o coração das crianças transforma-se em lugar de oração. A transmissão da fé pressupõe que os pais vivam a experiência real de confiar em Deus, de procurá-lo, de precisar d’Ele, porque só assim uma geração conta à outra as tuas obras [de Deus] anunciam as tuas maravilhas (Sl 145/144,4).” (Papa Francisco, Exortação Apostólica Pós-Sinodal, Amoris Laetitia, 287).

 

O amor gerado no seio da Família desencadeia uma série de graças e bênçãos: supera as dificuldades, semeia a concórdia e a misericórdia, gera o ato de doar-se e de perdoar-se no exercício do respeito mútuo. A Família é berço de vocações, caminho de santidade e fonte do anúncio da Boa Nova para o mundo a partir da vivência do amor que ela experimenta.

 

Contemplando a Sagrada Família, que nossas Famílias sintam o ardente desejo de viverem a mesma santidade de Jesus, Maria e José: “Sagrada Família, nossa família Vossa é!”

 

Tudo por Jesus, nada sem Maria!

 

por Hercilia Mendes e Verônica Mendes

 mãe e filha

Membros de Aliança da COM - São José dos Campos, SP

A Vocação Matrimonial e a Finalidade do Matrimônio. Chamado Sagrado!



 

 

Recentemente o Sumo Pontífice, Papa Francisco, nas tradicionais catequeses de quarta-feira abordou o tema: “A Igreja Universal, vocação à santidade” (19.11.2014), e a iniciou com a seguinte afirmação: “Todos os cristãos, como batizados, têm igual dignidade diante do Senhor e a mesma vocação, a da santidade”.

Respaldado por São Paulo quando escreve aos tessalonicenses em sua primeira epístola «esta é a vontade de Deus, a vossa santificação» (1Ts 4,3) O Santo Padre recorda algo tão rico, porém muitas vezes esquecido na sociedade atual, qual deve ser a nossa meta, que é a Glória do Céu!

No século IV Santo Agostinho em suas Confissões já clamava: “Fizeste-nos para ti, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em ti” (Santo Agostinho, Confissões, I Livro, 1).

O Catecismo da Igreja Católica aponta ainda que o desejo de Deus é um sentimento inscrito no coração do homem, porque o homem foi criado por Deus e para Deus. Deus não cessa de atrair o homem para Si e só em Deus é que o homem encontra a verdade e a felicidade que procura sem descanso (cf. CIC 27).

Todos os seres humanos vivos na Terra compõe a chamada Igreja Militante, onde estes são verdadeiros peregrinos rumo à Pátria Celeste. Como uma viagem que pode ser feita por diferentes roteiros e meios de transporte, Deus em sua maestria de Criador fez o homem em meio à diversidade de dons, carismas e missões.    

Portanto, ainda que na Igreja nem todos sigam pelo mesmo caminho, todos são, contudo, chamados à santidade, e a todos coube a mesma fé pela justiça de Deus (cfe. 2Pd 1,1).

Na dimensão do serviço apostólico o fiel passa a não somente desejar e buscar sua própria salvação, mas como a de todos ao seu redor com o ardente desejo de cumprir com o imperativo do Senhor em “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. ” (cfe. Mt 28, 19)

A Ordem e o Matrimônio (denominados Sacramentos de Serviço) são ordenados para a salvação de outrem. Se contribuem também para a salvação pessoal, é através do serviço aos outros que o fazem. Conferem uma missão particular na Igreja, e servem a edificação do povo de Deus. (cfe. CIC 1534)

Todavia os leigos são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e ativa naqueles locais e circunstâncias em que só por meio deles ela pode ser o sal da terra. Deste modo, todo e qualquer leigo, pelos dons que lhe foram concedidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da missão da própria Igreja, «segundo a medida concedida por Cristo» (Ef 4,7).

Incumbe, portanto, a todos os leigos a magnífica tarefa de trabalhar para que o desígnio de salvação atinja cada vez mais os homens de todos os tempos e lugares. Esteja-lhes, pois, amplamente aberto o caminho, a fim de que, segundo as próprias forças e as necessidades dos tempos, também eles participem com ardor na ação salvadora da Igreja (cfe. Lumen Gentium 31).

 

A grande beleza dessa missão dos leigos é proporcional ao tamanho do desafio que nela está contido. Deus, portanto, em sua infinita bondade e sabedoria jamais deixaria o homem, sua obra-prima, desamparado e sem auxílio.

Como descrito no CIC 1605, que o homem e a mulher tenham sido criados um para o outro, afirma-o a Sagrada Escritura: «Não é bom que o homem esteja só» (Gn 2, 18). A mulher, «carne da sua carne», isto é, sua igual, a criatura mais parecida com ele, é-lhe dada por Deus como uma ,auxiliar», representando assim aquele «Deus que é o nosso auxílio». «Por esse motivo, o homem deixará o pai e a mãe, para se unir à sua mulher: e os dois serão uma só carne» (Gn 2, 24). Que isto significa uma unidade indefectível das duas vidas, o próprio Senhor o mostra, ao lembrar qual foi, «no princípio», o desígnio do Criador: «Portanto, já não são dois, mas uma só carne» (Mt 19, 6).

O homem e mulher, uma só carne, fortalecidos pela graça do matrimônio, além da missão como leigos de apresentar a salvação a todos os homens e lugares, de maneira especial, se tornam responsáveis pela salvação um do outro e dos frutos de sua união.

O casal passa um a ser apoio um do outro, dedicando sua vida com humildade e paciência em um processo de aperfeiçoamento mútuo para um crescimento das virtudes até chegarem a ser perfeitos como o Pai Celeste é perfeito (cfe. Mt 5,48).

E este amor, que Deus abençoa, está destinado a ser fecundo e a realizar-se na obra comum do cuidado da criação: «Deus abençoou-os e disse-lhes: "Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a"» (Gn 1, 28). (Cf. CIC 1604)

A fecundidade do amor conjugal estende-se aos frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que os pais transmitem aos filhos pela educação. Os pais são os principais e primeiros educadores dos seus filhos. Neste sentido, a missão fundamental do Matrimónio e da família é estar ao serviço da vida. (Cf. CIC 1653)

Por amor e obediência o casal passa a desejar não somente encher a Terra, mas também povoar o céu de santos. A exemplo dos Santos Luís e Zelia Martin, como descrito no trecho desta carta de Santa Zelia “Enfim, nada mais nos custava; o mundo já não nos preocupava. Tal era a minha grande compensação; eu também desejei ter muitos filhos para educá-los para o céu”. Com esse testemunho e desejo, veio o fruto. O santo casal, Luís e Zelia, educou uma filha que,  além de santa,  é Doutora da Igreja, Santa Teresinha do Menino Jesus.

Em meio a tantas trevas que rodeiam a sociedade atual, de maneira especial as famílias, o casal criado por amor e para amar deve repetir o “Sim” de Maria, o sim à vida e o sim ao serviço para, finalmente, com essa coragem, fazer que “brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 16).

por Bernardo Arruda Cardoso

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso, COM Barra – RJ (Brasil)

Vocação Sacerdotal: dom de Deus, autoridade que vem do Alto



 “...o sacerdócio é um dom que Eu vos faço...” (Num 18,7) 

O desejo de Deus está inscrito no coração humano já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a si. É o chamado que o homem recebe à comunhão com Deus e esta vocação reflete o aspecto mais sublime da dignidade humana. 

E este convite que Deus dirige ao homem começa com a existência humana (CIC 27). 

O homem provém de Deus e para Deus caminha!  

 Desde o Antigo Testamento Deus chama para uma maior intimidade com Ele alguns dentre outros. Desde a origem Deus se dá a conhecer oferecendo alianças, elegendo Abraão, Moisés, os patriarcas, reis, sacerdotes, falando através de profetas dando-lhes uma investidura de poder para agir e falar em Seu Nome. E quando chegou a plenitude dos tempos lhes falou através de Seu Filho:

“Eu e o Pai somos um ” (Jo 10,30). 

“Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9). 

”Eu que vos falo a verdade que ouvi de Deus” (Jo 8,40).  

“Eu falo o que vi junto de meu Pai” (Jo 8,38). 

”Ele só faz o que vê fazer o Pai, tudo o que o Pai faz, fá-lo também semelhantemente o Filho” (Jo 5,19) 

Investido de poder (“toda a autoridade me foi dada” Mt 28,18) veio para o meio dos homens para redimí-los do pecado e levá-los de volta para o Pai ao preço de seu próprio sangue e de sua própria vida. No Antigo Testamento eram oferecidos sacrifícios e holocaustos pelos pecados dos homens, mas Jesus através de Seu próprio sacrifício na cruz nos conquistou de uma vez para sempre o perdão dos pecados. O sacrifício redentor de Cristo é único, realizado uma vez por todas e torna-se presente no sacrifício eucarístico da Igreja, assim como o único sacerdócio de Cristo torna-se presente pelo sacerdócio ministerial. Cristo é o verdadeiro sacerdote, os outros são seus ministros (CIC 1545). 

Mas Cristo não se atribuiu a si mesmo a glória de ser pontífice. Esta lhe foi dada por aquele que lhe disse: “Tu és meu filho, eu hoje te gerei” (Sl 2,7). E disse também em outra passagem “Tu és sacerdote para sempre segunda a ordem de Melquisedec” (Sl 109,4; Hb 5, 5-6). 

Igualmente ninguém pode conferir a si mesmo a graça, ela precisa ser dada e oferecida. Isto supõe ministros da graça autorizados e habilitados da parte de Cristo. Dele recebem a missão e a faculdade (o “poder sagrado”) de agir “na pessoa de Cristo cabeça” (CIC 875).

“No serviço eclesial do ministro ordenado, é o próprio Cristo que está presente à sua Igreja enquanto Cabeça do seu Corpo, Pastor do seu rebanho, Sumo Sacerdote do sacrifício redentor, Mestre da Verdade. A Igreja o expressa dizendo que o sacerdote em virtude do sacramento da Ordem age “in persona Christi”. Na verdade, o ministro faz as vezes do próprio sacerdote, Cristo Jesus. Se, na verdade, o ministro se assimila ao Sumo Sacerdote por causa da consagração sacerdotal que recebeu, goza do poder de agir pela força do próprio Cristo que representa (“virtude ac persona ipsius Christi”). Cristo é a origem de todo o sacerdócio: pois o sacerdote da Antiga Lei era figura Dele ao passo que o sacerdote da Nova Lei age na sua pessoa” (CIC1548). 

A tradição da igreja chama de “sacramento” este ministério através do qual os enviados de Cristo fazem e dão por dom de Deus o que não podem fazer nem dar por si mesmos (CIC 875). A salvação confiada pelo Pai a seu Filho encarnado é confiada aos apóstolos e através deles aos seus sucessores. Estes recebem o Espírito de Jesus para agir em Seu Nome e na Sua Pessoa (CIC 1120). 

O ministério eclesiástico vai muito mais além de uma simples representação abstrata da autoridade divina porque comunica toda a plenitude da presença concreta do Senhor na igreja e a administração sacramental de Sua graça (Ed encuenho, 1994, PP 187, 189, 191, 194). Santo Tomás de Aquino afirma com muita propriedade que o padre é instrumento de Deus, é ministro de Deus, portanto está revestido da autoridade de Deus para este ofício. 

A vocação, o ato de chamar, nasce da iniciativa divina que chama de maneira irresistível (“Vós me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir ; forçaste-me e venceste” (Jer 20,7). Deus escolhe para a missão aqueles que Ele quer e os reveste de uma ordem sagrada para apascentar a Igreja através de Sua Palavra e da Sua graça instituindo-os seus ministros com a autoridade, o direito e o poder de agir em Seu Nome a favor dos homens. 

Nenhum sacerdote é sacerdote para si!  O sacerdote, por exemplo, quando celebra a Eucaristia, não diz ”Isto é o corpo de Jesus”, mas empresta a sua voz a Cristo, e diz “Isto é o meu corpo” 1. Autoridade que vem do céu, do alto, para administrar e dispensar os bens sagrados e divinos. Chamado que é gratuito, é dádiva, é presente, é dom, porque é conferido àqueles que nada trazem. Procede do Alto, Daquele que tudo têm e a Quem todas coisas estão sujeitas. Santa Margarida Maria de Alacoque revela que uma das promessas do Sagrado Coração de Jesus é que Ele dará  aos sacerdotes o dom de tocar os corações mais endurecidos. 

Deus criou todas as coisas de modo admirável e viu que tudo era muito bom. Depois de tudo criado criou também o homem para viver na Sua intimidade e se entretinha com ele. Mas o homem rompe com essa intimidade; manchado e desfigurado não encontra mais o caminho para voltar. Antes que este homem volte as costas e deixe este estado de paraíso que vivia, Deus acena com a esperança: “Vou ensinar como voltar para casa, sigam os sinais que vocês vão encontrar o caminho de volta”. E através dos tempos “mandou um mapa” (Os Dez Mandamentos), levantou placas, setas e sinais indicadores do caminho (alianças, patriarcas, reis, sacerdotes, profetas).  

Vendo que ainda assim, pela rebeldia e desobediência, o homem estava impossibilitado de voltar, “FALOU” Ele mesmo, mandando o Seu Filho que deixou ”pegadas ensanguentadas” para indicar o caminho para voltar para casa. O Filho antes de voltar por primeiro para casa, chamou a outros para representá-Lo e continuarem conduzindo a humanidade como Ele fazia. Estes outros, dizendo sim com a “ferida do chamado” no coração, emprestam suas vidas, sua voz, suas mãos, seus pés, para que todos os filhos encontrem o caminho e possam voltar para casa. 

A Comunidade Olhar Misericordioso é bem-aventurada por ter um carisma que a convida e até constrange a caminhar muito perto dos sacerdotes, cuidando, apoiando, incentivando, defendendo, rezando, sendo presença em suas vidas. 

O mês de agosto é o mês das vocações e no primeiro domingo celebra-se a vocação sacerdotal. Essa vocação é um dom que Deus concede para a Igreja e para o mundo, pois os sacerdotes recebem autoridade do Alto para que através deles o próprio Deus se faça vivo entre nós. 

“A vocação sacerdotal é um dom de Deus, que constitui certamente um grande bem para aquele que é seu primeiro destinatário, mas é também um dom para a Igreja inteira, um bem para a sua vida e sua missão.  A Igreja é, portanto, chamada a proteger esse dom, a estimá-lo e a amá-lo. É grande a urgência, sobretudo hoje que se difunda e se radique a convicção de que todos os membros da Igreja, sem exceção, têm a graça e a responsabilidade do cuidado pelas vocações (...). No âmbito das comunidades diocesanas e paroquiais, são de estimar e promover aqueles grupos vocacionais cujos membros oferecem seu contributo de oração e sacrifício pelas vocações sacerdotais e religiosas”. (João Paulo II, Exortação Apostólica Pós Sinoidal Pastores dabo nobis, 41). 

O eco dessas palavras de São João Paulo II chegou até o coração do fundador da Comunidade Olhar Misericordioso e por ele, até os nossos corações! Que Deus nos capacite para que nossas pegadas possam ser reflexo da bondade e misericórdia de Deus pelos caminhos aonde Ele nos levar. 

“Tudo por Jesus, Nada sem Maria!”

por Ivana Picada Corrêa 

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso de Santa Maria, RS

CONFISSÃO SACRAMENTAL: CURA, LIBERTAÇÃO E CAMINHO PARA A SALVAÇÃO!



CONFISSÃO SACRAMENTAL: CURA, LIBERTAÇÃO E CAMINHO PARA A SALVAÇÃO!

“Sou amado, logo existo; estou perdoado, por conseguinte renasço para uma vida nova; fui “misericordiado” e, consequentemente feito instrumento da misericórdia.” (Papa Francisco)

Foi o próprio Cristo Jesus que nos deixou essa orientação: “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio. Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados, àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos.” (Jo 20, 22-23). Seus discípulos, hoje nossos sacerdotes, são quem, em Seu nome, tem o poder de perdoar os pecados. Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (1466), o confessor não é o senhor, mas o servo do perdão de Deus.

Foi assim, que Nosso Senhor confiou à Santa Mãe Igreja, o sacramento da Reconciliação, a Confissão, também conhecida como o sacramento “de cura” que nos mergulha no amor misericordioso do Senhor. Somos imersos nas águas do Sacratíssimo Coração de Jesus, doentes e, após a absolvição, “vem para fora” o homem novo, restaurado e curado dos males que o pecado causa em nós.

Da parte do Confessor, a graça sobrenatural acontece pela promessa de Jesus, acrescida ao ministério extraordinário do sacerdócio, com a força das palavras que constituem a fórmula da absolvição: “Deus, Pai de misericórdia, que, pela morte e ressurreição de seu Filho, reconciliou o mundo consigo e enviou o Espírito para a remissão dos pecados, te conceda, pelo ministério da Igreja, o perdão e a paz”. Da parte do penitente, têm-se o arrependimento (ou contrição); a confissão (declaração) dos pecados cometidos ao sacerdote; e o propósito de cumprir a penitência; as obras de reparação. (CIC 1491)

Esse sacramento deve estar sempre presente na vida do cristão, já que somos suscetíveis ao pecado em razão da marca da culpa original que todos carregamos, como bem nos ensina nosso Santo Padre: “Nós somos pecadores e carregamos conosco o peso da contradição entre o que quereríamos fazer e aquilo que, ao contrário, acabamos concretamente por fazer (Rm 7, 14-21); mas a graça sempre nos precede e assume o rosto da misericórdia que se torna

eficaz na reconciliação e no perdão. Deus nos faz compreender o seu amor imenso precisamente à vista da nossa realidade de pecadores. A graça é mais forte e supera qualquer possível resistência, porque o amor tudo vence (1Cor 13,7)” (Papa Francisco). É justamente por isso que o penitente sai um novo homem da confissão sacramental. A pessoa tem um encontro com a misericórdia de Deus, assim como a adúltera (Jo 8,1-11) e a pecadora (Lc 7, 36-50) – a miséria do pecado é revestida pela misericórdia do amor.

Com a prática da busca frequente da confissão sacramental, exercitamos três valiosas virtudes: a obediência, a humildade e a confiança. Ali, o Espírito Santo banha a alma e lhe adorna com os frutos desse trio precioso. A obediência consiste em fazer como Jesus nos deixou e ordenou - a busca da confissão diante de um de seus sacerdotes; a humildade em revelar ao confessor, também pecador, mas autoridade designada por Cristo, as nossas misérias e pecados cometidos; e, por fim, a confiança na misericórdia divina, que nos concede o perdão e nos restitui a graça de voltarmos a ser Seus filhos.

O Papa Francisco, que carrega com impressionante empenho a propagação da misericórdia de Deus, diz que:

O perdão é o sinal mais visível do amor do Pai, que Jesus quis revelar em toda a sua vida. Não há página do Evangelho que possa ser subtraída a este imperativo do amor que chega até o perdão. Até nos últimos momentos da sua existência terrena, ao ser pregado na cruz, Jesus tem palavras de perdão: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” (Lc 23,24). Nada que um pecador arrependido coloque diante da misericórdia de Deus pode ficar sem o abraço de seu perdão. É por este motivo que nenhum de nós pode pôr condições à misericórdia; esta permanece sempre um ato de gratuidade do Pai celeste, um amor incondicional e não merecido. Por isso, não podemos correr o risco de nos opor à plena liberdade do amor com que Deus entra na vida de cada pessoa. A misericórdia é esta ação concreta do amor que, perdoando, transforma e muda a vida. É assim que se manifesta o seu mistério divino. Deus é misericordioso (Ex 34,6), a sua misericórdia é eterna (Sl 136/135), de geração em geração abraça cada pessoa que confia nEle e transforma-a, dando-lhe a Sua própria vida.

 

E ali, diante do sacerdote, o penitente recebe esse abraço do Pai, que já o esperava, de longe o buscava na estrada, e ansioso aguardava sua volta para casa.

Antes do pecado cometido por Adão e Eva, foi revelado o amor de Deus através da criação do mundo e do ser humano, ou seja, o amor precede o pecado, ele é maior e capaz de vencê-lo. Como nos recorda o apóstolo Pedro, “o amor cobre uma multidão de pecados” (1Pd 4,8).

Aos queridos sacerdotes o Santo Padre exorta na Carta Apostólica Misericordia Et Misera: “Por isso lembremos, com paixão pastoral sempre renovada, as palavras do apóstolo: “Tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o ministério da reconciliação (2Cor 5,18). Nós, primeiro, fomos perdoados, tendo em vista este ministério, tornamo-nos testemunhas em primeira mão da universalidade do perdão”.

Que o sacramento da reconciliação retome o seu lugar central na vida do cristão, para que assim o nosso coração se inflame e o coração de pedra possa ser transformado no coração de carne, capaz de amar, não obstante o nosso pecado. É essa a cura que emana do coração do Nosso Senhor na confissão sacramental. Que nossa consciência nos acuse sempre que o pecado se instalar em nossas almas.

Somente a própria pessoa é capaz de identificar a necessidade de buscar a reconciliação por meio desse sacramento. O nosso querido Papa Francisco, declarou que se confessa a cada quinze dias. E nós, com que frequência fazemos nosso exame de consciência e buscamos esse encontro com a misericórdia?

O próprio Jesus nos educa nessa santa prática, quando pede a Santa Faustina: “... não adies o Sacramento da Confissão, porque isso não Me agrada...” (Diário de Santa Faustina 1464). Quando nos aproximarmos deste sacramento, ouçamos as palavras de Jesus à secretária da Misericórdia: Fala Comigo com simplicidade, como entre amigos. Então, diz-me Minha filha, o que te detém no caminho de santidade? (DI 1487).

Peçamos a graça de um encontro com a Misericórdia do Pai através do sacramento da Confissão, como bem descreve a canção:

Quanto eu esperei, ansioso queria te ver

E te falar o que há em mim, já não podia me conter

Me decidi, Senhor, hoje quero rasgar meu viver

E te mostrar meu coração, tudo o que tenho e sou

E por mais que me falem, não vou desistir

Eu sei que nada sou, por isso estou aqui

Mas eu sei que o amor que o Senhor tem por mim

É muito mais que o meu, sou gota derramada no mar

Quanto tempo também o Senhor me esperou

Nas tardes encontrou saudade em meu lugar

Mas ao me ver na estrada ao longe voltar

Num salto se alegrou e foi correndo me encontrar

E não me perguntou nem por onde eu andei

Dos bens que eu gastei, mais nada me restou

Mas olhando em meus olhos somente me amou

E ao me beijar, me acolheu num abraço de pai

Aos que almejam cura, libertação e vida de santidade, ponham-se na estrada, busquem a confissão sacramental e corram para o abraço do Pai.

Uma santa confissão a todos! Tudo por Jesus, nada sem Maria.

 

Marinna Vieira Coelho Faria – membro de aliança da Comunidade Olhar Misericordioso – COM/UNAÍ-MG.

OS CINCO MANDAMENTOS DA IGREJA POR QUE SEGUÍ-LOS?



OS CINCO MANDAMENTOS DA IGREJA

POR QUE SEGUÍ-LOS?

                A Igreja Católica Apostólica Romana foi fundada por Jesus Cristo de acordo com os ensinamentos deixados por Ele. O apóstolo Pedro é a figura de destaque, pois foi através dele que a Igreja começou a ser edificada, conforme narrado em Mateus 16,18.

Vivemos em uma sociedade repleta de leis que regulam os grupos sociais de forma a manter a ordem e o bem-estar comum. De tempos em tempos, conforme o panorama histórico, deparamo-nos com algumas alterações nessas leis, no sentido de adequarem-se às transformações decorrentes da difusão de novas ideias e de novos modos de ser no mundo.

Situada num contexto social enquanto grupo religioso organizado e institucionalizado, a Igreja Católica Apostólica Romana representa um sistema de preceitos dogmáticos, ritos e crenças. Como grupo ela abrange um conjunto de pessoas unidas pela mesma fé e doutrinas religiosas; pessoas que se relacionam simultaneamente com o mundo sagrado e com o mundo profano. Ela desenvolve seus ensinamentos, crenças e credos através de um dinâmico entrosamento entre a Bíblia e a Tradição e tem por objetivo principal propagar o Evangelho de Jesus Cristo.

Todavia, os seus preceitos morais e as suas práticas sagradas não caminham em consonância com determinadas propostas e estilos ditados por uma moral coletiva do mundo profano, que tende a distanciar-se do modelo impresso por Jesus Cristo. Por essa razão, “Compete à Igreja anunciar sempre e por toda parte os princípios morais, mesmo referentes à ordem social, e pronunciar-se a respeito de qualquer questão humana, enquanto o exigirem os direitos fundamentais da pessoa ou a salvação das almas”(CIC 2032).

A Igreja Católica é a mais antiga instituição da humanidade,  no entanto, alguns fiéis católicos não sabem que existem outros importantes Mandamentos, além dos Dez da Lei de Deus que são legislados pela Igreja segundo os poderes dados por Jesus Cristo e cujo principal objetivo é a salvação da humanidade .

Jesus disse aos apóstolos em Lucas 10,16: “Quem vos ouve a mim ouve, quem vos rejeita a mim rejeita, e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou”. E em Mateus 18,18 exortou: “Em verdade, tudo o que ligardes na terra, será ligado no céu, e tudo o que desligardes na terra, será também desligado no céu”. Às palavras de Jesus conclui-se, então, que quem não obedece a Igreja, não obedece ao próprio Cristo e, por consequência, não obedece a Deus Pai.

Conforme o Catecismo da Igreja Católica, número 2041, “ os Mandamentos da Igreja situam-se nesta linha de uma vida moral ligada à vida litúrgica e que dela se alimenta. O caráter obrigatório dessas leis positivas, promulgadas pelas autoridades pastorais, tem como fim garantir aos fiéis o mínimo indispensável no espírito de oração e no esforço moral, no crescimento do amor de Deus e ao próximo”.

A Igreja é mãe, e como tal, conhece a realidade de seus filhos e determina apenas o cumprimento do mínimo necessário em suas obrigações. Contudo, cada um de nós, católicos, tem como responsabilidade fazer mais que o mínimo exigido.

Mas afinal, o que a Igreja fixou para ser feito? Segundo o Catecismo da Igreja Católica, são Cinco os Mandamentos que devem ser observados pelos fiéis:

1 - Primeiro Mandamento: “Participar da Missa inteira aos domingos, de outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho”.

O primeiro Mandamento da Igreja ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor, e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da Santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da Celebração Eucarística, em que se reúne a comunidade cristã , e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias (Código de Direito Canônico - CDC, cân. 1246-1248 e CIC 2042).

Os Dias Santos - com obrigação de participar da Missa são esses, segundo o Catecismo no número 2177: “Devem ser guardados [além dos domingos] o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania (domingo no Brasil), da Ascensão (domingo) e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), de Santa Maria, Mãe de Deus (1.º de janeiro), de sua Imaculada Conceição (8 de dezembro) e Assunção (domingo), de São José (19 de março), dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e, por fim, de Todos os Santos”.

2 - Segundo Mandamento: “Confessar-se ao menos uma vez por ano”.

O Segundo Mandamento assegura a preparação para a Eucaristia pela recepção do Sacramento da Reconciliação, que continua a obra da conversão e perdão do Batismo (CDC, cân. 989).

Confessar-se apenas uma vez ao ano é o mínimo exigido pela Igreja, mas se queremos restabelecer a graça santificante recebida no batismo, torna-se muito mais proveitoso à alma que a confissão seja realizada com mais frequência.

3 - Terceiro Mandamento: “Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição”.

O Terceiro Mandamento garante um mínimo na recepção do Corpo e Sangue do Senhor em ligação com as festas pascais, origem e centro da Liturgia cristã (CDC, cân. 920).

Assim como a confissão, comungar uma vez ao ano é muito pouco. A Igreja sugere (não obriga) a comunhão diária. Uma vez  alimentados do Corpo e do Sangue de Cristo estaremos mais fortalecidos durante a caminhada terrena. Jesus Eucarístico é o alimento da alma!

4 - Quarto Mandamento: “ Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja”.

O Quarto Mandamento determina os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as festas litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (CDC, cân. 882).

O jejum consiste em fazer refeições leves, sem introduzir alimentos no meio dos períodos. Quem desejar e não tiver restrições, poderá fazê-lo com mais rigor (como por exemplo, passar o dia a pão e água) . O jejum é facultado aos idosos com mais de sessenta anos.

O Cânon 1251 do Código de Direito Canônico dá a seguinte orientação acerca do jejum e da abstinência: “Observe-se a abstinência de carne ou de outro alimento, segundo as prescrições da Conferência dos Bispos, em todas as sextas-feiras do ano, a não ser que coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades; observem-se a abstinência e o jejum na quarta-feira de Cinzas e na sexta-feira da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

5 - Quinto Mandamento: “Ajudar a Igreja em suas necessidades”.

O Quinto Mandamento recorda os fiéis que é preciso ir ao encontro das necessidades materiais da Igreja, cada um conforme as próprias possibilidades (CDC, cân. 222).

O Catecismo não estipula que 10% do salário dos fiéis católicos sejam destinados ao dízimo. O importante é que cada um tenha consciência das necessidades da Igreja, sendo sensível às mesmas. “Deus ama aquele que dá com alegria” (2Cor 9,7).

 

É PECADO DESCUMPRIR OS MANDAMENTOS?

É relevante a observância e a obediência aos Cinco Mandamentos, os quais não são conselhos, orientações ou recomendações, mas, sim, leis fundamentadas no poder conferido à Igreja por Jesus Cristo.

“Tentado pelo diabo, o homem deixou morrer no coração a confiança no seu Criador. Abusando da liberdade, desobedeceu ao mandamento de Deus. Nisso consistiu o primeiro pecado do homem. Daí em diante, todo o pecado será uma desobediência a Deus e uma falta de confiança na Sua bondade”. (CIC 397)

                                     por Dionéa da Rocha Corrêa Ramos

                                 Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso – Niterói- RJ (Brasil)                                                                      

 

Fonte: Catecismo da Igreja Católica (CIC) - Edições Loyola, São Paulo, Brasil, 2000.

O Santíssimo Sacramento – importância e valor da Adoração



 

O Santíssimo Sacramento – importância e valor da Adoração

 

“A adoração é, no seu sentido mais profundo, um abraço a Jesus.” (Papa Bento XVI).

“Adorar é escolher o Senhor como centro e via mestra da nossa vida” (Papa Francisco).

Adorar a Deus significa aprender a estar com Ele, demorar-se em diálogo com Ele, sentindo a sua presença como a mais verdadeira, a melhor e a mais importante de todas. Adorar o Senhor quer dizer dar-Lhe o lugar que Ele deve ter, significa afirmar e crer – não apenas por palavras – que Ele é o único que guia verdadeiramente a nossa vida.

A Adoração Eucarística é realmente uma porta aberta para o céu, a felicidade eterna, porque a Eucaristia é Jesus Cristo em Corpo, Sangue, Alma e Divindade.

Quando tomamos a decisão de participar da Adoração Eucarística estamos abrindo a Porta do Céu. Ao adorar Jesus Eucarístico sentimos já aqui na Terra, a alegria de estar no Céu com os anjos e os santos adorando, louvando e glorificando o nosso Deus.

Nossa adoração é uma demonstração de amor Àquele que nos espera dia e noite no sacrário. É “pagar” amor com amor.

Em muitas igrejas costuma-se expor solenemente o Santíssimo Sacramento para Adoração às quintas-feiras, pois foi na véspera de sua Paixão que Jesus convidou os apóstolos para vigiarem com Ele. Mas a esse convite de Jesus, eles dormiram. Nós não podemos agir como agiram aqueles que estavam com o Senhor, e “dormir”. Devemos estar vigilantes. O gesto de adorar, especialmente às quintas-feiras, é uma resposta de amor ao Seu pedido de estar com Ele, muito embora toda e qualquer Adoração Eucarística seja um gesto de amor e de vigilância.

O ideal e desejável é que todas as paróquias tenham Capelas de Adoração Eucarística Perpétua, atendendo assim, o pedido de Jesus de sempre vigiar com Ele.

O amor de Jesus projeta-se, desde o Sacrário, sobre todos os que com fé e amor Lhe fazem visita. No Sacrário, Jesus tem um coração que palpita de amor, tem olhos que nos olham com misericórdia e tem ouvidos que estão sempre prontos para ouvir nossas súplicas. Não O deixemos abandonado! Não percamos tantas bênçãos reservadas aos que O visitam no Santíssimo Sacramento.

Jesus nos espera no Sacrário. Ele quer o nosso coração adorador e cheio de amor. Sua presença se faz viva no Sacrário por nossa causa. Ele é o Alimento Divino e a Vitamina Celestial para nossas almas, e jamais se cansa de nos esperar. Então, vamos ao seu encontro e digamos:

“Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos.

Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não Vos amam.”

Adorar a Eucaristia torna a comunidade cristã autêntica, fervorosa e convencida de que “... a Sagrada Liturgia ocupa o primeiro lugar na vida da Igreja, o Mistério Eucarístico é o coração e o centro da Sagrada Liturgia, constituindo fonte de vida que nos purifica e robustece” (Mysterium Fidei).

O Papa Bento XVI citou a relação estreita que existe entre a Adoração e a missão social: “A adoração fora da Santa Missa prolonga e intensifica o acontecido na mesma celebração litúrgica. Com efeito, somente na adoração pode amadurecer um acolhimento profundo e verdadeiro. E é precisamente neste ato pessoal de encontro com o Senhor que amadurece também a missão social contida na Eucaristia que quer romper as barreiras, não apenas entre Deus e nós, mas também e, sobretudo, as barreiras que nos separam uns dos outros” (Sacramentum Caritatis).

Certa vez, perguntaram à Santa Madre Teresa de Calcutá o que iria converter o mundo, ela respondeu sem vacilar, “a oração” e acrescentou: “Em cada paróquia é preciso orar diante do Santíssimo Sacramento em horas santas de adoração... Num encontro que tivemos com as irmãs pediram que a Adoração ao Santíssimo, que tínhamos uma vez por semana, passasse a ser todos os dias, apesar do enorme trabalho que pesava sobre elas. Essa intensidade de oração diante do Santíssimo tem contribuído para uma grande mudança em nossa congregação. Temos experimentado que nosso amor a Jesus é maior, nosso amor de umas para com as outras é mais compreensivo e tem aumentado muito o número de vocações.”

Doze razões para passarmos uma hora em adoração diante do Santíssimo Sacramento, com base nos ensinamentos da Igreja:

  1. Necessitamos de Jesus!
  2. É um convite pessoal, individual para cada um de nós.
  3. A Eucaristia é o centro da vida.
  4. Nossa Hora Santa com Jesus no Santíssimo Sacramento vai reparar os males do mundo e trazer paz sobre a Terra.
  5. A Eucaristia se conserva nos templos e oratórios como centro espiritual de uma comunidade religiosa ou comunidade paroquial, de toda a Igreja e de toda a humanidade, pois ela contém Cristo, o Redentor do mundo.
  6. Além de participar da Santa Missa, Jesus quer nossa Piedade Eucarística.
  7. Crescemos espiritualmente a cada momento que passamos com Jesus.
  8. O melhor tempo que ‘gastamos’ na Terra é com Jesus, nosso melhor amigo, no Santíssimo Sacramento.
  9. Recebemos de Jesus, exposto no Santíssimo Sacramento, os raios divinos de Sua graça, Seu amor, Sua paz.
  10. Demonstramos nossa fé na Presença Real de Jesus na Eucaristia, Ele permanece escondido na Hóstia Santa, sob a aparência de Pão, porque Ele está nos chamando para a fé.
  11. Pela Sua Misericórdia, Jesus faz do nosso coração um com Ele.
  12. “A Divina Eucaristia dá ao povo cristão uma dignidade incomparável” (Papa Paulo XVI, Mysterium Fidei)

Se ainda nosrestam dúvidas sobre a importância da Adoração Eucarística e a importância de passar um tempo com Jesus na Eucaristia, recordemos que é o próprio Jesus, o nosso melhor Amigo, que nos convida a visitá-Lo. Ele disse tão calorosamente: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.” (Mateus 11,28)

Com humildade, pedimos que Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, Mãe e Modelo dos Adoradores, interceda junto a Seu Filho Jesus para que possamos fazer a experiência do Amor e da Misericórdia de Deus através do Ato de Adoração.

 

por Mariza Gontijo

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso

Brasília – DF (Brasil)

 

 

 

Eucaristia: Instituição e Efeitos



Eucaristia: Instituição e Efeitos

A instituição da Eucaristia - Jesus verdadeiro Cordeiro imolado 

O Apóstolo São João descreveu assim as palavras que JESUS pronunciou na Última Ceia: "Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a Carne do Filho do Homem e não beberdes o seu Sangue, não tereis a vida em vós. Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue tem a vida eterna e EU o ressuscitarei no último dia. Pois a Minha Carne é verdadeira comida e o Meu Sangue, verdadeira bebida. Quem come a Minha Carne e bebe o Meu Sangue permanece em MIM e EU nele". (Jo 6,53-56)

Na véspera da Páscoa judaica Jesus sabia que havia chegado a sua hora. Caía a noite sobre o mundo, sobre os velhos ritos, e os antigos sinais da Misericórdia de Deus para com a humanidade iriam realizar-se plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite, em preparação à Manhã da Ressurreição.

Ao instituir o sacramento da Eucaristia, Jesus antecipa e implica o sacrifício da cruz e a vitória da ressurreição; ao mesmo tempo, revela-Se como o verdadeiro cordeiro imolado, previsto no desígnio do Pai desde a fundação do mundo, como se lê na I Carta de Pedro (1, 18-20). Ao colocar o dom de Si mesmo neste contexto, Jesus manifesta o sentido salvífico da sua morte e ressurreição, mistério este que se torna uma realidade renovadora da história e do mundo inteiro. Com efeito, a instituição da Eucaristia mostra como aquela morte, por si violenta e absurda, se tenha tornado, em Jesus, ato supremo de amor e libertação definitiva da humanidade do mal, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste sacramento admirável, manifesta-se o amor  maior, o amor que leva a  dar a vida pelos amigos  (Jo 15, 13). De fato, Jesus  amou-os até ao fim  (Jo 13, 1).

“FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM”. O Mandamento de Jesus para repetir seus gestos e palavras até a sua volta, não é somente para nos recordarmos do que Ele fez. É para a celebração litúrgica de sua vida, morte e ressurreição,  e de sua Intercessão única e exclusiva pela nossa salvação.

 

A Eucaristia e o Espírito Santo

A Igreja, Esposa de Cristo, é chamada a celebrar o banquete eucarístico dia após dia em sua memória. Deste modo, ela insere o sacrifício redentor do seu Esposo na história dos homens e o torna sacramentalmente presente em todas as culturas. Este grande mistério é celebrado nas formas litúrgicas que a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, desenvolve no tempo e no espaço.

Jesus Cristo é concebido no seio da Virgem Maria por obra do Espírito Santo (Mt 1, 18; Lc 1, 35). Mais tarde, será o Espírito que ensina aos discípulos todas as coisas, recordando-lhes tudo o que Cristo tinha dito (Jo 14, 26), porque compete a Ele, enquanto Espírito da Verdade (Jo 15, 26), introduzir os discípulos na verdade total (Jo 16, 13).

Segundo narrado em Atos, o Espírito desce sobre os Apóstolos reunidos em oração com Maria no dia de Pentecostes (At 2, 1-4), impelindo-os à missão de anunciar a boa nova a todos os povos. Portanto, é em virtude da ação do Espírito que o próprio Cristo continua presente e ativo na sua Igreja a partir do seu centro vital que é a Eucaristia. Espírito Santo e celebração eucarística.

Neste horizonte, compreende-se a função decisiva que tem o Espírito Santo na celebração eucarística e, de modo particular, no que se refere à transubstanciação. O que o Espírito Santo toca é santificado e transformado totalmente. É extremamente necessária, para a vida espiritual dos fiéis, uma consciência mais clara da riqueza que são as palavras pronunciadas por Cristo na Última Ceia e repetidas pelo sacerdote a cada Celebração Eucarística. Elas contém a epiclese, que é uma invocação ao Pai para que faça descer o dom do Espírito a fim de que o pão e o vinho se tornem o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, e também para que toda a comunidade se torne cada vez mais o seu Corpo. O Espírito, invocado pelo celebrante sobre os dons do pão e do vinho colocados sobre o altar, é o mesmo que reúne os fiéis  num só Corpo , tornando-os uma oferta espiritual agradável ao Pai.

 

A Eucaristia e a Igreja

A Eucaristia é o coração e o ápice da vida da Igreja. Nela, Cristo associa sua Igreja e todos os seus membros ao sacrifício de louvor e de ação de graças por Ele oferecido uma vez e por todas, na cruz a seu Pai. Por seu sacrifício Cristo derrama as graças da salvação sobre o seu Corpo, que é a Igreja.

De fato, o próprio Cristo, no sacrifício da cruz, gerou a Igreja como sua Esposa e seu Corpo. Com efeito, a Igreja  vive da Eucaristia, celebrando e adorando o mistério de Cristo que está presente nela, precisamente porque Ele próprio deu-se primeiro a ela no sacrifício da Cruz.

A Eucaristia é, pois, constitutiva do ser e do agir da Igreja, o Corpo nascido da Virgem Maria, o Corpo Eucarístico e o Corpo Eclesial de Cristo. Na Tradição este dado faz crescer em nós a consciência da indissolubilidade entre Cristo e a Igreja.

É significativo o modo como a Oração Eucarística II, ao invocar o Paráclito, formula a prece pela unidade da Igreja: ”participando no Corpo e Sangue de Cristo, sejamos reunidos pelo Espírito Santo num só corpo”. Esta passagem ajuda a compreender a eficácia do sacramento eucarístico como a unidade dos fiéis em comunhão com a Igreja.

 

Os Efeitos da Eucaristia

O efeito deste Sacramento deve ser considerado pelo modo através do qual ele é trazido aos homens, como comida e bebida. Ou seja, todo efeito que a bebida e a comida material realizam quanto à vida corporal, isto é, sustentar, crescer, reparar e deleitar, tudo isto realiza este Sacramento quanto à vida espiritual. Por isto se diz, "Este é o pão da vida eterna, pelo qual se sustenta a substância de nossa alma" e de onde o próprio Senhor diz no Evangelho de São João: "Minha carne é verdadeiramente comida, e meu sangue é verdadeiramente bebida".

Este Sacramento, como espécie de alimento nutritivo, também tem virtude para a remissão dos pecados veniais. A nutrição proveniente do alimento é necessária ao corpo para restaurar aquilo que em cada dia é desperdiçado pelo calor natural. Espiritualmente, porém, em nós também é desperdiçado a cada dia algo pelo calor da concupiscência pelos pecados veniais, que diminuem o fervor da caridade. Por isto compete a este Sacramento a remissão de tais pecados. Este efeito pode ocorrer tanto por ele ser sacrifício, como por ser sacramento.

A Eucaristia possui razão de sacrifício na medida em que é oferecido, e possui razão de sacramento na medida em que é tomado. Santo Ambrósio diz, no livro Dos Sacramentos, que este pão de cada dia é tomado "como remédio da enfermidade de cada dia".

Os que recebem a Eucaristia estão unidos mais intimamente a Cristo. Por isso mesmo, Cristo une todos os fiéis num só corpo, a Igreja. A Comunhão renova, aumenta, fortalece, aprofunda a incorporação dos fiéis à Igreja, realizada já pelo batismo. (CIC 1396). No batismo fomos chamados a construir um só corpo (1Cor 12,13).

Como o alimento corporal serve para restaurar a perda das forças, a Eucaristia fortalece a caridade que, na vida diária, tende a arrefecer; e esta caridade vivificada apaga os pecados veniais (Concilio de Trento, DS 2638; CIC nr. 1394). Ao dar-se a nós, Cristo reativa o nosso amor e nos torna capazes de romper as amarras desordenadas com as criaturas e de enraizar-nos nele.

Pela mesma caridade que acende em nós, a Eucaristia nos preserva dos pecados mortais futuros. Quanto mais participarmos da vida de Cristo e quanto mais progredirmos na sua amizade, tanto mais difícil será dele nos separar pelo pecado mortal. (CIC 1395)

A Eucaristia é o penhor da glória junto de Cristo. A participação no Santo Sacrifício nos identifica com o seu coração, sustenta as nossas forças ao longo da peregrinação desta vida, faz-nos desejar a vida eterna e desde já nos une à Igreja do Céu,  à Santa Virgem Maria e a todos os santos.

A Igreja recomenda aos fiéis que recebam a Santa Comunhão quando participam da Celebração Eucarística, sendo obrigação comungar ao menos uma vez por ano. Quem quer receber a Cristo na Comunhão Eucarística deve estar em estado de graça. Se alguém tem consciência de ter pecado mortalmente, não deve comungar sem ter recebido previamente a absolvição no sacramento da penitência (CIC 1415 ). “Quem está em pecado mortal comete sacrilégio ao receber a Eucaristia, porque há duas coisas sacramentais na Eucaristia. A primeira, significada e contida, é o próprio Cristo; a segunda, significada mas não contida, é o Corpo Místico de Cristo, isto é, a sociedade dos santos. Quem quer que, pois, receba este Sacramento, só por isto significa estar unido a Cristo e aos seus membros. Ora, isto se realiza pela fé formada pela caridade, que ninguém pode possuir juntamente com o pecado mortal. E por isto é manifesto que quem quer que receba este Sacramento em pecado mortal comete nele falsidade. Incorre, por este motivo, em sacrilégio, como violador do Sacramento. Peca, por causa disto, mortalmente”. (Suma Teológica – São Tomas de Aquino)

“O pecador que recebe o Corpo de Cristo pode ser comparado, quanto à semelhança do crime, a Judas que beijou Cristo, porque ambos ofendem a Cristo sob um sinal de caridade.” (Suma Teológica – São Tomás de Aquino)

“Maravilhoso é este Sacramento em que uma inefável eficácia inflama os afetos com o fogo da caridade. Que revigorante maná é aqui oferecido para o viajante! Ele restaura o vigor dos fracos, a saúde para os doentes, confere o aumento da virtude, faz a graça superabundar, purga os vícios, refresca a alma, renova a vida dos aflitos, vincula uns aos outros todos os fiéis na união da caridade. Este Sacramento da fé também inspira a esperança e aumenta a caridade. É o pilar central da Igreja, a consolação dos que falecem, e o acabamento do Corpo Místico de Cristo. A fé amadurece, e a devoção e a caridade fraterna são aqui saboreadas. Que estupenda provisão para o caminho é esta, que conduz o viajante até à montanha das virtudes! Este é o pão verdadeiro que é comido e não consumido, que dá força sem perdê-la. É a nascente da vida e a fonte da graça. Perdoa o pecado e enfraquece a concupiscência. Os fiéis encontram aqui a sua refeição, e as almas um alimento que ilumina a inteligência, inflama os afetos, purga os defeitos, eleva os desejos. Ó cálice de doçura para as almas devotas, este sublime Sacramento, ó Senhor Jesus, declara para os que crêem Tuas maravilhosas obras”. (Suma Teológica – São Tomás de Aquino)

 

Conclusão

Quantos santos tornaram autêntica a própria vida graças à sua piedade eucarística!

Na Eucaristia está a origem de toda a forma de santidade, sendo cada um de nós chamado à plenitude de vida no Espírito Santo. Todo o mistério de Deus está na Eucaristia, que é o sacramento completo. Todos os outros estão voltados para ela.

A Eucaristia é o chamado à conversão e a oportunidade para reconciliação com Deus e remissão dos pecados. Na Santa Missa participamos do banquete eucarístico, que é o próprio sacrifício do Senhor. Portanto, ao participamos de uma Celebração Eucarística a nossa alma é banhada pelo Sangue de Jesus. Concentre-se na Consagração, momento em que o Senhor se entrega ao Pai por você!

Quando estamos indo à Missa podemos dizer, “Jesus vai me amar como ninguém me ama. Ninguém tem a coragem de fazer o que Jesus, na missa, faz por mim, sofrer por meu amor”.

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14,6).

 

Eduardo DÁvila

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso

Rio de Janeiro, localidade “Zona Sul”

 

REFERÊNCIAS:

PAPA BENTO XVI  [2007] - Exortação Apostólica – Sacramentum Caritatis  

PAPA JOÃO PAULO II [2003] - Carta Encíclica – Ecclesia de Eucharistia

 SÃO TOMÁS DE AQUINO [1265 - 1273] – Suma Teológica IIIa. Pars Qs. 79-80 - Sermão sobre o Corpo do Senhor  

Catecismo da Igreja Católica , (1322 – 1419)

Site Fiel Católico – Revista de Teologia, Catequese e Doutrina http://www.ofielcatolico.com.br/2001/03/o-santissimo-sacramento-da-eucaristia.html 

A importância de Maria, seus títulos e aparições



Na história de Jesus, desde sua vinda ao mundo, Maria teve um papel fundamental como sua mãe, apoiadora, companheira.

Jesus fez tudo através de sua genitora: por ela Cristo veio ao mundo, concedendo-Lhe a natureza humana necessária para cumprir sua missão de salvação na terra. Por Maria, Jesus foi para o Egito para fugir da fúria de Herodes e se proteger. Por Maria, Ele deu início aos seus milagres quando nas bodas de Canaã da Galileia a mãe lhe comenta a falta de vinho e diz aos serventes, “Fazei o que Ele vos disser” (cfe Jo 2,3-5).

Maria acompanhou o Filho por todo o calvário e sofreu com Ele as dores da crucificação. Ela fez da redenção de Jesus sua missão.  Aos pés da cruz Maria foi oferecida por Jesus para ser nossa Rainha Espiritual e diante do Pai, Ele nos fez filhos de sua Mãe.

Ninguém mais que Maria se envolveu de forma tão pura e sublime com o Senhor em sua obra de salvação da humanidade. É por isso e por todas as suas virtudes que ela mereceu a glória da Assunção ao Céu, permanecendo em seu esplendor como Mãe de Misericórdia dos vivos.

Elevada aos céus, nossa mãe prosseguiu sua história benevolente para deixar sua mensagem de amor aos homens por todos os tempos.

“O papel de Maria para com a Igreja é inseparável de sua união com Cristo, decorrendo diretamente dela (dessa união). Esta união de Maria com seu Filho na obra da salvação manifesta-se desde a hora da concepção virginal de Cristo até sua morte... Após a ascenção de seu Filho, Maria assistiu com suas orações a Igreja Nascente. Reunida com os apóstolos e algumas mulheres, vemos Maria pedindo, também ela, com suas orações, o dom do Espírito, o qual, na Anunciação, a tinha coberto com a sua sombra.” (CIC 964 e 965).

“...Assim como no Céu, onde está glorificada em corpo e alma, a Mãe de Deus representa e inaugura a Igreja em sua consumação no século futuro, da mesma forma nesta terra, enquanto aguardamos a vinda do Dia do Senhor, ela brilha como sinal de esperança segura e consolação para o povo de Deus em peregrinação.” (CIC 972).

A Mãe de Jesus só tem um nome: Maria, do hebraico Miriam, como foi dito por São Lucas ao narrar a aparição do arcanjo Gabriel na escolha da Mãe do Salvador, "e o nome da Virgem era MARIA" (Lc 1, 27). Os outros nomes que surgiram ao longo dos anos, e que aclamamos Nossa Senhora, não são exatamente nomes, mas títulos.

São centenas (mais de 1100) os títulos pelos quais Nossa Senhora é conhecida, invocada, venerada e amada. Vale lembrar, no entanto, que todos correspondem à mesma pessoa, porque só há uma Nossa Senhora, Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.

A nobreza de Maria justifica a existência de tantos títulos que fazem parte do cumprimento da profecia que encontramos no Evangelho de Lucas 1, 48: “E todas as gerações me proclamarão bem-aventurada”.

Alguns títulos de Maria:

. Devido a seus privilégios, que revelam sua pessoa e missão: Nossa Senhora da Imaculada Conceição, porque fora concebida sem mancha do pecado original; Nossa Senhora Mãe de Deus, porque concebeu Nosso Senhor através do poder do Espírito Santo; Nossa Senhora da Assunção, porque sendo isenta de pecado e por ser mãe de Deus, foi elevada ao céu em corpo e alma.

. Devido a fatos históricos em sua vida: Nossa Senhora de Nazaré, Nossa Senhora de Belém, Nossa Senhora da Anunciação, Nossa Senhora da Visitação.

. Devido às virtudes com que foi adornada: Nossa Senhora Rainha da Fé; Nossa Senhora do Bom Conselho.

. Devido aos lugares onde ela é honrada conforme suas aparições ou outras intervenções: Nossa Senhora de Fátima; Nossa Senhora Aparecida; Nossa Senhora da Vitória, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora de Guadalupe.

Entre as aparições marianas que contam com o reconhecimento da Santa Sé, encontra-se a da Virgem de Guadalupe, no México, fato ocorrido em 1531, a de Nossa Senhora de Siluva, na Lituânia (1608), a Virgem da Medalha Milagrosa, na França (1830), Nossa Senhora de Sión em Roma, Itália (1842), a Virgem de La Salette (1846) e Lourdes (1858) na França, Nossa Senhora de Gietzwald na Polônia (1877), a Virgem de Fátima, Portugal (1917), e a Mãe do Mundo de Kibeho, Rwanda (1981), para mencionar algumas.

Em suas aparições, como em Fátima - Portugal, Maria pede por orações, arrependimento e sacrifício e o abandono do pecado de forma generalizada. Nossa Senhora ressalta, em cada uma de suas aparições, a importância da oração do Rosário todos os dias com pedidos pela paz no mundo.

Outra parte fundamental da Mensagem de Fátima é a devoção ao Imaculado Coração de Maria, que está terrivelmente ultrajado e ofendido pelos pecados da humanidade, representado por espinhos que o cercam e o penetram.  Nossas orações sacrifícios servem como reparação a esses ultrajes e consolam o coração de Maria.

A Igreja Católica, no entanto, sempre foi muito prudente diante desses acontecimentos que envolvem as aparições de Maria. O Vaticano reconheceu apenas 16 delas e 28 contam com a aprovação secundária dos Bispos locais.

O Catecismo da Igreja Católica justifica essa prudência pelo que chama de "revelações privadas", algumas dessas revelações reconhecidas pela autoridade da Igreja mas que não pertencem ao Depósito da Fé.

A função dessas revelações não é de ‘melhorar’ ou ‘completar’ a Revelação definitiva de Cristo, mas a de ajudar a vivê-la mais plenamente em uma certa época da história, nos lembrando que temos que mergulhar na Palavra e exercitá-la de acordo com o que Cristo nos ensinou.

Guiado pelo Magistério da Igreja, o sentir dos fiéis (sensus fidelium) sabe discernir e acolher o que nestas revelações constitui uma chamada autêntica de Cristo ou de seus Santos à Igreja.

Dessa forma, cabe a nós fiéis abrirmos nossos ouvidos ao testemunho das aparições marianas segundo o critério da Santa Igreja, para uma autêntica “renovação dos costumes e um vigoroso crescimento na fé.”

 

por Vania Veríssimo

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso

Teresópolis, RJ

Maria, Mãe de Deus e nossa mãe!



Maria é Mãe de Deus! Essa verdade foi declarada pelo Concílio de Éfeso em 431, onde Maria recebeu o nome de Theotokos, palavra que vem do grego e significa exatamente Mãe de Deus.

Anos antes, por volta de 428, não era isso que afirmava Nestório, Patriarca de Constantinopla e famoso bispo orador sacro da época. Este defendia e ensinava que Maria era apenas mãe de Cristo (homem), afirmando que parecia absurdo o Criador de todas as coisas ter uma criatura como mãe. Porém na mesma época viveu Cirilo, Patriarca de Alexandria, bispo que afirmava que existindo um só Cristo, embora com duas naturezas inseparáveis, Maria era tão mãe de Cristo Homem como mãe de Cristo Deus. Ou seja, a maternidade de Maria era não só humana mas também divina, ela é a verdadeira Theotokos, a Mãe de Deus.

Maria não é apenas a Mãe de Deus, ela também é nossa Mãe, pois assim nos confiou o Filho às mãos de Maria, sua amada Mãe: “Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: ‘Mulher, eis aí teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Eis aí tua mãe’. E dessa hora em diante o discípulo a recebeu como sua.” (Jo 19, 26-27)

Como cristãos e discípulos de Jesus, Maria é também nossa Mãe. A Mãezinha que muito nos ama e que intercede por nós, aquela que nunca deixa de nos acolher. Maria nos mostra porque é a escolhida para ser a Mãe de Deus ao anunciar a Jesus o motivo de Seu primeiro milagre público: “Três dias depois, celebrava-se bodas em Caná da Galileia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: ‘Eles já não têm vinho’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou’. Disse, então, sua mãe aos serventes: ‘Fazei o que ele vos disser’”. (Jo 2, 1-5)

Como não acolhermos com amor aquela cuja vida foi constantemente “SIM” a vontade de Deus?

Da mesma forma que Cristo veio aos homens por Maria, vamos ao coração de Jesus também por ela. Porta do Céu, ventre Santo, refúgio dos pecadores, intercessora para a vida de santidade, modelo e exemplo que devemos seguir para concretizarmos com amor o que Deus nos designa.

Quando Jesus consagra a Maria o discípulo amado, consagra também toda a humanidade e todos os filhos que Deus lhe concederia a partir de seu sim.

E como filhos, devemos amá-la, confiar em suas mãos a nossa vida, caminhada e planos, pois a mãe não quer o mal para seus filhos. Ela nos conduzirá pelo caminho seguro, cobrindo-nos com seu manto sagrado; poderosa e imaculada, modelo de obediência, serviço e doação.

A Mãezinha não tenta ocupar o lugar de Deus. Ao contrário disso, ela nos ensina sua humildade e o importante papel que tem em nossas vidas que é o de nos levar ao coração de Jesus Cristo: “Fazei o que Ele vos disser”.

Maria é nossa Mãe e continua a nos acolher. Com o mesmo amor que cuidou de Jesus, ela vem cuidar de nós. Em vários momentos da história, mesmo depois de sua assunção, ela voltou a nos visitar pessoalmente através de suas diversas aparições, como uma verdadeira Mãe que nos quer cuidar e que nos quer bem.

Deus não nos deixou orfãos de Mãe. Ele nos deu e nos consagrou à Sua própria, a Mãezinha do Céu, umas das maiores dádivas dadas por Jesus a nós pecadores.

Portanto irmãos, não tenhamos medo de nos abandonar nas mãos da Mãezinha. Deixemos que ela cuide de nós, confiemos em sua maternidade e rezemos: "Sob teu amparo nos acolhemos Santa Mãe de Deus. Não desprezes nossas súplicas nas necessidades, antes, bem livra-nos sempre de todos os perigos, Oh, Virgem gloriosa e bendita!"

por Guilherme Ferreira Ribeiro

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso - Araguari, MG

A Mais Bela História de Amor



Nosso Deus, um Deus de Amor, de Poder, Glória e Majestade! 

Um Deus capaz de abrir o mar e fazer passar com os pés enxutos seu povo escolhido! 

Um Deus capaz de fazer brotar água da rocha em pleno deserto! 

Um Deus capaz de fazer chover alimento do céu, aonde sequer chovia! 

Um Deus capaz de fazer homens, em meio a fornalha ardente, não serem consumidos! 

Um Deus de feitos grandiosos!  

Um Deus de poder, cuidado, providência e amor a todos que O amam (cfe. Rm 8,28). 

Um Deus que gerou o homem a sua imagem e semelhança para ser livre! Livre, para assim, escolher amá-Lo e para por Ele ser amado e estar sob sua proteção, desde sempre e para sempre!  

Um Deus misericordioso para com os misericordiosos: “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos" (Ex 20,6). 

Um Deus que queria ter os homens em sua companhia todos os dias, como era no início... 

Mas seus servos, homens versados na lei a quem o Senhor confiou o seu povo, julgavam-se cheios de sabedoria e conhecimento. Desconheciam o que Deus desejava. Porém, Deus lhes revelou o que desejava: "Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos" (Os 6,6).  

Servos cheios de sua própria sabedoria, que não conheciam o verdadeiro Deus de Israel, não conheciam o Seu coração e faziam a muitos de seus amados filhos se perderem. Reduziram o amor a Deus a ritos, holocaustos, sacrifícios e oferendas, que passava a falsa condição de estarem vivendo segundo a vontade de Deus. Mas Deus seguia lhes revelando o que desejava: "De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor. Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes" (Is 1,11). Seus servos não haviam compreendido que a alegria de Deus estava no cumprimento e na obediência de sua Palavra.  

E Deus se lança em busca de um coração que O conheça e que confie em sua eterna proposta de amor. Um coração que se coloque como servo para lhe auxiliar a fazer a humanidade conhecer o verdadeiro “Eu Sou!”. Um coração de criatura, servindo a seu Deus. 

Procurando por todos os cantos do mundo encontrou, em uma pequenina cidade da Galiléia chamada Nazaré, este coração que, mesmo sendo muito jovem, encontrou graça diante de Deus. Era um coração que já amava o coração do seu Senhor, que já conhecia o verdadeiro Deus de Israel. Seu nome era Maria. 

Na simplicidade e humildade de Maria, Deus fez sua morada e ali habitou. Nela, via realizado o seu desejo de viver todos os dias na companhia de sua criatura e tinha a certeza de ter encontrado a formadora do novo pastor, aquele que seria segundo o seu coração, aquele que não seria corrompido. Aquele que seria sua voz, seu olhar, seu amor e sua justiça!  

Deus sabia que finalmente o seu amor marcaria para sempre nossas vidas. Ele veio de Maria  para nos tirar das trevas e nos fazer enxergar a luz da eternidade. E o verbo se fez carne, seu nome é Jesus!  

Não há mais razão para ficarmos tristes ou viver amargurados, pois Deus está conosco no meio de nós e luta por nós. “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). 

Jesus, em sua condição divina e humana é a ponte que reconduz o homem de volta para Deus! Ele é o único capaz de ligá-lo ao Pai fazendo-se companheiro, luz e guia em todos os momentos de sua vida.  

Em Cristo, Deus se revela como realmente Ele é. De uma forma nova vem ao encontro de seu povo em seu próprio Filho e revela a sua face. Nas palavras de Jesus, Deus revela suas palavras, em sua justiça, Cristo revela a justiça de Deus e em sua misericórdia revela-se a salvação do homem, o verdadeiro olhar de Deus que cura e liberta; o verdadeiro amor que traz nova vida. Salvador anunciado, desejado e esperado por todos os profetas! 

Jesus veio para fazer a vontade de Deus e para nos ensinar a cumprir os seus mandamentos: "Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos" (Jo 14,15). Temos agora no meio de nós o Filho de Deus que nos ensina a fidelidade e nos pede cumprir a vontade do Pai tal como Ele fez. Jesus, Homem Santo e irrepreensível. Por esta condição, o único capaz de pagar o preço dos pecados de toda a humanidade. 

Mas sua proposta de amor através da cruz, não foi entendida. Não entenderam que seu sacrifício, sua humilhação e morte apagaram as culpas da humanidade. Nele não havia pecado, mas por Ele morreram os pecados do homem. 

Para os que não crêem é loucura aceitar que a salvação possa vir de alguém que morreu de uma forma tão humilhante. Que poder Jesus teria para salvar a humanidade? Como pode a Cruz, símbolo de maldição reservada aos piores, ser símbolo de libertação? 

Mas Deus faria novas todas as coisas através de seu filho Jesus. A vida venceria a morte, a morte traria a vida! 

A obediência e a humildade de Jesus nos dá o exemplo a ser seguido para que possamos encontrar graça diante de Deus. Jesus veio para mostrar que os pensamentos de nosso Deus são muito maiores que os nossos e que a sabedoria divina vai muito além da nossa. Deus usou as coisas loucas, para confundir as sábias: “Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que nada são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele.” (1 Cor 1,27-29). 

A mensagem da Cruz impressiona, pois em todo o antigo testamento ela já vinha sendo anunciada. Isaías profetizou a respeito da agonia do Salvador (Isaias 53), porém Jesus, o Salvador anunciado, foi rejeitado e crucificado por aqueles que “mais conheciam” as escrituras, a quem mais lhes havia sido confiado. 

Como podem os teólogos e doutores da época, que conheciam as profecias, não reconhecerem que Jesus era o Messias? Consideravam-se tão sábios que foram confundidos em sua própria sabedoria. Não conseguiram identificar a maior profecia de todas. Não buscavam  o discernimento espiritual e muito menos tinham um coração quebrantado para ver que era chegado o tempo do cumprimento da promessa de Deus para o seu povo. 

A promessa se cumprira e a maioria das pessoas que caminharam com Jesus eram pessoas humildes e sem muito conhecimento, mas que entenderam a loucura de sua pregação, a loucura da cruz: “Porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”.  (1 Cor 1, 22-23) 

Neste tempo de profunda reflexão e mudança de vida, já paramos para nos perguntar por quantas vezes não reconhecemos a Deus por não entendermos suas ações? Quantas vezes lhe pedimos sinais e queremos entendê-lo de uma forma lógica? 

O sacrifício de Jesus na Cruz não tem explicação, pois Deus não se explica! 

Como um homem pode entender um Deus que deixa seu reino, seu trono e sua divindade por um povo desobediente e pecador? Foi assim que Deus decidiu salvar ao mundo.  

Muitos não entendem que Jesus tomou o nosso lugar na Cruz. Foi por nós, pelos nossos pecados em nossa desobediência, que Ele foi crucificado. 

Loucura para os que não crêem e salvação eterna para os que crêem: assim é o nosso Deus! 

Jesus lhe pergunta hoje: Quem dizeis que eu sou? (cfe Mt 16,15).  

Que nosso coração encontre graça diante de Deus, como o de Maria, e assim possamos afirmar, como Pedro, “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16) que ouviu de Jesus: "Feliz és tu, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus." (Mt 16,17). 

Que ressuscitemos com Jesus com um novo coração. Um coração rendido à graça de Deus, que confia e espera sempre Nele! 

Que ressuscitemos com Jesus com um novo olhar. Um olhar que nos conceda sempre vê-Lo em nossos irmãos! 

Que tenhamos uma Feliz Páscoa na providência do Senhor, repletos de coisas boas e novas! 

Mateus Henrique Turba 

Membro de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso - Santa Maria RS 

A tentação de Cristo aplicada a nossa vida comum



Jesus foi tentado para nos ensinar a passar por provações e tentações. Ele derramou o Seu precioso Sangue para nos resgatar do inimigo. Como passar por essa vida indiferente a tanto Amor?

 

Como narra a Sagrada Escritura, após ser batizado no Rio Jordão, e cheio do Espírito Santo (cf. Mt 3,13-17), Jesus foi conduzido para o deserto onde lá, por quarenta dias, foi tentado pelo demônio (cf. Mt 4,1-11). 

 

Pelo Sacramento do Batismo passamos a fazer parte da família de Deus e por ele “somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus, tornamo-nos membros de Cristo, somos incorporados à Igreja e feitos participantes de sua missão” (CIC 1213). Tal como Jesus, depois de atravessarmos as águas do nosso Batismo e recebermos a graça deste Sacramento, muitos combates deveremos travar por misteriosa permissão divina. "Não só Cristo foi levado pelo Espírito ao deserto, mas o são também todos os filhos de Deus, que têm o Espírito Santo. Estes não se contentam em ficar ociosos, mas o Espírito Santo os urge a empreender grandes obras; e isso, para o diabo, é estar no deserto, onde não há a injustiça com que ele se compraz." [1]. 

 

Renunciar a satanás e crer em Cristo são pontos fundamentais na vida de um cristão. Por esta profissão de fé, quanto mais nos aproximamos de Deus em busca da santidade através da nossa conversão diária, mais somos tentados. Como bem nos adverte nosso Fundador, Padre Alexandre Paciolli, estejamos preparados para as batalhas e provações do inimigo, pois o tentador não  sossega por perder almas. Ou ainda, citando São João Maria Vianney – o Cura d’Ars, "O demônio só tenta aqueles que querem sair do pecado e aqueles que estão em estado de graça. Os outros já lhe pertencem, não precisam de ser tentados."

 

O demônio não se conforma e não tem outra intenção a não ser a de nos afastar de Deus, tal como insistiu com Jesus no deserto. Porém, como filhos muito amados do Pai, o Senhor tem um plano de salvação para nós, mas que nem sempre nos livra das provações. Arriscamos dizer, inclusive, que elas são um presente de seu amor por nós, seus filhos, pois nos possibilitam exercitar a fé e purificá-la: "Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação. Põe tua confiança em Deus e ele te salvará; orienta bem o teu caminho e espera nele..." (Eclo 2,1-6).

Por meio de provas a nossa fé é lapidada, levando-nos a uma efetiva participação do projeto de Deus. Aderir ao seu projeto é responder positivamente ao seu chamado tal como fez Maria, que disse um ‘sim’ cheio de confiança e decidido a participar progressivamente da vida divina.

 

Com os exercícios a que nossa fé é submetida e as asceses que praticamos, ao vencermos as nossas provações em Cristo, saímos sempre mais fortalecidos, e somos conduzidos pelo Espírito Santo a buscar águas mais profundas que nos levem a nossa salvação e a de nossos irmãos, pois ninguém se salva sozinho.

Devemos desejar ardentemente a salvação de todas as almas, lutando incansável e especialmente por aquelas que mais próximas estão de nós.

 

O Senhor em sua infinita bondade e misericórdia, muitas vezes não nos livra das provações, mas vive cada uma delas conosco, pois conhece as nossas debilidades e nunca nos abandona.

Quando Ele se deixou conduzir ao deserto para ser tentado pelo diabo, foi para que com o seu exemplo, nós, nos desertos de nossa vida, também vencêssemos as nossas provações com Ele por meio do jejum, da penitência, da oração, da caridade e da escuta fiel de Sua Palavra. Disse Santo Agostinho: "Procurai preencher com deleites espirituais o vazio dos desejos da carne: leituras, orações, salmos, bons pensamentos, prática frequente de boas obras, esperança no mundo futuro e um coração inflamado no amor de Deus." 

 

Como grande aliada no processo de santificação, contamos com a sabedoria da nossa santa mãe Igreja. Sim, Mãe, pois fomos gerados no seu ventre pelo Batismo e nela somos alimentados pelos Sacramentos. A Igreja nos dirige e nos ajuda como comunidade no caminho da salvação concedendo-nos um tempo muito propício e necessário para a nossa purificação, a Quaresma: “Todos os anos pelos quarenta dias da Grande Quaresma, a Igreja se une ao mistério de Jesus no deserto" (CIC 540), para que como Cristo, após esses dias de lutas intensas, alcancemos um dia à glória da Ressurreição.

 

Assim, colocando em prática os ensinamentos do Senhor, seremos infalivelmente vitoriosos, pois Deus é fiel as suas promessas. Se as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja (cf. Mt 16, 18), nós, unidos a Cristo pela fé e pelas obras, não conheceremos o fracasso, pois Ele é o nosso amparo, auxílio e refúgio contra as tentações do mundo. Mas, se ainda assim, com toda orientação, oração e vigilância nós  cairmos, não devemos nos angustiar. Como disse São João Paulo II, “santo não é aquele que não cai, santo é aquele que mesmo caindo, não desiste de se levantar”.  Busquemos o sacramento da Reconciliação que nos resgata e nos traz de volta aos braços do Pai. Façamos uma boa confissão, retomemos os esforços em busca da santidade e sigamos em frente, tal como agiram todos os santos. Deus nos prova justamente para que façamos a decisão pelo ‘sim’ ao seu chamado. Em cada provação, tentação, sofrimento ou queda, Deus nos dá a graça da perseverança quando decidimos não desistir. A sua graça vem como consequência da nossa escolha. 

 

Que esta Quaresma de 2017 não seja apenas mais uma quaresma. Que ela seja o marco da grande mudança da nossa vida e possamos corresponder ao Amor tão elevado com que Cristo nos amou!

Aproveitemos a ajuda do Senhor que está ao nosso lado!

“Tudo por Jesus, nada sem Maria!” 

 

Preparado pelos Membros de Aliança da Comunidade Olhar Misericordioso - “Missão Barra da Tijuca”, Rio de Janeiro.

 

Fontes de pesquisa:

Pregações de padre Alexandre Paciolli (Webex /Meditatio)

Sobre Quaresma: Arqrio/Site arquidiocese de São Paulo/ Arautos do Evangelho/ Homilias padre Paulo Ricardo

[1]Obra imperf. sobre S. Mateus, 5, super 4, 1 (PG 56, 662-663) – https://padrepauloricardo.org/episodios/1-domingo-da-quaresma-uma-quaresma-para-mudar-a-sua-vida?utm_content=buffer6859e&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer

Mulheres que fizeram a diferença na bíblia



Durante uma audiência com participantes do Congresso Nacional do Centro Italiano Feminino em 25 de janeiro de 2014, o Papa Francisco declarou: “Ao longo das últimas décadas, ao lado de outras transformações culturais e sociais, também a identidade e o papel da mulher na família, na sociedade e na Igreja, conheceram mudanças significativas e, em geral, a participação e a responsabilidade das mulheres tem vindo a aumentar”.  

O Pontífice também desejou que se alargassem os espaços para uma presença feminina mais capilar e incisiva na Igreja, ao mesmo tempo não esquecendo o seu cuidado imprescindível com a família, como recorda o trecho da Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho: “Estes novos espaços e responsabilidades que se abriram (…) não podem fazer-nos esquecer o papel insubstituível da mulher na família. As qualidades de delicadeza, uma particular sensibilidade e ternura, assim tão abundantes na mente feminina, representam não apenas uma verdadeira força para a vida das famílias, para a irradiação de um clima de serenidade e harmonia, mas também uma realidade sem a qual a vocação humana seria irrealizável”. 

Neste mês de Março, dia 08, comemorou-se o Dia Internacional da Mulher. Pesquisas afirmam que as mulheres são maioria nas igrejas. Apesar do grande preconceito contra as mulheres existente nas culturas descritas na Bíblia, encontramos exemplos do tremendo poder de Deus agindo na humanidade através delas. Mulheres de fé e ação que produziram grandes transformações no ambiente em que elas agiram. Grandes mulheres que têm muito a nos ensinar. 

(1) MARIA (Mt 1; Mc 6,3; Lc 1 e 2; Jo 2, 1-11; Jo 19, 25-27, At 1,14): Amada por Deus, cheia de graça, uma jovem judia que estava comprometida com um carpinteiro chamado José, foi escolhida por Deus para conceber e ter o seu Filho, Jesus Cristo, pelo poder do Espírito Santo. Maria realizou do modo mais perfeito, durante toda a sua vida, a obediência da fé: “Faça-se em mim segundo a Tua palavra”. Ela é verdadeiramente “Mãe de Deus” porque é a mãe de Jesus. Deus escolheu gratuitamente Maria desde toda a eternidade para que fosse a Mãe de seu Filho e para realizar essa missão, foi concebida Imaculada. Isso significa que, por graça de Deus e em previsão dos méritos de Jesus Cristo, Maria foi preservada do pecado original desde a sua concepção. Maria se oferece totalmente à Pessoa e à obra do seu Filho Jesus abraçando com toda a alma a vontade divina de salvação. A maternidade espiritual de Maria se estende a todos os homens que Jesus veio salvar. Obediente ao lado do novo Adão, Jesus Cristo, a Virgem é a nova Eva, a verdadeira mãe dos vivos que coopera com o amor de mãe para o nascimento e para a formação deles na ordem da graça. Virgem e Mãe, Maria é a figura da Igreja, a mais perfeita realização dela. Maria está entre os Doze no dia de Pentecostes, quando o Espírito inaugura os “últimos tempos” com a manifestação da Igreja.

Maria continua a interceder pelos seus filhos, a ser para todos modelo de fé e de caridade e a exercer sobre eles uma influência salutar que brota da superabundância dos méritos de Cristo. Os fiéis vêem nela uma imagem e uma antecipação da ressurreição que os espera, e a invocam como advogada, auxiliadora, protetora e medianeira.

 

(2) ISABEL (Lc 1, 5-25; 39-56): Isabel era estéril e no ambiente do Antigo Testamento, uma mulher casada que não tivesse filhos era considerada uma tragédia. Isabel continuava sem filhos, mesmo já idosa. Um belo dia um anjo do Senhor chegou com boas notícias quase inacreditáveis: de Isabel e Zacarias nasceria uma criança que chegaria a ser um grande profeta diante do Senhor, o precursor do Messias.  

Quando uma esperada realização demora-se, é fácil ficarmos melancólicos, aflitos ou magoados. Zacarias não aceitou facilmente a mensagem e demonstrou dúvidas. Por causa disto, ficou mudo e assim permaneceu até o nascimento de seu filho, João Batista.  

Isabel nos ensina que uma promessa divina tem cumprimento muito acima do que seria de esperar.  

Se Deus não fosse muito além daquilo que pensamos e pedimos, não realizaríamos grandes coisas, pois a nossa fé é muito pequena. 

Durante cinco meses Isabel ocultou sua gravidez por especial favor de Deus, mas o anjo Gabriel revelou a gravidez de Isabel a Maria, quando lhe apareceu também, como uma garantia extra de que a futura mãe de Jesus também seria altamente favorecida por Deus (Lc1,24-38). A declaração conclusiva do anjo, referindo-se a ambos os casos, de Isabel e Maria, foi: “Porque a Deus nenhuma coisa é impossível”. (Lc 1,37). 

Posteriormente Maria visita Isabel, o que deu a ambas a oportunidade de trocarem congratulações e louvarem juntas ao Senhor.

Relatos bíblicos semelhantes ao de Isabel são o de Sara (Gen 21, 1-7) e o de Ana (1 Sam 1, 1-20). 

 

(3) SARA era estéril e mostrou ter muita fé quando não desistiu de ter o filho que o Senhor lhe prometeu. Ela perseverou na crença e, aos 90 anos, deu à luz Isaac, que era o herdeiro da promessa feita a Abraão. Por isso, ela é a única mulher mencionada entre os heróis da fé (Hebreus 11,11), pessoas que exercem influência até hoje, como Moisés e Davi.  

Dedicada ao filho e o marido, podiam sempre contar com ela, que estava ao lado deles em qualquer situação. Acompanhava Abraão em todas as viagens. Fiel a Deus, Sara não  desistia fácil das promessas de Deus e procurava fazer as vontades d’Ele. Alegre, ela recebia as pessoas em casa com felicidade e as servia com prazer.  

 

(4) ANA (1Sm 1,1-20): era mulher de Elcana, mãe do profeta Samuel. Era estéril e sofria muito porque ser estéril no contexto social do seu tempo era uma desgraça. Ana sofria provocações da outra mulher de Elcana, a Fenena, a qual tinha filhos (1Sm1,6). Um dia, quando o Elcana levou Ana até Silo, lugar de reunião e adoração dos judeus, ela orou muito pedindo que Deus lhe desse um filho que ela iria consagrá-lo ao seu serviço. Deus ouviu a oração e deu-lhe Samuel, que foi criado junto ao sacerdote Eli, cujos filhos eram muito perversos. Samuel era puro e amoroso e um dia Deus o chamou para lhe dar a primeira profecia, referindo-se ao trágico fim de Eli e seus filhos. A profecia se cumpriu e Samuel tornou-se o sacerdote e profeta oficial dos Israelitas. Foi ele quem sagrou o primeiro Rei de Israel, Saul. Depois sagrou Davi, que escreveu muitos salmos e conquistou todas as terras prometidas por Deus a Abraão. Ana teve outros filhos e viveu feliz e realizada ao lado do marido e dos filhos.  

 

(5) DÉBORA (Juízes 4, 4-16): Era uma dona-de-casa comum, mas foi escolhida para ser juíza. Foi a única mulher das escrituras sagradas a ocupar um cargo político com excelência. Ela se definia como “mãe de Israel" e fazia de tudo para o bem da nação. Débora era bastante virtuosa: mãe de família, profeta, temente a Deus e líder militar. Traçou estratégias de batalha e conquistou muitas vitórias para Israel na época dos juízes. Foi a libertadora do povo hebreu em tempos de guerra contra os cananeus.  

Líder, não se intimidou por ser mulher e ganhou o respeito dos líderes de Israel. Estrategista, Débora sempre buscava maneiras de combater os inimigos buscando inspiração junto ao Senhor e, por isso, tinha êxito em tudo que fazia. Conselheira, era preocupada com as pessoas e sempre dava conselhos, discutindo e sugerindo soluções para quem estava com problemas.  

 

(6) ESTER (Est 4,15-16): Foi a rainha mais importante que Israel já teve. Judia e órfã, ela foi criada por um parente. Quando se casou com o rei Assuero, Ester fez de tudo pelo povo judeu. Tem um livro da Bíblia só dela. Ester descobriu um plano para exterminar todos os judeus. Ela se preparou espiritualmente com um jejum de três dias e orações. Ao final do período, Ester revelou ao rei que era judia e conseguiu salvar o povo. Sábia, diante de uma situação difícil ela não se desesperava: buscava soluções em Deus para tomar decisões. Destemida, não ficou com medo de agir para salvar os judeus. Era ousada e inteligente, e tinha uma fé admirável. Humilde, ela procurava respeitar a opinião dos outros. Ester nos ensina a não agir por impulso. Sempre orar antes de tomar as suas decisões. “Se hei de morrer, morrerei.”  

 

(7) RUTE  (Rt 1, 1-22): A história de Rute ocorreu ao tempo dos Juízes.  

Rute era nora de Elimeleque e Noemi, casal que havia emigrado de sua terra para Moabe. Seus dois filhos se casaram com mulheres moabitas, uma delas Rute e a outra, Orfa. Anos depois morreram os homens da família e ficaram viúvas as três mulheres: Noemi, Rute e Orfa. Noemi devolveu as noras para as respectivas famílias e resolveu regressar à sua pátria. Rute, porém, teimou em acompanhá-la e, lá chegando, para não morrer de fome junto com a sogra, foi trabalhar na roça do rico parente Booz, catando grãos (Rt 2, 1-23). Como era honesta, trabalhadora e agradecida, Booz distinguiu-a no meio das outras mulheres, resgatou a dívida de sua sogra e casou-se com ela, daí nascendo Obed, que seria o pai de Jessé e avô de Davi (Rt 4,17). Rute é mais uma ascendente do Senhor Jesus Cristo na encarnação.  

Rute deve ser citada como um modelo de piedade filial e de fidelidade. “Para onde tu fores, disse ela, também eu irei” (Rt 1,16). De outra parte, por Deus tê-la escolhido demonstra que a escolha do povo eleito não é tão exclusiva que Deus se desinteresse das outras nações. Ao contrário, temos aqui um sinal da universalidade da salvação. 

 

(8) MARIA MADALENA (Lc 7,36; Lc 8,2; Mc 16,9): Sua presença ao pé da cruz mostra que ela tinha laços especiais de amizade tanto com Maria, mãe de Jesus, como com o próprio Senhor Jesus. Isso pode ser confirmado pelo fato de Jesus ter aparecido para ela, sozinha, pouco depois de sua ressurreição. (Jo 20, 15-16).  

Jesus expulsou dela muitos demônios. Ela, restaurada, segue Jesus. Em Lucas 8,2 lemos: “...e também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios...”. Os versículos anterior e posterior relatam que, além dos 12 apóstolos, algumas mulheres seguiam Jesus de cidade em cidade, o ajudando com seus bens. Entre essas, somente Maria Madalena foi citada como uma mulher liberta de demônios. 

Depois da sua libertação, Maria Madalena se desprendeu dos seus problemas e teve olhos somente para o Senhor. 
Essa busca por agradar a Deus levou Maria Madalena à cena de dois momentos mais importantes de Jesus: a crucificação e a ressurreição. Ela esteve ao lado de Maria nos últimos momentos de vida Dele e foi uma das mulheres que viram a sepultura vazia e receberam do anjo do Senhor a notícia de que Ele havia ressuscitado. Foram essas mulheres também que viram pela primeira vez Jesus ressurreto. A sua disposição em seguir Jesus e sua abertura para ajudar, a levaram para viver e ver o que era sobrenatural. 

 

(9) MARIA DE BETÂNIA (Lc10,38-42; Jo12,1-8): Era uma apaixonada pela Palavra de Deus. Quando Jesus estava hospedado em sua casa, enquanto sua irmã Marta cuidava do jantar, ela se colocou aos pés de Jesus para ouví-lo. A irmã reclamou,  mas Jesus defendeu Maria com estas palavras: “Marta, Marta, andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto, pouco é necessário e mesmo uma só coisa; Maria, pois escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada” . Mais tarde, quando seu irmão Lázaro faleceu, Jesus apareceu 4 dias depois, e ao vê-lo Maria se atirou aos pés, dizendo: “Senhor, se estiveras aqui, meu irmão não teria morrido”. Jesus vendo-a chorar junto aos amigos de Lázaro, ficou tão comovido que também chorou. Mandou, então, que retirassem a pedra do túmulo, onde Lázaro jazia morto há já 4 dias, e mandou que ele saísse para a vida (Jo 11,32-44). Por ter amado tanto a Jesus, Maria pôde ver esse estupendo milagre acontecer dentro de sua própria família. Mais tarde, quando se comemorava a ressurreição de Lázaro com um banquete, Maria novamente provou o seu grande amor por Jesus, derramando aos seus pés uma libra de bálsamo de nardo puro, que naquela época equivalia a um ano de trabalho de um operário judeu. Mais uma vez Maria foi censurada pelo seu “desperdício”, mas Jesus novamente a defendeu, dizendo: “Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto; porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes.  

 

(10) A VIÚVA POBRE (Mc 12, 41-44; Lc 21, 1-4):  A maioria das viúvas no tempo de Jesus era realmente pobre porque não tinha o direito de trabalhar e, portanto, dependia somente da caridade dos parentes quando lhe morria o marido. Aquela viúva possuía apenas alguns trocados, levou-os à “caixa coletora do templo” e ali depositou as parcas moedinhas com que poderia comprar um pouco de pão. Ela sabia que “O pouco que o justo possui vale mais do que a opulência dos ímpios”  (Sl 36,16) e também aceitou o conselho de Davi, quando dizia: “Põe tuas delícias no Senhor, e o desejo do teu coração ele atenderá Confia ao Senhor a tua sorte, espera nele, e ele agirá” (Sl 36, 4-5). Ao colocar ali as únicas moedinhas que lhe restavam naquela oferta anual (não era o dízimo), ela foi contemplada com um grande elogio do próprio Deus encarnado, Jesus Cristo, que falou: “E ele chamou os seus discípulos e disse-lhes: Em verdade vos digo: esta pobre viúva deitou mais do que todos os que lançaram no cofre,44porque todos deitaram do que tinham em abundância; esta, porém, pôs, da sua indigência, tudo o que tinha para o seu sustento.” (Mc 12, 43-44). 

 

Outros belos exemplos de mulheres que fizeram a diferença na história bíblica são, RAAB (Js 2, 1-21; 6,17-25; Tg 2,25; Hb 11,31); ANA (Lc 2, 36-38); a SAMARITANA (Jo 4); DORCAS (At 9, 36-41) e ABIGAIL (1Sm 25, 3-42).   

As Sagradas Escrituras nos mostram vários testemunhos dessas mulheres tão humanas e corajosas.

CONCLUSÃO
Papa Francisco afirmou que “É pelo diálogo com Deus, pela sua Palavra, na graça dos sacramentos, que a mulher cristã procura sempre de novo responder ao chamado do Senhor, no concreto da sua condição; uma oração sempre apoiada pela presença materna de Maria que saberá mostrar o caminho a percorrer, para aprofundar o significado e o papel da mulher na sociedade e para ser totalmente fiel ao Senhor Jesus Cristo e à própria missão no mundo”. 

A dignidade da mulher está intimamente ligada com o amor que ela recebe pelo próprio fato da sua feminilidade e também com o amor que ela, por sua vez, doa. Confirma-se assim a verdade sobre a pessoa e sobre o amor. Acerca da verdade da pessoa, deve-se uma vez mais recorrer ao Concílio Vaticano II: « O homem, a única criatura na terra que Deus quis por si mesma, não pode se encontrar plenamente senão por um dom sincero de si mesmo ». Isto se refere a todo homem, como pessoa criada à imagem de Deus, quer homem quer mulher. A afirmação de natureza ontológica aqui contida está a indicar também a dimensão ética da vocação da pessoa. A mulher não pode se encontrar a si mesma senão doando amor aos outros. 

 

"Tudo por Jesus, nada sem Maria!"

 

Gerson Corrêa
Membro de Aliança da
 Comunidade Olhar Misericordioso
Santa Maria (RS)
 

 

 

REFERÊNCIAS 

[1] Bíblia Sagrada – edição de estudos. Editora Ave-Maria. São Paulo, 2011.
[2] Dicionário Enciclopédico da Bíblia. Editora Vozes. Petrópolis, 1985.
[3] Compêndio do Catecismo Católico. Edições Loyola. São Paulo, 2005.
[4] Carta Apostólica Mulieris Dignitatem. Disponível em http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/apost_letters/1988/documents/hf_jp-ii_apl_19880815_mulieris-dignitatem.html 

[5] A visão de João Paulo II sobre a dignidade e a vocação da mulher. Disponível em http://blog.cancaonova.com/redacao/a-visao-de-joao-paulo-ii-sobre-a-dignidade-e-a-vocacao-da-mulher/ 

[6] Se inspire em personagens que fizeram história. Disponível em https://www.montesiao.pro.br/estudos/mulher/mulheresbiblia.html 

 

Ano Nacional Mariano



A Igreja no Brasil está em festa.
Por ocasião do Jubileu dos 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida no Rio Paraíba do Sul, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) instituiu o Ano Nacional Mariano, que teve início em 12 de outubro de 2016, Solenidade da Padroeira do Brasil, concluindo-se no dia 11 de outubro de 2017.

Conforme mensagem publicada no site da CNBB (www.cnbb.org.br) em 11 de Outubro de 2016 1 , assinada por Dom Sérgio da Rocha, Dom Murilo Krieger e Dom Leonardo Steiner, “a celebração dos 300 anos é uma grande ação de graças, ...e o Ano Mariano vai, certamente, fazer crescer ainda mais o fervor da devoção a Maria e da alegria em fazer tudo o que Ele disser (cf. Jo 2,5)”.

Segundo a Redação do portal A12 (www.a12.com) em artigo publicado dia 13 de Dezembro de 2016 2 , o Papa Francisco confirmou o pedido feito pelo Arcebispo Emérito de Aparecida (SP), Cardeal Raymundo Damasceno Assis e os fiéis brasileiros poderão alcançar indulgência plenária (*) durante o Ano Nacional Mariano sob as seguintes condições habituais:
- confissão sacramental;
- comunhão eucarística;
- oração na intenção do santo padre, o Papa.

O documento do Vaticano ainda ressalta que que os fiéis verdadeiramente penitentes e impulsionados pela caridade, devem em forma de peregrinação visitar a Basílica de Aparecida ou qualquer Igreja paroquial do Brasil dedicada a Nossa Senhora Aparecida. No local deverão devotamente participar das celebrações jubilares, ou de promoções espirituais ou, ao menos, por um conveniente espaço de tempo, elevarem humildes preces a Deus por Maria. A conclusão deste momento deve acontecer com a Oração Dominical, pelo Símbolo da Fé e pelas invocações da Beata Maria Virgem, em favor da fidelidade do Brasil à vocação cristã, impetrando vocações sacerdotais e religiosas e em favor da defesa da família humana.

Para o caso de pessoas idosas ou gravemente doentes que não podem realizar a peregrinação, o documento do Vaticano estabelece uma condição especial para a obtenção das indulgências: poderão alcançar se “assumida a rejeição de todo pecado, e com a intenção de cumprir onde em primeiro lugar for possível as três condições, espiritualmente se dedicarem diante de alguma pequena imagem da Virgem Aparecida, a funções ou peregrinações jubilares, ofertando suas preces e dores ao Deus misericordioso por Maria”.

Aos sacerdotes aos quais está confiado o cuidado pastoral do Santuário Nacional de Aparecida e os párocos das paróquias que possuem o título de Nossa Senhora Aparecida deverão, segundo o documento da Penitenciária Apostólica, “com ânimo pronto e generoso” se oferecer para a celebração da Penitência e muitas vezes administrar “a Sagrada Comunhão aos enfermos”.

Indulgência
(*) “A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa. O fiel bem-disposto obtém esta remissão, em determinadas condições, pela intervenção da Igreja que, como dispensadora da redenção, distribui a aplica, por sua autoridade, o tesouro das satisfações (isto é, dos méritos) de Cristo e dos santos”. (Catecismo da Igreja Católica nr. 1471)

Somos todos convidados a participar desse Ano Mariano.

Aproveitemos esse tempo de graças tão favorável para contemplar Maria como modelo de fé e seguimento do Cristo, 3 pedindo a ela, sob o título de Nossa Senhora Aparecida, que interceda por nós, por nossas famílias e pelo Brasil.

“Tudo por Jesus, nada sem Maria!”

Comunidade Olhar Misericordioso

Fontes:
www.cnbb.org.br
www.a12.com


1 http://www.cnbb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=19671:ano-nacional-mariano-mensagem-a-igreja-catolica-no-brasil&catid=114:noticias&Itemid=106
2 http://www.a12.com/santo-padre/noticias/detalhes/ano-mariano-no-brasil-papa-francisco-confirma-concessao-de-indulgencias-plenarias
3 http://www.a12.com/santuario-nacional/formacao/detalhes/ano-mariano-para-a-igreja-no-brasil-300-anos-de-bencaos

Igualdade de gênero e dignidade de gênero


Homofobia, igualdade, identidade, gênero... termos muito frequentes hoje em dia, até mesmo nas rodas de conversas nas escolas. Poucas pessoas, contudo, realmente sabem o que esses termos significam e menos ainda o que eles levam por trás. Cabe dizer, antes de tudo, que a discussão não é sobre religião, nem muito menos sobre valores antagônicos, mas sobre dados científicos comprovados e conceitos claros. Aqui vão, então, algumas pinceladas breves para explicar os conceitos-chave para uma compreensão mais profunda e objetiva das questões suscitadas pela ideologia de gênero.

Ideologia de gênero é um conjunto de crenças e ideias que postulam que o ser humano nasce sem um sexo definido, e que este deve ser escolhido por ele próprio. A ideologia de gênero também pode ser chamada de identidade de gênero. O termo “ideologia” ressalta o sentido de distorção da realidade, enquanto “identidade” destaca a tese postulada. O termo “gênero” no sentido amplo é o agrupamento de seres ou objetos que têm entre si características comuns. Contemporaneamente, com os estudos de Sigmund Freud, na década de 20, o termo ganhou uma atribuição social muito questionada: conjunto de propriedades atribuídas social e culturalmente em relação ao sexo dos indivíduos.

O termo “gênero” no sentido amplo é o agrupamento de seres ou objetos que têm entre si características comuns. Contemporaneamente, com os estudos de Sigmund Freud, na década de 20, o termo ganhou uma atribuição social muito questionada: conjunto de propriedades atribuídas social e culturalmente em relação ao sexo dos indivíduos.

Da década de 50 em diante, segundo o professor Massimo Gandolfini, neurologista diretor do Departamento de Neurociência da Fundação Poliambulan de Brescia, Itália, e vice-presidente nacional da Associação Ciência & Vida, a ideologia do gênero foi proposta em três correntes que se completam: a corrente naturalista, a feminista e a da “não identidade”.

A corrente naturalista, segundo Gandolfini, é aquela que coloca o pilar central da ideologia de gênero dogmatizando, com base em Freud, que alguém se torna homem ou mulher não por determinação biológica sexual, mas por imposição de “estereótipos” de gêneros. A segunda corrente é ligada à história do movimento feminista para a emancipação e a igualdade da mulher, e tem em Simone de Beauvoir sua grande idealizadora junto a Adrienne Rich, quem cunhou a famosa sigla LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), propondo quatro gêneros de identidade relacionados à orientação sexual. A terceira corrente, consequência da anterior, vem com Judith Butler e vai ao extremo de propor uma sociedade global líquida, sem nenhum ponto fixo de referência, sendo intitulada por isso de corrente da “não identidade”.

Contudo, constata Gandolfini, existe uma diferença fundamental entre identidade sexual e ideologia de gênero. A primeira é biologicamente determinada, a segunda é uma escolha autônoma e individual que ignora completamente o fato da realidade representada pela permanência sexual.

“O homem também tem uma natureza que ele deve respeitar e que não pode manipular à vontade”, afirmou Bento XVI no Parlamento Alemão, em setembro de 2011. “O homem não é apenas uma liberdade que ele cria para si mesmo. O homem não cria a si mesmo. Ele é espírito e vontade, mas é também natureza, e a sua vontade é justa quando ele respeita a natureza, a escuta e aceita a si mesmo como aquilo que é e que não foi ele quem criou".

A ideologia de gênero é contra a natureza porque vai contra os princípios naturais de quem somos e como vivemos. A Igreja vê nesta ideologia a tentativa do homem de se fazer como Deus, se arrogando a ilusão de controlar até a própria identidade sexual, de torná-la um elemento líquido onde as diferenças se confundem e se dissolvem. A postura da Igreja Católica é clara e consistente: respeitar a natureza, aceitar-se como se é, conscientes de que ninguém se cria, mas foi criado por Deus com amor e para o amor.

O Papa Francisco, no dia 8 de junho, recebendo os bispos de Porto Rico em visita ad limina ao Vaticano, explicou que "as diferenças entre homens e mulheres não são para contraposição ou subordinação, mas para comunhão e geração, sempre à imagem e semelhança de Deus". Assim, a Igreja respeita as diversas opiniões e busca construir caminhos para o diálogo. Essa postura, no entanto, tem sido taxada de homofóbica.

Literalmente, homofobia é medo ao homem, mas no contexto atual passou a ser rejeição, preconceito ou aversão a homossexual e à homossexualidade. Uma coisa, contudo, é rejeitar alguém, outra coisa é não compactuar com suas ideias e escolhas. A primeira é crime, punido por lei, a segunda é liberdade de expressão, garantida por lei. A liberdade de expressão se entende aqui como capacidade de expressar ideias livremente, ou seja, sem coerção, mas não sem oposição. Opor-se a ideias, opiniões, não é opor-se ao indivíduo que defende tais ideias e opiniões.

Segundo Gandolfini, já foi comprovado pela ciência que a associação de sexo – masculino ou feminino – não é uma escolha nossa, mas uma realidade biológica que trazemos desde o nascimento: nós a encontramos inscrita na totalidade do nosso corpo, células, tecidos e órgãos. Até mesmo os cérebros masculinos e femininos são diferentes em volume, bem como na estrutura anatômica e no seu funcionamento. Assim, igualdade de gênero não é possível simplesmente porque não podemos desconfigurar o ser humano.

A verdadeira igualdade é aquela baseada não no gênero, mas na dignidade do ser humano. Igualdade de gênero não é possível, dignidade de gênero, sim. A dignidade é igual para todo e qualquer ser humano. Somos diferentes, sempre o seremos, mas, nas nossas diferenças, devemos respeitar a dignidade uns dos outros. Essa é a postura da Igreja Católica.

Fontes:
Dom Orani Tempesta; Brasil, nova ameça da ideologia do gênero.
Link acessado dia 05/01/16 às 16h.
Marx, Karl; Engels, Friedrich. A Ideologia Alemã (em português). Hucitec, São Paulo, 2002. "gênero", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013
Link acessado em 05/01/2016 às 17h.
Anna Pelleri, Gênero: o cérebro é masculino ou feminino?
Link acessado em 05/01/16 às 17h17.
Federico Cenci, A encíclica de Francisco diz não à ideologia de gênero
Link acessado em 06/01/15 às 11h20

O lema da Comunidade Olhar Misericordioso é “Tudo por Jesus, nada sem Maria” e as virtudes-rainha de seus membros são a mansidão e a humildade que os conduzem a experimentar e vivenciar a misericórdia interior e exteriormente.